A mulher agredida após um ato político do senador Flávio Bolsonaro (PL) revelou seu nome, Mariana, e relatou pela primeira vez as agressões sofridas enquanto aguardava um carro por aplicativo. Segundo ela, o ataque começou após um homem fazer comentários ofensivos sobre eleitores e direcionar as provocações a ela, que vestia uma camisa vermelha.
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O episódio aconteceu no domingo (18), na estação Butantã do metrô, na zona oeste de São Paulo. Atriz e arte-educadora, Mariana contou que decidiu voltar às redes sociais depois de dez anos afastada para apresentar sua versão dos fatos e refletir sobre a violência sofrida. Um vídeo da ocorrência circulou nas redes sociais.
Mulher relata insultos antes das agressões
Em seu relato, Mariana disse que aguardava a chegada do motorista quando percebeu um casal conversando sobre a aparência de pessoas que votam em determinado campo político. Segundo ela, os dois apontaram em sua direção, o que a levou a questionar o homem sobre o que estava dizendo.
De acordo com a vítima, ele passou a ofendê-la, chamando-a de “vagabunda” e “suja”. Ainda conforme Mariana, o homem afirmou que sustentava 80 famílias e pagava impostos, em contraste com ela. A atriz disse que nunca havia visto o casal antes.
Mariana contou que o homem passou a se aproximar de maneira intimidatória, como se estivesse prestes a iniciar uma briga. Diante da situação, ela afirma que o empurrou e, em seguida, foi atacada com socos na cabeça e no rosto.
Mulher diz que teve os cabelos puxados
Segundo Mariana, algumas mulheres que presenciaram a cena foram as primeiras a acolhê-la e ajudá-la. Uma delas gravou o vídeo que posteriormente ganhou repercussão nas redes sociais.
A vítima também afirmou que sofreu agressões da mulher que acompanhava o homem. De acordo com seu relato, ela teve os dreads puxados durante a confusão.
Mariana destacou que o cabelo faz parte de sua identidade e que puxá-lo provocou dor. A atriz também criticou a reação das pessoas que estavam no local e afirmou que, apesar da movimentação na estação, não recebeu ajuda de outros passageiros.
Vítima critica atuação durante a ocorrência
Mariana afirmou que se sentiu desamparada durante o episódio. Segundo ela, pessoas passaram pelo local enquanto chorava, e algumas teriam rido da situação. A vítima disse que permaneceu acolhida pelas mulheres que a ajudaram e, posteriormente, por uma funcionária da segurança do metrô.
Ela também questionou a atuação dos policiais que aparecem nas imagens. Na avaliação de Mariana, os agentes não contiveram o agressor. O caso ganhou repercussão após a divulgação do vídeo, que permitiu a identificação do homem apontado como responsável pelas agressões.
Segundo informações divulgadas pelo veículo que publicou o relato original, o homem foi identificado como Diogo Freire Estevão, empresário do setor de logística em Vargem Grande Paulista, na região metropolitana da capital.
A publicação também informou que a Justiça havia concedido, naquela mesma semana, uma medida protetiva em favor de uma mulher que teria sido ameaçada por ele. Essa informação, por si só, não estabelece relação com o episódio ocorrido no metrô.
Atriz afirma que foi atacada por usar vermelho
Ao relatar o que viveu, Mariana associou as agressões ao contexto político e à roupa que vestia. A camisa vermelha, frequentemente associada a manifestações de esquerda no Brasil, teria sido um dos elementos que provocaram a hostilidade, segundo sua avaliação.
“Eu estava voltando para casa e apanhei porque estava vestindo vermelho”, afirmou.
A atriz também disse que se sentiu humilhada e que sua presença pareceu incomodar as pessoas que a atacaram. Para ela, o episódio ultrapassou as ofensas verbais e se transformou em violência física.
O caso repercutiu nas redes sociais após a divulgação das imagens, que mostram parte da confusão na estação Butantã.