Gustavo Santos Scacabarozzi, de 51 anos, sobreviveu a um deslizamento de terra que matou três pessoas em Taubaté, em dezembro de 2024. Quase dois anos depois, ele foi executado a tiros e golpes de faca por um amigo, segundo a Polícia Civil. O suspeito, de 30 anos, confessou o crime e teria tentado incendiar o carro em que colocou o corpo para destruir vestígios.
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O assassinato aconteceu na noite de terça-feira (20), em um imóvel no bairro Belém, em Taubaté. De acordo com a investigação, o homem enfrentava dificuldades financeiras e pretendia se apoderar de veículos ou peças pertencentes à vítima.
Preso em flagrante pela Polícia Militar, o suspeito foi autuado inicialmente por latrocínio, que é o roubo seguido de morte, fraude processual e tráfico de drogas.
Deslizamento em Taubaté
Em 27 de dezembro de 2024, Gustavo estava em uma chácara atingida por um deslizamento de terra em Taubaté (foto abaixo). Três pessoas morreram soterradas na ocorrência, enquanto ele foi resgatado com vida, apesar de ter ficado parcialmente soterrado.
Na ocasião, seis pessoas estavam na propriedade. Quatro adultos foram atingidos pela terra, dos quais três morreram e Gustavo sofreu uma fratura na perna direita. Duas crianças que estavam dentro da casa não ficaram feridas.
Gustavo foi socorrido consciente e levado ao Hospital Regional de Taubaté. Ele recebeu alta na madrugada de 28 de dezembro, após ser atendido pela equipe médica.

Corpo em carro
Na noite de terça-feira (20), policiais militares foram acionados às 20h04 para atender a uma ocorrência de disparos de arma de fogo na rua Osvaldo de Andrade Junqueira, em Taubaté.
Ao chegarem ao endereço, os agentes receberam de moradores a indicação do imóvel de onde teriam vindo os tiros. Dentro do estabelecimento, encontraram o suspeito próximo à entrada de um galpão. Ele obedeceu à ordem policial, foi abordado e algemado.
Segundo o boletim de ocorrência, o homem afirmou que havia matado Gustavo e indicou que o corpo estava dentro de um automóvel.
Os policiais encontraram um Renault Sandero branco com princípio de incêndio. As chamas foram controladas pelos próprios agentes, que localizaram o corpo da vítima no interior do veículo.
Gustavo apresentava quatro perfurações compatíveis com disparos de arma de fogo, além de outros ferimentos aparentemente provocados por um instrumento cortante.
Nas proximidades, a equipe apreendeu um revólver Taurus calibre .22, com cinco munições intactas e uma deflagrada, e uma mochila com roupas manchadas de sangue. Conforme o registro policial, as peças seriam do suspeito, que teria trocado de roupa e vestido roupas da vítima.
Para a Polícia Civil, o incêndio teria sido iniciado na tentativa de destruir vestígios e dificultar a investigação.
Versões sobre o crime
Em um primeiro relato aos policiais, o homem afirmou que foi ao imóvel para cobrar uma suposta dívida de drogas que Gustavo teria com ele. Segundo essa versão, os dois entraram em luta corporal, e o suspeito efetuou quatro disparos contra a vítima. Depois, teria usado uma faca encontrada no local para golpeá-la.
Durante o interrogatório, porém, conforme o registro da autoridade policial, o investigado relatou que passava por dificuldades financeiras e pretendia se apoderar de veículos ou peças pertencentes a Gustavo.
Os dois se conheciam e mantinham uma relação de amizade. Diante dos indícios de intenção de subtrair bens, a Polícia Civil enquadrou inicialmente o caso como latrocínio. A alegação de uma dívida relacionada a drogas não afastou, na avaliação do delegado, a hipótese de motivação patrimonial.
O suspeito também teria afirmado que voltou a municiar o revólver depois dos disparos.
Polícia apreende maconha
Após a prisão, os policiais questionaram o homem sobre a existência de drogas em sua residência, na Estrada Municipal do Barreiro, também em Taubaté. Ele confirmou que mantinha entorpecentes no imóvel e acompanhou a equipe até o endereço.
Na cozinha, dentro da geladeira, foram encontradas sete porções de maconha, com peso aproximado de 1,5 quilo. Os policiais também apreenderam uma balança, um rolo de filme plástico, duas facas, munições e um caderno com anotações que poderiam estar relacionadas à venda de drogas.
Durante a perícia, outros dois invólucros com substância vegetal semelhante à maconha foram encontrados na mochila do investigado. O material pesava 21,73 gramas. Ao todo, a apreensão chegou a aproximadamente 1,596 quilo.
Segundo o boletim de ocorrência, o homem admitiu vender entorpecentes. A quantidade apreendida, os objetos e as anotações foram considerados indícios de tráfico de drogas. Celulares relacionados ao suspeito e à vítima também foram recolhidos.
Prisão preventiva
A Polícia Civil ratificou a prisão em flagrante por latrocínio, fraude processual e tráfico de drogas. O suspeito foi encaminhado ao Centro de Triagem da Cadeia Pública de Taubaté, onde permaneceu à disposição da Justiça.
O delegado solicitou a conversão da prisão em flagrante em preventiva, citando a gravidade do crime, o uso de arma de fogo, a tentativa de destruição de vestígios e os indícios de comércio de drogas.
A Polícia Civil também pediu autorização judicial para acessar os dados dos celulares apreendidos. A análise poderá contribuir para esclarecer a motivação do assassinato, a possível existência de dívidas e eventuais contatos ou transações relacionados ao caso.
A investigação continua, com exames periciais no local, na arma, nos vestígios do incêndio e no corpo de Gustavo.