A deputada federal Marina Silva (Rede), ex-ministra do Meio Ambiente e candidata derrotada ao Senado por São Paulo, avalia que o avanço da extrema direita representa uma ameaça à democracia e à convivência social.
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Em entrevista a OVALE, ela criticou o comportamento de Flávio Bolsonaro (PL) no debate com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na Band, classificando sua postura como agressiva e inadequada para quem pretende governar o país.
Para Marina, lideranças políticas que disseminam discursos de ódio e preconceito contribuem para o aumento da violência contra mulheres, pessoas negras e a população LGBTQIA+.
Na disputa pelo Senado, Marina afirmou que sua campanha e a de Simone Tebet (PSB) tiveram votações expressivas, mas foram prejudicadas pela atuação da máquina governamental e por ataques e notícias falsas.
A ex-ministra também demonstrou confiança na reeleição de Lula e criticou a aproximação da família Bolsonaro com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Segundo ela, essa relação pode prejudicar a economia brasileira, especialmente setores como o agronegócio e a indústria, além de colocar em risco a autonomia do país.
Na área ambiental, Marina defendeu a atuação do governo federal no combate ao desmatamento e aos incêndios na Amazônia, atribuindo parte das queimadas a ações criminosas e interesses de exploração ilegal da floresta.
Apesar da derrota eleitoral, Marina disse que continuará atuando no combate à desigualdade, na proteção do meio ambiente e na defesa de políticas públicas voltadas à melhoria da qualidade de vida da população.
Confira a íntegra da entrevista com Marina Silva.
Ministra, que avaliação a senhora faz do resultado da eleição para o Senado em São Paulo?
Bem, acho que tivemos uma votação muito expressiva. Afinal de contas, Simone teve 8 milhões de votos, e eu tive quase 8 milhões: foram 7 milhões e 800 mil votos. Isso é muito representativo, mas a máquina do governo operou de uma forma muito violenta.
As candidaturas do [Guilherme] Derrite e do André do Prado tinham milhares e milhares de estruturas espalhadas pelo estado inteiro. Houve uma indústria de fake news e de agressões contra a minha candidatura, a da Simone, a do Haddad e a do presidente Lula. E eles ganharam.
Mas posso dizer que nós perdemos ganhando, porque fizemos uma campanha bonita, discutindo propostas e respeitando os eleitores do estado de São Paulo. Vamos continuar lutando por essas propostas junto com movimentos sociais, empresários e trabalhadores, para que sejam viabilizadas em um futuro governo do presidente Lula, se Deus quiser e o povo brasileiro permitir.
Temos também dois homens que foram eleitos e que não têm compromisso com a agenda de defesa dos direitos das mulheres nem das pessoas mais pobres.
Eles não têm compromisso com a agenda de combate à emergência climática. Toda essa região do Vale do Paraíba é prejudicada pelos eventos climáticos extremos, mas estaremos ao lado da população, trabalhando para que haja ações de adaptação e para que as pessoas não sejam prejudicadas. Queremos investimentos em drenagem, encostas e remoção de populações de áreas de risco para áreas seguras, com programas como o Minha Casa, Minha Vida.
Quero aproveitar para agradecer a todos aqueles que votaram e fizeram campanha por mim, pelo Haddad, pela Simone e, sobretudo, à minha campanha, porque fui muito bem recebida, de forma respeitosa, por todas as pessoas por onde passei.
Durante a campanha, a senhora chegou a ser vítima de violência. No debate entre os candidatos ao Senado, também houve muita agressividade contra a senhora. Por que a política seguiu por esse caminho da violência?
Temos uma situação de avanço dessa extrema direita reacionária, de pessoas que não respeitam a democracia nem a liberdade de opinião, que são provocadoras, mentirosas e fazem ataques pessoais e mentiras políticas. Elas se alimentam disso e criam uma situação de raiva e ódio na população.
Ninguém constrói nada com base na mentira e no ódio. Construímos as coisas com base no respeito, no amor às pessoas, à vida e à natureza. É assim que tenho pautado minha vida pública nesses mais de 40 anos.
O episódio de violência que aconteceu foi um caso de violência política de gênero. Ele não chegou a me atacar pessoalmente, fisicamente, mas se projetou de uma forma muito agressiva, muito próximo de mim. Era um homem forte e, obviamente, falando de forma arrogante e aos berros, isso cria, sim, uma situação de violência política de gênero.
Mas ele já está sendo investigado. A OAB daqui de São Paulo entrou com uma ação contra ele, e ele vai pagar pelo crime de fazer violência política contra uma mulher ou contra qualquer mulher.
Agora, São Paulo tem uma situação de aumento da violência contra as mulheres. Em 2025, foram 270 casos de feminicídio, enquanto o número caiu 2% no país inteiro. Em São Paulo, cresceu 10% no primeiro semestre.
Aqui temos uma situação gravíssima. O tempo todo vemos casos de violência política ou física. Aumentaram também os estupros contra pessoas vulneráveis, crianças e pessoas com deficiência física. Houve um aumento de 6% no estado de São Paulo.
Então, quando você vê lideranças políticas com cargos proeminentes fazendo discursos de preconceito contra as mulheres, contra a população LGBTQIA+ e, ainda mais, contra pessoas pretas, é como se estivessem autorizando outras pessoas a fazer o mesmo.
Uma liderança política também tem um papel educativo. Se ela destila ódio, mentira e raiva, é isso que está passando para os seus eleitores.
Prefiro passar outra linguagem, outra informação. Acho que você tem o papel de ser também um educador político, um educador social, de ensinar como as pessoas devem tratar umas às outras, inclusive nas divergências.
A ascensão da extrema direita no Brasil e no mundo é uma reação às conquistas das mulheres, das comunidades negras, dos indígenas e da comunidade LGBTQIA+? Uma reação aos privilégios perdidos?
Essas pessoas racistas e preconceituosas achavam que o mundo se conformava à sua imagem e semelhança, que o direito de entrar em uma boa universidade era apenas delas, que o direito de empreender era apenas dessas pessoas e que ter uma casa digna ou um pedaço de terra para cultivar era um privilégio delas.
Quando você tem políticas sociais da socialdemocracia, dos partidos socialistas ou do campo democrático popular, como é o caso aqui do Brasil com o presidente Lula, essas pessoas começam a partir para uma revanche. É como se tivessem o direito de condenar metade da população, ou mais da metade, a viver em condições indignas, sem ter como realizar seus sonhos.
Quando vejo o deputado [federal] Zé Trovão, que é da base de sustentação do Flávio Bolsonaro, entrar com uma ação na Justiça para derrubar o reajuste do salário mínimo, que foi feito para corrigir a situação, isso é uma demonstração concreta do perigo que esse grupo representa para o nosso país.
Eles fizeram de tudo para não aprovar o fim da jornada 6 por 1 e estabelecer dois dias de descanso para os trabalhadores e trabalhadoras. São 15 milhões de pessoas no Brasil que não tinham esse direito.
Isso demonstra que essas pessoas acham que existem seres humanos que vivem só para trabalhar, e não também para usufruir do descanso, do estudo e de poder se divertir, como qualquer ser humano faz.
Essas pessoas se organizaram e criam grupos violentos, inclusive grupos de formação de jovens para que tenham ódio das mulheres e das meninas.
Temos que ficar muito atentos ao que estão ensinando aos nossos filhos. Estão ensinando que sejam pessoas menos amorosas, menos cuidadosas e respeitosas.
Agora fico pensando: você deve ter visto, claro, o debate da Band, em que o pretenso candidato ao governo do Brasil se colocou em uma postura agressiva, violenta e desrespeitosa com o presidente Lula.
O presidente Lula estava fazendo sua fala, suas considerações finais, e ele ficava muito próximo do presidente, em uma tentativa de intimidação. Isso não é atitude nem postura de quem quer governar um país.
Quando você tem alguém com esse tipo de postura, o que está ensinando ao seu filho, ao seu neto? Que vai ganhar na base da intimidação, da violência, no grito.
Não é isso que devemos ensinar à nossa sociedade e aos nossos jovens. A melhor forma de ensinar não é aquilo que a gente diz, mas aquilo que a gente faz. Como disse Jesus Cristo, conhecemos a árvore pelo fruto que ela dá. Quando dá mau fruto, pode ter certeza de que não é uma árvore boa.
Essa postura de Flávio Bolsonaro no debate, que a senhora mencionou, pode se voltar contra ele? Ele pode perder votos no campo ideológico da direita?
De fato, sinto isso. Várias pessoas vieram comentar comigo que acharam totalmente inadequada, para alguém que quer ser presidente da República, a postura que ele assumiu no debate.
Primeiro, ele não responde às perguntas.
Toda vez que o presidente Lula perguntava alguma coisa, ele desviava. Quando Lula perguntou por que ele foi contra a ampliação da licença-maternidade para que uma mãe pudesse cuidar do filho durante dois meses, ele disse que amava e respeitava a própria família. Não disse que respeitava todas as mulheres e todas as mães. Fugiu da pergunta.
Quando o presidente Lula perguntou sobre os R$ 130 milhões que ele pediu ao [Daniel] Vorcaro e sobre a produção do filme, dizendo que não recebeu esse dinheiro, Lula perguntou: "Para onde foi o dinheiro?". Ele fugiu completamente e não respondeu.
Quando o presidente Lula perguntou se ele quebraria o próprio sigilo bancário e fiscal, porque Lula faria isso, ele fugiu como o diabo foge da cruz e não quis responder.
Ontem, o presidente Lula fez o que disse que faria: quebrou o sigilo fiscal e bancário dele e da própria família. Agora, a sociedade deve cobrar de Flávio Bolsonaro que quebre o sigilo bancário e fiscal dele e de sua família. Porque quem não deve não teme.
Se eles não devem, não têm que temer. Mas temem muito, porque sabem que esses R$ 130 milhões do Vorcaro não estão explicados. Ele sabe que há muita coisa que não tem como explicar, como comprar apartamento e casa com dinheiro vivo. Isso não acontece. Hoje, tudo é bancarizado.
Como alguém tem dinheiro vivo para pagar uma conta milionária, de milhões de reais, dentro de casa, embaixo do colchão ou dentro do armário? Que história é essa? Estamos esperando que ele cumpra o que disse.
Então, isso pegou muito mal. Ele não respondeu às perguntas e, orientado pelo Pablo Marçal, ficava fazendo aquela postura totalmente inadequada para alguém que quer ser presidente da República.
Ele ainda é um homem jovem, e o presidente Lula é um homem de 80 anos. Ali era para fazer o debate político, não para ele ficar se projetando fisicamente em cima de um homem de 80 anos. É uma falta de respeito com a dignidade da pessoa.
Ele podia discordar do presidente e se envolver no debate democrático, mas sem passar do ponto. Passou completamente. Sou professora, sou psicopedagoga e conheço esse tipo de atitude.
É uma atitude que evoca nas pessoas o que há de pior. Quem é mãe, quem é pai, não quer ver esse tipo de exemplo. Se uma pessoa faz isso com o presidente da República, o que não fará quando estiver no poder, com o preso, com o negro, com o porteiro, com o motorista, com as mulheres e com os mais pobres?
A senhora está na linha de frente da campanha pela reeleição do presidente Lula. O primeiro turno terminou com a vitória de Flávio Bolsonaro. Acredita que é possível virar?
Olha, nós já estamos virando. As pesquisas que vêm sendo anunciadas dizem que a diferença agora é de dois pontos. Lembra que eram cinco pontos de diferença quando passamos para o segundo turno, no dia 4 de outubro. Já está virando.
E mais: os movimentos que estão acontecendo são espontâneos. Perdemos o controle da campanha. Os jovens, as mulheres, os idosos, trabalhadores e empresários não querem ver o Brasil se tornar um país subserviente aos Estados Unidos.
Imagine que a família Bolsonaro articulou o aumento de tarifas para vender nossos produtos aos Estados Unidos. A primeira tarifa foi de 50%, e a última foi de 27%. Isso vai tirar daqui de São Paulo 4 bilhões de dólares. Ou seja, estamos tirando dinheiro da indústria de calçados de Franca, por exemplo.
É desemprego para a população que depende da indústria calçadista. Ele está tirando recursos do agronegócio brasileiro.
De 27% a 37% desse tarifário cai sobre o agronegócio, principalmente sobre produtores de café, pessoas que produzem autopeças e etanol. Isso gera emprego, renda e receita para os municípios e para os estados.
Se essa família ganhar, vai ser subserviente a Trump.
Lembra que, em 2025, eles levaram a bandeira americana. Este ano, levaram a imagem de Trump. E, nessa última manifestação, havia um balão em forma de míssil, dizendo para Trump bombardear o Brasil.
O que eles querem? Que se faça no Brasil o que foi feito na Venezuela, que o país vire um protetorado dos Estados Unidos.
Um empresário sério quer vender com dignidade. Somos um país cuja balança comercial tem um terço das exportações vindo do agronegócio. Cerca de 50% do nosso PIB está associado ao agronegócio. Imagine entregar tudo isso nas mãos dos americanos para que queiram comprar nossos produtos a preço de banana.
Outra coisa: nossos minerais críticos e nossas terras raras. Eles querem entregá-los a Trump. Não podemos consentir isso. Queremos parceria, claro. Em um país civilizado, você tem parceria comercial, cultural e científica. Tudo isso existe há 200 anos com os Estados Unidos.
Agora, querer transformar um país como o Brasil no quintal de Trump, isso não podemos aceitar. E a pessoa que trabalha com altivez e sabedoria para nos livrar dessa opressão é o presidente Lula.
Eduardo Bolsonaro está lá tramando com Trump como ganhar a eleição de forma ilegítima, manipulando o algoritmo, fazendo com que essas big techs entreguem a mensagem de Flávio Bolsonaro e segurem a nossa. Mas o povo está fazendo a mensagem no boca a boca.
Acho que o povo está fazendo como naquela primeira reunião do sindicato lá do ABC, sabe? Havia milhares de operários, e eles iam passando a mensagem de boca a boca, porque o presidente não tinha nem um megafone para falar naquela época. Eram, acho, mais de 20 mil pessoas.
Agora, as pessoas estão fazendo o mesmo. Se a Meta não entrega nossa mensagem nas redes sociais, vamos entregá-la no grupo da família, no WhatsApp, nas conversas no bairro, em todo canto.
É um movimento muito bonito que está acontecendo, um movimento cívico. Pessoas que inclusive não são de esquerda e não se identificam com a esquerda estão dizendo: "Isso é um risco. Vou perder a possibilidade de meu filho fazer um curso em um instituto federal, vou perder a possibilidade de ter crédito para minha pequena empresa, de abrir meu pequeno negócio".
Não sou obrigada a gostar do Lula, mas tenho que reconhecer que, com o governo dele, as políticas publicam funcionam.

A campanha de Flávio Bolsonaro tem usado muito o tema dos incêndios que estão acontecendo agora na Amazônia. A senhora pode explicar o que está acontecendo e se o governo tem feito o combate corretamente?
O governo tem feito um esforço gigantesco, porque temos, como as pessoas sabem, uma situação de mudança do clima.
A temperatura da Terra está ficando cada vez mais elevada. Isso provoca chuvas extremas em alguns lugares, como aconteceu no Rio Grande do Sul, em São Sebastião e em outros locais, e secas extremas em outros, com temperaturas e ventos muito fortes.
Na Amazônia, além desse fenômeno de seca, temos uma região com muita água. Veja que aquela profecia da música de Luiz Gonzaga está se cumprindo: o sertão virando mar e o mar virando sertão.
Neste momento, temos temperaturas muito altas, mas também incêndios criminosos. Geralmente, os incêndios acontecem em áreas de pastagem ou onde houve desmatamento.
O que está acontecendo agora são incêndios no meio da floresta. Na Amazônia, não temos incêndios naturais como em outras regiões, no Pampa, no Cerrado e, às vezes, no Pantanal, onde um raio pode provocar incêndios naturais.
Na Amazônia, como é uma floresta úmida, isso não acontece. Se há um incêndio no meio de uma área ampla de floresta, é porque alguém foi lá e fez uma coivara para o fogo começar.
Como é um período muito seco, há muita matéria orgânica espalhada embaixo da floresta, folhas, galhos e tudo o que vai se acumulando em uma floresta milenar. Isso faz com que esses incêndios criminosos aconteçam.
Por que estão provocando esses incêndios? Primeiro, para criar essa narrativa política e tentar atacar o presidente Lula, dizendo que há incêndios no nosso governo.
Mas é, sobretudo, porque querem usar essas áreas de forma ilegal. Não por acaso, o Flávio Bolsonaro foi agora ao estado do Pará, no município de Altamira, e lá fez uma declaração dizendo que, com ele, quem quiser fazer o que bem entender com a Amazônia pode fazer.
Isso não é coisa que se diga, porque a Amazônia é responsável pelo regime de chuvas do Brasil e pelo equilíbrio do planeta. Cerca de 75% de toda a riqueza da América do Sul está relacionada às chuvas produzidas pela Amazônia.
A Amazônia produz cerca de 20 bilhões de toneladas de água por dia na forma de vapor. É isso que se espalha pelo nosso continente para produzir chuva.
Se destruirmos a Amazônia, vamos virar um deserto como o Atacama ou o Saara. Essas pessoas estão cometendo um crime que nem terá como ser punido, porque talvez nem haja seres humanos para punir, correto? E é um crime contra elas próprias, porque vai acabar o agronegócio.
Quando ele diz esse tipo de coisa, isso é ruim para o agronegócio brasileiro. Abrimos 700 novos mercados para a agricultura brasileira graças à redução do desmatamento em 71%, na comparação com o governo Bolsonaro. Nesses três anos e meio, reduzimos o desmatamento da Amazônia em 71%.
Reduzimos o desmatamento no país inteiro, no Cerrado, na Mata Atlântica, no Pantanal, em todos os biomas. Isso fez com que os investidores retirassem as barreiras que existiam contra nossos produtos.
Com esse tipo de frase, ele vai fechar as portas para os nossos produtos.
Essas pessoas não entendem de política externa, não entendem nem respeitam a ciência. Os Estados Unidos, com Trump, podem não se importar, mas as pessoas de bem que estão nos Estados Unidos não vão querer fazer negócios com quem invade terras indígenas. A mesma coisa acontece na Europa.
Xi Jinping [presidente da China] hoje tem barreiras cada vez mais fortes para que todo mundo cumpra seu dever de casa, dando sua contribuição no enfrentamento da mudança do clima.
Em uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro, a senhora acha que a democracia e as instituições brasileiras correm risco?
Com a graça de Deus e do povo brasileiro, ele não haverá de ganhar. E repito: com a graça de Deus e do povo brasileiro.
Mas, suponhamos, um governo como o de Flávio Bolsonaro, que é contra o Bolsa Família e o Minha Casa, Minha Vida. Foram contra a isenção de imposto para quem ganha até R$ 5 mil. E, no governo do pai dele, sabe quem tinha isenção de imposto? Quem comprava um jet ski.
Você acha que um pobre pode comprar um jet ski? Temos pessoas que não podem comprar nenhuma canoa, quanto mais um jet ski.
Eles tiraram imposto de quem compra uma lancha, um carro de luxo ou um jet ski, mas não acham que devem tirar imposto do pobre que ganha até R$ 5 mil para poder comprar um sapato para o filho, o remédio de que precisa e ter uma alimentação melhor. Porque todo mundo tem o direito de comer direito.
Peço muito a Deus que tenhamos sabedoria. Digo isso porque não vamos eleger a pessoa de quem eu e muita gente gostamos muito, o presidente Lula, como mostram as ruas. Mas, mesmo que você não goste pessoalmente dele, tem que olhar para as políticas.
A gente não está elegendo o melhor amigo, a pessoa com quem vai se casar, o padre, o pastor ou o líder espiritual pessoal. Estamos elegendo o presidente da República.
Ele tem boas políticas? Vou votar nele porque será um servidor da República, e não alguém que vai se servir dela.
Quero agradecer a você e a todos que nos acompanharam.
Sei da sensibilidade dessa região. Independentemente de ter ganhado as eleições, meu mandato continua até o final de janeiro, e vou trabalhar até o último dia para que São Paulo seja um lugar bom de se viver para todas as pessoas.
Mesmo sem mandato, vou continuar comprometida com a causa do combate à desigualdade, da proteção do meio ambiente e do desenvolvimento com prosperidade, para melhorar a vida das mulheres, dos trabalhadores e de todas as pessoas, com políticas públicas boas e éticas para trabalhadores, empresários, jovens, idosos e todas as pessoas, independentemente de credo ou orientação sexual.