Uma aposentada acusada de envolvimento em mortes por envenenamento no interior de São Paulo está presa em Tremembé, no Vale do Paraíba, e terá sua história retratada em um novo livro do jornalista e escritor Ullisses Campbell. Conhecida como “Vovó do Veneno”, Elizabete Eugênio Arrabaça é investigada por uma série de episódios envolvendo o uso de substâncias tóxicas, incluindo as mortes da própria filha e da nora.
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A história ganhou destaque após Campbell anunciar, nas redes sociais, que Elizabete será uma das personagens de Tremembé Vol. 2, obra prevista para chegar às livrarias em dezembro.
O escritor, conhecido por investigar crimes de grande repercussão nacional, afirmou que pretende apresentar semanalmente detalhes sobre os personagens que farão parte de seu próximo trabalho.
Elizabete está presa preventivamente em Tremembé desde agosto de 2025. A cidade do Vale do Paraíba abriga unidades penitenciárias que ficaram nacionalmente conhecidas por receber pessoas envolvidas em crimes de grande repercussão.
Dívidas, jogos e suspeitas de envenenamento
Na publicação, Ullisses Campbell revelou detalhes da trajetória da aposentada e das suspeitas que recaem sobre ela.
Segundo o escritor, Elizabete teria enfrentado sérias dificuldades financeiras, relacionadas a jogos e dívidas contraídas com agiotas. A situação teria contribuído, de acordo com a hipótese investigada, para os crimes atribuídos à aposentada.
As investigações apontam que as vítimas teriam recebido uma substância conhecida popularmente como “chumbinho”, utilizada ilegalmente como veneno.
Conforme o relato divulgado por Campbell, a substância teria sido colocada em alimentos, bebidas e até mesmo em cápsulas de medicamentos.
Entre os episódios investigados estão também um possível envenenamento de um cachorro e uma tentativa de homicídio contra uma amiga.
O escritor relatou ainda aspectos da vida pessoal de Elizabete, que mantinha perfis em aplicativos de relacionamento, como Badoo, Coroa Metade e Par Perfeito.
Segundo ele, antes dos problemas financeiros, a aposentada costumava frequentar salões de beleza em Ribeirão Preto. Com o agravamento das dificuldades econômicas, teria deixado de pagar alguns serviços e passado a cuidar dos cabelos em casa.
As alegações sobre vício em jogos e dificuldades financeiras são contestadas pela defesa, que nega que Elizabete tivesse esse comportamento e afirma que ela mantinha suas contas em dia.
Mortes da filha e da nora são investigadas
Elizabete responde judicialmente pelas mortes de Nathália Garnica, sua filha, e Larissa Talle Leôncio Rodrigues, sua nora.
Nathália morreu em fevereiro de 2025, na cidade de Pontal, na região de Ribeirão Preto. Inicialmente, o falecimento foi atribuído a causas naturais. Entretanto, após o avanço de outras investigações, o corpo foi exumado e exames identificaram a presença de veneno.
Já Larissa, de 37 anos, morreu em março do mesmo ano, em Ribeirão Preto. O exame toxicológico também apontou envenenamento.
No caso da nora, Elizabete responde ao processo juntamente com o filho, o médico Luiz Antônio Garnica, que era marido de Larissa.
A Justiça determinou que os acusados sejam submetidos ao Tribunal do Júri. Elizabete também deverá ser julgada pela morte da filha, em processo separado.
A aposentada ainda responde a uma acusação de tentativa de homicídio contra uma amiga.
A defesa de Elizabete nega sua participação nos crimes e contesta a versão apresentada pela acusação. Os julgamentos ainda não têm datas definidas.
História será contada em novo livro sobre Tremembé
Ullisses Campbell é jornalista e escritor especializado em histórias de crimes reais. Entre suas obras estão livros sobre Suzane von Richthofen, Elize Matsunaga, Flordelis e Francisco de Assis Pereira, conhecido como Maníaco do Parque.
Ele também escreveu Tremembé: O Presídio dos Famosos, obra que inspirou a série de mesmo nome lançada pelo Prime Video.
Agora, no segundo volume, Campbell pretende apresentar novas histórias de pessoas envolvidas em crimes de grande repercussão que passaram pelo sistema penitenciário.
A inclusão de Elizabete Arrabaça coloca novamente Tremembé, cidade do Vale do Paraíba, no centro de uma narrativa sobre casos criminais que despertaram atenção em todo o país.
Enquanto aguarda julgamento, a aposentada permanece presa na unidade penitenciária da cidade, e sua história será uma das abordadas no livro previsto para dezembro.