FRAN GALVÃO

Como acompanhar tendências sem perder a própria identidade?

Por Fran Galvão | Consultora de imagem e estilo
| Tempo de leitura: 5 min
Divulgação
Como acompanhar tendências sem perder a própria identidade?
Como acompanhar tendências sem perder a própria identidade?

Você já comprou uma roupa porque estava todo mundo usando e, quando chegou em casa, percebeu que ela não tinha absolutamente nada a ver com você? Calma. Não precisa confessar. Basta abrir o guarda-roupa.

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Nunca tivemos tanto acesso à informação de moda, um verdadeiro bombardeio. Em poucos segundos, vemos o que está nas passarelas internacionais, o que uma influenciadora está usando, o que viralizou no TikTok e o que promete ser o próximo grande desejo de consumo. O problema é que, no meio de tanta referência, corremos o risco de esquecer a mais importante: a nossa própria.

Esse foi um dos assuntos que movimentaram o Colinas Talks, realizado nesta quarta-feira, no Teatro Colinas, em São José dos Campos. Promovido pelo Colinas Shopping, o bate-papo recebeu cerca de 300 pessoas, reuniu a empresária Letícia Vaz, a especialista em tendências Tete Conde e o consultor de moda Reginaldo Fonseca para discutir moda, comportamento e escolhas em tempos de excesso de informação. 
Uma frase de Letícia que merece espaço na nossa cabeça: “Saber falar ‘não’ é a moeda do século”. Pense nisso. Em uma época em que tudo parece urgente, desejável, imperdível, pra ontem, saber escolher virou uma habilidade - e saber recusar também.

Durante muito tempo, as tendências seguiam um caminho previsível e relativamente calmo: as grandes marcas apresentavam suas propostas, as revistas traduziam as novidades e, depois de algum tempo, elas chegavam às ruas. Hoje, as redes sociais encurtaram esse percurso. Uma referência aparece em um desfile, viraliza no celular e, quando você percebe, já está sendo reproduzida em diferentes versões.

Tete Conde chamou a atenção para essa transformação e para a possibilidade de resgatar peças e referências que já fazem parte do nosso repertório. Afinal, novidade não significa necessariamente comprar algo novo, às vezes, significa olhar de outro jeito para aquilo que já temos. Eu gosto particularmente disso principalmente porque levar um novo olhar para as peças das minhas clientes é um dos pilares que como consultora de imagem trabalho.

Então aproveito para deixar uma provocação: será que você gosta mesmo daquela tendência ou apenas foi exposta a ela tantas vezes que começou a acreditar que precisa gostar/ter?

Aliás, esse “passar a acreditar” chama-se “acomodação visual” e somos mais impactados a ele do que imaginamos. Esse “fenômeno” nos faz esquecer que existe uma diferença enorme entre admirar uma produção e desejar incorporá-la à própria imagem. Você pode achar maravilhoso um look visto na internet e continuar perfeitamente feliz com as roupas que traduzem quem você é.

Referência não é obrigação e tendência não é uma ordem judicial.

Letícia trouxe outro ponto importante ao falar sobre o cansaço provocado pelo excesso de decisões. Segundo ela, a curadoria é uma resposta a esse cenário, a “cereja do bolo” como destacou a empresária. E faz muito sentido, já que quando tudo está disponível, selecionar o que realmente importa passa a ter muito valor. Na prática, isso vale para marcas, negócios e, mas também para o seu guarda-roupa.

Ter estilo não é conhecer todas as tendências, comprar lançamentos ou montar uma produção diferente a cada semana. É saber o que funciona para a sua rotina, o que comunica a sua personalidade e o que faz sentido para a mulher que você é hoje.

Porque você muda – todo mundo muda. Sua vida muda, seu trabalho, seus relacionamentos, suas prioridades e até a maneira como deseja ser percebida podem mudar. E seu guarda-roupa precisa acompanhar essas transformações e não a vitrine da temporada.

Reginaldo Fonseca resumiu uma ideia essencial ao relacionar moda e comportamento: “A moda não muda, são as pessoas que mudam”. A frase nos lembra que a roupa é parte de um contexto muito maior. Ela acompanha transformações sociais, culturais e individuais. Por isso, vestir-se bem não deveria ser uma corrida atrás da novidade, mas um exercício de consciência.

O debate também trouxe reflexões sobre construção de marcas e relacionamento com o consumidor. Letícia defendeu a importância de conhecer de verdade o público, escutar suas necessidades e oferecer algo que faça sentido, em vez de tentar agradar a todos.

E de novo quero trazer essa lição para nosso guarda-roupa. Na imagem pessoal, também não existe uma única fórmula capaz de funcionar para todo mundo. Na verdade, até existem algumas fórmulas prontas, mas é como aquelas dietas da moda – genéricas, te fazem acreditar que você está progredindo quando na verdade não está. O que valoriza uma mulher pode não representar outra. O que faz sentido para sua rotina profissional pode ser completamente inadequado para o seu momento pessoal.

Gosto de pensar que as tendências podem abrir possibilidades, mas é a identidade que vai entregar a direção.

No fim, acompanhar a moda exige repertório. Construir estilo exige autoconhecimento, intenção e coragem para fazer escolhas próprias – inclusive (e principalmente) quando elas vão na contramão do que está em alta.

Então, antes de comprar a próxima peça viral, faça três perguntas: eu gosto disso de verdade? Essa escolha conversa com quem eu sou? Consigo imaginar essa roupa fazendo parte da minha vida além da foto? Se a resposta for não, tudo bem. Você não precisa sofre de FOMO (Fear of Missing Out, ou “medo de estar perdendo alguma coisa”), pode deixar tal tendencia passar. Porque pode acreditar, ela irá.

Sobre o Colinas Shopping

O Colinas Shopping é um dos mais sofisticados centros de compras, serviços e entretenimento de São José dos Campos (SP). Inaugurado em 1997 pelo empresário e filantropo Ronald Levinsohn (1935-2020), está localizado em uma área nobre da cidade de São José dos Campos, ao lado de empreendimentos residenciais e comerciais de alto padrão. Com mais de 130 lojas, oferece um mix de produtos, serviços e conveniências, reunindo marcas exclusivas na região, além de duas praças de alimentação com isolamento acústico, academia, salas de cinema e teatro. Agente de crescimento econômico da Região Metropolitana do Vale do Paraíba e Litoral Norte, o Colinas Shopping também é um dos principais complexos multiuso do eixo Rio-SP, interligado ao hotel Golden Tulip São José dos Campos e à torre comercial Colinas Green Tower.

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