A Polícia Civil investiga a morte de uma criança autista de 11 anos, ocorrida na noite de quinta-feira (8), em São José dos Campos.
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A família alega que o menino Davi Lucas Fabian Rodrigues Faria morreu após receber uma injeção de Benzetacil no Hospital Pró-Infância.
O caso foi registrado pela Polícia Civil como morte suspeita. Procurado por OVALE, o hospital não havia comentado até o fechamento da matéria – o texto será atualizado quando houver um posicionamento do Hospital Pró-Infância.
De acordo com o boletim de ocorrência, Davi foi levado pelos pais ao hospital apresentando febre, cansaço e baixa saturação de oxigênio.
O menino tinha histórico de cardiopatia congênita, já havia passado por cirurgia cardíaca e utilizava marca-passo. Ele também tinha diagnóstico de transtorno do espectro autista (TEA).
Após avaliação médica, Davi foi diagnosticado com amigdalite aguda.
Criança recebeu injeção
De acordo com a família, o médico responsável prescreveu Benzetacil, medicamento administrado por injeção, considerando a dificuldade da criança em ingerir remédios por via oral.
Como o hospital não dispunha do medicamento naquele momento, os pais foram orientados a adquiri-lo em uma farmácia.
Segundo o relato da família, ao retornarem à unidade, a medicação foi aplicada pela equipe de enfermagem, por via intramuscular, com a dose dividida entre os dois glúteos.
Garoto sofre parada cardiorrespiratória
De acordo com o relato presente no boletim de ocorrência, logo após a aplicação, quando estava sendo retirado da maca, o menino perdeu a consciência e sofreu uma parada cardiorrespiratória.
A equipe médica iniciou imediatamente os procedimentos de reanimação, incluindo massagens cardíacas, ventilação, intubação e administração de adrenalina e outros medicamentos.
Apesar das tentativas de reanimação, a criança não resistiu. A morte foi constatada às 23h.
Médico e equipe de enfermagem prestaram depoimentos
Em declaração registrada no boletim de ocorrência, o médico responsável pelo atendimento afirmou que tinha conhecimento das condições clínicas anteriores do menino e que não identificou contraindicação à prescrição de Benzetacil com base no histórico informado.
Uma técnica de enfermagem que participou da aplicação relatou que a mãe havia informado que o filho já tinha recebido o medicamento anteriormente. Segundo ela, não havia registro de alergia relatada durante a triagem.
Policiais militares acionados para a ocorrência informaram que, quando chegaram ao hospital, os profissionais de saúde já realizavam as manobras de reanimação.
Polícia investiga causa da morte
Diante da proximidade entre a administração do medicamento e a parada cardiorrespiratória, a autoridade policial determinou o registro da ocorrência como morte suspeita.
A Polícia Civil requisitou exame necroscópico, prontuário médico completo, prescrição, ficha de atendimento e registros da equipe de enfermagem.
A investigação deverá apurar se houve alguma reação adversa ao medicamento, incluindo a possibilidade de reação alérgica grave, ou se as condições cardíacas preexistentes contribuíram para o óbito.
Até o momento, não há confirmação de que a Benzetacil tenha causado a morte da criança, nem de que tenha ocorrido erro médico. A causa deverá ser esclarecida por meio dos exames e da investigação policial.
O caso foi encaminhado ao distrito policial responsável pela região.
O que diz o hospital
Em nota, o hospital lamentou profundamente e se solidarizou com os familiares de Davi neste momento de imensa dor.
"Toda a assistência necessária foi prestada de acordo com o quadro clínico apresentado, com acompanhamento da equipe assistencial e adoção das condutas indicadas", diz a nota.
"O caso segue em apuração interna, com análise de todas as circunstâncias relacionadas ao atendimento. A unidade permanece à disposição da família para os esclarecimentos necessários, reiterando seu compromisso com a transparência e a apuração responsável dos fatos."