O estado de São Paulo deve registrar 193.740 novos casos de câncer em 2026, segundo estimativas do Inca (Instituto Nacional de Câncer ). Desse total, 105.740 casos são esperados entre os homens e 88 mil entre as mulheres. No Brasil, a projeção é de 781 mil novos diagnósticos por ano no triênio de 2026 a 2028.
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Os dados fazem parte da publicação Estimativa 2026–2028: Incidência de Câncer no Brasil, divulgada pelo Inca nesta semana. O levantamento busca orientar o planejamento de políticas públicas, ações de prevenção e estratégias de diagnóstico e tratamento no SUS (Sistema Único de Saúde).
Entre os tipos de câncer mais incidentes em São Paulo, o de mama feminina lidera entre as mulheres, com 20.820 casos estimados. Entre os homens, o câncer de próstata aparece em primeiro lugar, com 19.590 diagnósticos previstos.
O levantamento também aponta a relevância dos tumores de cólon e reto, pulmão e estômago, além do câncer do colo do útero, que permanece entre os principais desafios de prevenção e diagnóstico precoce.
Tipos de câncer
As estimativas do Inca indicam que o câncer de mama deve ser responsável por 20.820 novos casos em mulheres no estado em 2026, com taxa de incidência de 87,34 casos por 100 mil habitantes.
Entre os homens, a maior incidência projetada é a do câncer de próstata, com 19.590 casos e taxa de 87,66 por 100 mil habitantes.
O câncer colorretal também aparece entre os tipos mais frequentes. A estimativa é de 8.010 casos em homens e 8.120 em mulheres, totalizando 16.130 diagnósticos.
Já os tumores de traqueia, brônquios e pulmão devem atingir 4.470 homens e 4.100 mulheres. Para o câncer de estômago, são esperados 2.920 casos masculinos e 1.880 femininos.
Entre as mulheres, o câncer do colo do útero tem previsão de 2.750 novos casos no estado.
Brasil deve registrar 781 mil casos
Em todo o país, o Inca estima 781 mil novos casos de câncer por ano entre 2026 e 2028. Quando os tumores de pele não melanoma são excluídos, a projeção cai para aproximadamente 518 mil casos anuais.
Embora apresentem alta incidência, os cânceres de pele não melanoma têm, em geral, menor letalidade em comparação com outros tipos da doença. Por isso, são apresentados separadamente no levantamento.
O câncer vem se consolidando como uma das principais causas de adoecimento e morte no Brasil, aproximando-se das doenças cardiovasculares. O cenário está relacionado, entre outros fatores, ao envelhecimento da população, às desigualdades regionais e às dificuldades de acesso à prevenção, ao diagnóstico precoce e ao tratamento.
Entre os homens brasileiros, os tipos mais incidentes são próstata, cólon e reto, pulmão, estômago e cavidade oral.
Entre as mulheres, predominam os cânceres de mama, cólon e reto, colo do útero, pulmão e tireoide.
Desigualdades influenciam os diagnósticos
O levantamento do Inca também evidencia diferenças na incidência dos tipos de câncer entre as regiões brasileiras.
Os tumores do colo do útero estão entre os mais incidentes no Norte e no Nordeste. Nessas mesmas regiões, o câncer de estômago apresenta maior incidência entre os homens.
Já os cânceres associados ao tabagismo, como os de pulmão e cavidade oral, são mais frequentes no Sul e no Sudeste.
Segundo o instituto, essas diferenças estão relacionadas a fatores socioeconômicos, ambientais e comportamentais, além das desigualdades no acesso aos serviços de saúde, ao rastreamento e ao tratamento.
Para Marcia Sarpa, coordenadora de Prevenção e Vigilância do Inca, as estimativas são fundamentais para orientar medidas de enfrentamento da doença.
“As estimativas, mais do que estatísticas, demonstram a importância de planejar e executar ações de prevenção, detecção precoce e acesso oportuno ao tratamento do câncer”, afirmou.
Prevenção pode reduzir casos e mortes
O Inca destaca que parte dos casos de câncer pode ser evitada por meio de medidas de prevenção e mudanças de hábitos. A vacinação contra o HPV, por exemplo, ajuda a prevenir o câncer do colo do útero.
O controle do tabagismo também é apontado como uma das medidas mais eficazes para reduzir o risco de diferentes tipos de tumor. O consumo de álcool, por sua vez, está associado a diversos cânceres, inclusive em pequenas quantidades, com risco ampliado quando combinado ao tabaco.
Manter uma alimentação saudável e praticar atividade física regularmente também contribuem para diminuir o risco de determinados tipos da doença.
Além da prevenção, o diagnóstico precoce é considerado essencial para aumentar as chances de sucesso do tratamento e reduzir a mortalidade.
Comparação de estimativas
O Inca ressalta que os números divulgados não devem ser comparados diretamente com os de edições anteriores para estabelecer tendências históricas.
Segundo o instituto, as diferenças entre os levantamentos podem decorrer de melhorias nas fontes de informação, redução de sub-registros e mudanças na metodologia de cálculo, e não necessariamente de um aumento ou diminuição real dos casos.
As estimativas são elaboradas a cada três anos pela Coordenação de Prevenção e Vigilância do Inca, com o objetivo de apoiar o planejamento e a vigilância em saúde.
O levantamento utiliza informações dos Registros de Câncer de Base Populacional e do Sistema de Informações sobre Mortalidade, além de modelos estatísticos alinhados às recomendações internacionais.
Para o Ministério da Saúde, os dados ajudam a dimensionar a estrutura necessária para atender à população, incluindo serviços, equipamentos e profissionais especializados.