A defesa do tenente-coronel da Polícia Militar Geraldo Leite Rosa Neto, de Taubaté, réu pelo feminicídio da esposa, a soldado Gisele Alves Santana, pediu à Justiça a revogação da prisão preventiva do oficial. O Ministério Público de São Paulo se manifestou contra a soltura nesta quarta-feira (7).
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O oficial está preso desde 18 de março, em razão da investigação sobre a morte de Gisele, ocorrida em 18 de fevereiro, em São Paulo. Ele foi preso no dia 18 de março, em São José dos Campos, onde tem um apartamento. Geraldo Neto responde ao processo e afirma, desde o início do caso, que a esposa teria cometido suicídio.
A defesa sustenta que não haveria mais risco de interferência do tenente-coronel na instrução processual e, por isso, pede que ele possa responder à ação em liberdade. A Promotoria, no entanto, considerou que o pedido não deve ser aceito.
MPSP é contra liberdade do coronel
A promotora Ingrid Maria Bertolino Braido afirmou que Geraldo Neto não apresentou “nenhuma circunstância fática e processual” capaz de justificar a revogação da prisão preventiva.
O Ministério Público também citou o interrogatório do oficial, realizado na segunda-feira (5). Segundo a Promotoria, Geraldo Neto admitiu ter tentado entrar em contato com Sheila Aparecida Magrini, policial militar e amiga de Gisele, por meio de três ou quatro ligações para o batalhão.
Para o MPSP, o episódio reforça o risco de que, caso seja colocado em liberdade, o réu possa influenciar testemunhas ou interferir na instrução do processo.
A Promotoria também avaliou que eventuais medidas cautelares alternativas à prisão seriam insuficientes. No documento, o órgão afirma ainda que Geraldo Neto “não demonstrou qualquer apreço pela vida humana”.
Família de Gisele também pede manutenção da prisão
A família da soldado também se manifestou pela manutenção da prisão preventiva. José Miguel da Silva Junior, advogado dos pais de Gisele e assistente de acusação, apresentou pedido para que o oficial permaneça preso.
O advogado cita a exposição de testemunhas protegidas e argumenta que a patente e os contatos acumulados pelo tenente-coronel poderiam ser utilizados para interferir no andamento do processo.
Morte da soldado Gisele
Gisele Alves Santana morreu após ser atingida por um tiro na cabeça, em 18 de fevereiro. Ela foi socorrida e encaminhada ao Hospital das Clínicas, mas não resistiu.
Geraldo Neto afirma que a esposa tirou a própria vida. Entretanto, laudos citados no caso apontaram vestígios considerados incompatíveis com a hipótese de suicídio.
Durante os depoimentos, o oficial também apresentou versões consideradas contraditórias sobre acontecimentos posteriores ao disparo, incluindo informações relacionadas a um banho, ao uso de sabonete e à possibilidade de ter feito a barba.
O tenente-coronel permanece preso no Presídio Militar Romão Gomes, na zona norte de São Paulo.
O caso ainda está em tramitação na Justiça, e o pedido de revogação da prisão preventiva será analisado pelo Judiciário.