O Santuário Frei Galvão em Guaratinguetá inaugurou o Cinerário São Francisco, espaço destinado à guarda das cinzas de fiéis, durante uma missa realizada em 3 de outubro.
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A cerimônia ocorreu na data em que a Igreja celebra os 800 anos da Páscoa de São Francisco de Assis e teve a bênção do espaço conduzida por dom Mário Antônio, arcebispo de Aparecida.
As primeiras urnas depositadas no cinerário foram as de Edson José Galvão, responsável pela doação do terreno onde o santuário foi construído, e de seu filho, André Galvão. O depósito foi realizado pelos familiares e marcou uma homenagem à família Galvão e à contribuição de Edson para a criação do local de fé.
O Santuário Frei Galvão, de tradição franciscana, foi escolhido como igreja jubilar durante o Ano Jubilar pelos 800 anos da morte de São Francisco, com concessão de indulgência plenária. Desde o início do ano, a comunidade também realiza, na primeira segunda-feira de cada mês, orações especiais pelos falecidos.
Segundo o reitor do santuário, Frei Diego Melo, o novo espaço representa uma extensão desse cuidado espiritual.
“Mais do que guardar as cinzas, oferecemos um lugar de oração constante, de visitação, protegido e digno”, disse.
O que a Igreja orienta sobre a cremação?
O termo cinerário vem do latim cinis, que significa cinza. Na tradição católica, o espaço está relacionado ao cuidado e ao respeito com o corpo dos mortos, considerado templo do Espírito Santo e destinado à ressurreição.
A Igreja recomenda o sepultamento, mas permite a cremação quando ela não é escolhida por motivos contrários à fé cristã. A orientação está prevista no Código de Direito Canônico e no Catecismo da Igreja Católica.
Em 2016, a Congregação para a Doutrina da Fé publicou a instrução Ad resurgendum cum Christo, aprovada pelo papa Francisco, estabelecendo orientações específicas para a conservação das cinzas. O documento recomenda que elas sejam mantidas em locais sagrados, como cemitérios, igrejas ou espaços destinados a essa finalidade pela autoridade eclesiástica.
A orientação busca preservar a memória dos mortos e manter a prática de oração pela pessoa falecida. Por esse motivo, a Igreja não recomenda que as cinzas sejam guardadas em residências, divididas entre familiares, espalhadas na natureza ou transformadas em objetos de recordação.
Para Frei Diego, o cinerário também reforça o significado da oração pelos mortos.
Vínculo com as famílias
A proximidade com a igreja é apontada pelo reitor como um dos diferenciais do Cinerário São Francisco. Segundo ele, a presença dos familiares em missas e outras celebrações pode manter mais próximo o vínculo com aqueles que morreram.
“Muitas vezes, a família visita o cemitério uma vez por ano. Na igreja, ela vem com frequência. Volta às missas, aos aniversários de falecimento, às datas especiais”, afirmou.
O espaço também pretende atender a uma demanda de devotos que desejam permanecer ligados ao santuário mesmo após a morte.
“Muitas pessoas já nos disseram: ‘A vida inteira eu rezei aqui. Eu ajudei a construir este santuário, meus pais ajudaram. Depois de morto, quero continuar fazendo parte dessa história’”, contou o reitor.
Frei Diego afirma ainda que o cinerário completa o ciclo de acolhimento oferecido pelo santuário, que acompanha os fiéis em diferentes momentos da vida.
“Aqui as pessoas vêm pedir a graça da maternidade. Muitas são batizadas aqui, são alimentadas pela Palavra de Deus ao longo da vida e são acolhidas nos momentos de dor e de enfermidade. E aqui também podem repousar perpetuamente.”
Cinerário São Francisco
O espaço já está disponível para famílias que desejam destinar as cinzas de parentes ao cinerário. A administração é feita pela Attua com Cristo, empresa especializada na gestão de columbários em igrejas.
A cremação deve ser providenciada pela própria família. Depois de receber a urna, os familiares agendam o depósito com o Santuário Frei Galvão. O procedimento é acompanhado por uma celebração religiosa no momento em que as cinzas são colocadas no espaço.
A proposta é oferecer um local permanente de memória, oração e acolhimento para os familiares, dentro de um espaço de fé ligado à história de Frei Galvão e à tradição franciscana.
