FEMINICÍDIO

Laudo aponta chumbo nas mãos de PM e de Larissa

Por Da Redação | São Paulo
| Tempo de leitura: 3 min
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Laudo aponta chumbo nas mãos de PM e de Larissa
Laudo aponta chumbo nas mãos de PM e de Larissa

Um laudo residuográfico realizado durante a investigação da morte de Larissa Morata, de 29 anos, encontrou resíduos de chumbo nas duas mãos da vítima e na mão esquerda do marido, o soldado da Polícia Militar Vinicius Silva, de 26 anos. O material também foi identificado nas duas mangas da blusa de moletom usada pelo policial.

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Larissa foi encontrada morta em 6 de setembro, dentro do banheiro do apartamento onde morava com o marido, em Embu das Artes, na Grande São Paulo. Ela foi atingida por um disparo na cabeça. A arma utilizada era um revólver particular calibre .357 pertencente ao policial.

Resíduo pode estar relacionado a disparo

De acordo com o exame, o chumbo identificado nas mãos da vítima, no policial e nas mangas da roupa pode estar entre os resíduos deixados após um disparo de arma de fogo.

Vinicius está preso preventivamente e responde por feminicídio. Ele nega ter matado a mulher e sustenta que Larissa teria tirado a própria vida após uma conversa na qual ele teria comunicado a intenção de terminar o relacionamento.

A defesa do policial também nega que ele tenha praticado violência contra a esposa.

Outros exames ainda são aguardados

A Polícia Civil ainda aguarda o resultado da perícia realizada no local onde Larissa foi encontrada. O exame deverá ajudar a esclarecer a dinâmica da morte e complementar os elementos reunidos no inquérito.

Outro laudo apontou que o disparo que matou Larissa teve trajetória de trás para frente e da esquerda para a direita. A vítima era destra.

O laudo necroscópico também registrou pelo menos 19 lesões no corpo da mulher, entre equimoses e escoriações. Os ferimentos foram identificados em regiões como pálpebras, mãos, pés, joelhos, perna e quadril.

Policial apresentou versão de suicídio

Segundo o boletim de ocorrência, Vinicius afirmou que havia conversado com Larissa sobre o fim do relacionamento antes de dormir. Ele relatou que acordou após ouvir um disparo e encontrou a mulher caída no banheiro, ao lado do revólver.

Para o Ministério Público, porém, os resultados dos exames periciais são incompatíveis com a versão de suicídio apresentada pelo policial.

Vinicius foi preso no dia seguinte à morte, enquanto Larissa era velada. Em setembro, o Ministério Público denunciou o PM por feminicídio. A Justiça de São Paulo recebeu a denúncia e o tornou réu. A prisão temporária também foi convertida em preventiva.

O processo tramita sob segredo de Justiça.

Família relatou ciúmes e ameaças

Familiares de Larissa relataram à polícia episódios de ciúmes excessivos, comportamento possessivo, agressões e ameaças que teriam sido praticados pelo policial.

A família também levantou a possibilidade de uma motivação patrimonial. Larissa havia recebido imóveis como herança, e os familiares apontaram que os bens poderiam ser destinados ao marido em caso de sua morte. Essa hipótese também deverá ser analisada durante a investigação.

Larissa era técnica em radiologia e deixou um filho de 2 anos, fruto do relacionamento com Vinicius. A criança estava no apartamento no momento em que a mãe morreu.

As conclusões sobre a dinâmica do caso ainda dependem dos demais exames periciais e do andamento do processo judicial.

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