DE OLHO NAS URNAS

Lacrou, ganhou: o voto TikTok nas eleições de 2026

Por Glauce Leite | São José dos Campos
| Tempo de leitura: 1 min
Professora e escritora
Ilustração criada com ajuda de IA

A eleição de algumas novas deputadas e deputados em São Paulo mostrou isso, e digo que ocorreu nos dois campos extremos. A esquerda só não elegeu mais porque ainda insiste em argumentar logicamente com dados, fotos e áudios. Quanta perda de tempo... Três segundos é o tempo que um candidato tem para chamar a atenção do público jovem, que, de acordo com o TSE, soma 1,6 milhão de novos eleitores entre 16 e 17 anos que foram às urnas ontem.

Essa galerinha do Brawl Stars rola o feed do TikTok e do Instagram mais rápido do que eu e você juntos, e muitos candidatos já sacaram isso e trataram rapidinho de seduzir a moçada com seus cortes. Movimentos como red pill, incel e outros, que encantam com a exibição de roupas camufladas, armas e cortes de cabelo para os meninos héteros, e saias rodadas, terninhos e maquiagens para as meninas, são o combo perfeito para esses jovens com pretensões à vida pública cativarem seus eleitores.

Existe também o outro público, que busca a eterna salvação e remissão de seus pecados no divino, já que na terra não serão recompensados porque pecam demais — outra presa fácil a quem os mais espertos também distribuíram seus números de urna rapidinho. Sei que parece uma reflexão ressentida e até amargurada, mas venham comigo nesse pensamento.

Quem, afinal de contas, se indignou com as longas reportagens sobre corrupção e orgias sexuais e os últimos acontecimentos envolvendo o candidato que terminou à frente nas eleições no último domingo? Quem teve paciência para ouvir uma síntese jornalística? O TikTok e o Instagram entregaram muito mais entretenimento do que aquela chatice toda. E muita gente ainda não entendeu isso...

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