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Cesta básica no Vale tem maior alta em quatro anos, diz Nupes

Por Da redação | Taubaté
| Tempo de leitura: 4 min
Agência Brasil

Após duas quedas consecutivas, o custo da cesta básica familiar voltou a subir no Vale do Paraíba em setembro e registrou a maior alta mensal em quatro anos. 

Segundo levantamento do Nupes (Núcleo de Pesquisas Econômico-Sociais) da Unitau (Universidade de Taubaté), o valor médio passou de R$ 2.884,15 em agosto para R$ 2.947,02 no mês passado, aumento de 2,18%, equivalente a R$ 62,87.

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É a maior alta mensal desde julho de 2022, quando o avanço havia sido de 2,36%. O resultado interrompe uma sequência de dois meses de queda: a cesta havia recuado 2,53% em julho e 1,05% em agosto.

Do total do aumento registrado em setembro, R$ 62,44, ou 99,3%, vieram do grupo alimentação. A pesquisa acompanha 44 produtos de alimentação, higiene pessoal e limpeza doméstica destinados a uma família de cinco pessoas.

Chuvas pressionam preços dos alimentos

De acordo com a análise do Nupes, as condições climáticas ajudaram a pressionar os preços dos alimentos em setembro. O excesso de chuvas, episódios de granizo no interior de São Paulo e a passagem de um ciclone extratropical pela região Sul prejudicaram colheitas e provocaram perdas na produção de hortaliças.

Outro fator foi a recomposição dos preços de produtos que haviam registrado quedas expressivas nos meses anteriores. Abobrinha, batata inglesa e tomate voltaram a subir diante da redução da oferta.

A abobrinha teve a maior alta entre os produtos pesquisados, com avanço de 56,06%. Na sequência aparecem a batata inglesa, com 47,04%, e o tomate, com 45,34%.

Em São José dos Campos, a abobrinha chegou a apresentar alta de 99,91%. Segundo o Nupes, as chuvas intermitentes e o granizo atingiram lavouras e reduziram a oferta do produto, que é particularmente sensível ao excesso de umidade.

A batata inglesa também voltou a subir após quedas de 23,17% em julho e 29,35% em agosto. O tomate, por sua vez, teve redução de 30,75% em julho antes de registrar alta de 45,34% em setembro. O comportamento foi influenciado pela desaceleração da colheita da safra de inverno e pelas chuvas, que retardaram o amadurecimento dos frutos.

Entre os produtos que ficaram mais baratos em setembro estão a laranja pera (-7,13%), a banana nanica (-7%) e a cenoura (-6,90%).

Taubaté tem maior alta, mas cesta mais barata

Os quatro municípios pesquisados pelo NUPES registraram aumento no custo da cesta básica em setembro.

Taubaté teve a maior alta, de 3,60%. O valor passou de R$ 2.764,98 para R$ 2.864,62. Mesmo com o avanço, o município continua com a cesta mais barata entre as quatro cidades pesquisadas.

Em Caçapava, a alta foi de 2,96%, levando o custo a R$ 2.889,98. Em São José dos Campos, o aumento foi de 2,07%, para R$ 2.898,12.

Campos do Jordão apresentou a menor variação, de 0,32%, mas permanece com a cesta mais cara da região, a R$ 3.135,36.

A diferença entre a cesta mais cara e a mais barata ficou em R$ 270,74, ou 9,45%. Em agosto, a distância entre os dois valores era de 13,03%.

Cesta compromete mais de um terço da renda

A alta de setembro também aumentou o peso da cesta básica no orçamento familiar. O Nupes considera uma família de cinco pessoas com renda equivalente a cinco salários mínimos, de R$ 8.105 em setembro.

Na média do Vale do Paraíba, a parcela da renda comprometida com a cesta passou de 35,58% em agosto para 36,36% em setembro.

Com isso, o valor restante para despesas como saúde, educação, transporte e outros gastos familiares caiu de R$ 5.220,85 para R$ 5.157,98.

Campos do Jordão apresentou o maior comprometimento da renda, de 38,68%. Taubaté teve o menor percentual, de 35,34%.

Apesar da alta registrada em setembro, o valor médio da cesta ainda está abaixo do patamar observado em junho.

No acumulado de 12 meses, entre setembro de 2025 e setembro de 2026, a cesta teve aumento de 3,76%, equivalente a R$ 106,79. No mesmo período, o IPCA-15 registrou variação de 4,22%.

O levantamento do Nupes aponta ainda que o grupo alimentação subiu 2,41% em setembro e representa 90,13% do valor total da cesta. Os grupos de higiene pessoal (+0,11%) e limpeza doméstica (+0,19%) tiveram variações próximas da estabilidade.

Realizada desde setembro de 1996, a pesquisa do NUPES acompanha mensalmente os preços em 16 supermercados de Taubaté, São José dos Campos, Caçapava e Campos do Jordão. Em 2026, o levantamento completa 30 anos.

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