A Polícia Federal abriu um inquérito para investigar a distribuição e o uso de broches equipados com dispositivos eletrônicos durante a votação em Cabo Frio, no Rio de Janeiro. A suspeita é de que os equipamentos pudessem ser utilizados para registrar imagens do voto na urna eletrônica, o que é proibido pela legislação eleitoral.
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Segundo a PF, os objetos tinham aparência de broches convencionais. Na parte da frente, havia o número de um candidato, enquanto a parte traseira era coberta por um adesivo que escondia uma câmera acompanhada de bateria.
O material foi encontrado com um homem, que também teve o celular apreendido. Conduzido para prestar esclarecimentos, ele optou por permanecer em silêncio. Os equipamentos e o telefone serão encaminhados para perícia criminal, que deverá verificar o funcionamento dos dispositivos e contribuir para o avanço da investigação.
Proibição
A legislação eleitoral impede que o eleitor leve para a cabine de votação celular, câmera fotográfica, filmadora, óculos inteligentes ou qualquer outro equipamento eletrônico capaz de registrar imagens do voto.
A regra está prevista na Lei das Eleições e em resolução do TSE (Tribunal Superior Eleitoral). A medida tem como objetivo preservar o sigilo do voto e impedir que eleitores sejam obrigados ou incentivados a comprovar em quem votaram.
De acordo com o balanço mais recente divulgado pela PF, até as 15h10 deste domingo (4) foram instaurados seis inquéritos policiais e registrados 18 termos circunstanciados de ocorrência relacionados à apuração de possíveis crimes eleitorais.
As ocorrências foram registradas em 21 unidades da Federação, incluindo Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais, Bahia, Pernambuco, Espírito Santo, Alagoas, Sergipe, Roraima, Acre, Rondônia, Amapá, Maranhão, Amazonas, Mato Grosso, Rio Grande do Sul, Paraíba, Pará, Santa Catarina, Piauí e Distrito Federal.
Até aquele horário, 129 pessoas haviam sido conduzidas para prestar esclarecimentos. As ações também resultaram na apreensão de aproximadamente R$ 789,8 mil em bens e valores, sendo R$ 383,6 mil em dinheiro.
Entre as principais ocorrências investigadas estão casos de propaganda eleitoral irregular e corrupção eleitoral, incluindo suspeitas de compra de votos.
A investigação sobre os broches em Cabo Frio deverá avançar após a análise do material apreendido pela perícia da Polícia Federal.