BANCO MASTER

Preso no Vale, cunhado diz: Vorcaro guardou R$ 20 bi no exterior

Por Da redação | Potim
| Tempo de leitura: 3 min
Reprodução
Vorcaro e o cunhado
Vorcaro e o cunhado

O ex-banqueiro Daniel Vorcaro teria mantido R$ 20 bilhões no exterior e não conseguia acessar os recursos diante do avanço das investigações sobre o Banco Master, segundo relato feito pelo cunhado dele, Fabiano Zettel, em uma conversa gravada. Zettel está preso no Vale do Paraíba.

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As informações foram divulgadas pela revista piauí, que obteve uma série de áudios e conversas de WhatsApp entre Zettel e uma mulher com quem ele manteve um relacionamento extraconjugal.

A afirmação foi feita em 2 de dezembro de 2025, após a liquidação do Banco Master pelo Banco Central e depois da primeira prisão de Vorcaro. No diálogo, Zettel descreve a situação financeira do ex-banqueiro e afirma que ele não conseguia movimentar o dinheiro que estaria fora do país.

“Ele guardou 20 bi no exterior e não consegue ir lá, não consegue gastar, não consegue pegar”, disse Zettel, segundo a gravação divulgada pela piauí.

O valor de R$ 20 bilhões, porém, é uma informação atribuída a Zettel. Não se trata, até o momento, de cifra apresentada publicamente pela Polícia Federal ou pelo Banco Central como confirmação de recursos de Vorcaro no exterior.

Cunhado de Vorcaro está preso em Potim

Fabiano Zettel é cunhado de Daniel Vorcaro e apontado nas investigações como operador financeiro ligado ao ex-dono do Banco Master. Ele foi preso pela Polícia Federal em março de 2026 e continua na Penitenciária 2 de Potim, no Vale do Paraíba.

Vorcaro e Zettel foram transferidos para a unidade de Potim em 5 de março, um dia depois da prisão do ex-banqueiro em São Paulo. Os dois ficaram inicialmente em uma cela de observação, seguindo o procedimento adotado para novos presos.

A permanência de Vorcaro no Vale, no entanto, durou apenas um dia. Em 6 de março, ele deixou Potim e foi levado para Brasília, após decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, que autorizou a transferência para uma unidade federal.

Zettel permaneceu em Potim e segue em prisão preventiva.

Gravações revelam bastidores do Master

As conversas obtidas pela piauí abrangem o período entre o início de 2023 e a prisão de Zettel. Além da situação financeira de Vorcaro, os diálogos mostram a atuação do cunhado em operações do grupo e na realização de pagamentos e outras demandas relacionadas ao ex-banqueiro.

Em outro trecho, Zettel afirma que Vorcaro estava sem dinheiro disponível e enfrentava dificuldades para pagar despesas, inclusive relacionadas à defesa jurídica.

Segundo o relato, o problema não seria necessariamente a inexistência de patrimônio, mas a impossibilidade de acessar recursos que estariam mantidos fora do Brasil. É nesse contexto que surge a referência aos R$ 20 bilhões.

A conversa ocorreu semanas depois de o Banco Central decretar a liquidação do Banco Master, em novembro de 2025, e após Vorcaro ter deixado a prisão sob medidas cautelares.

Zettel recebeu R$ 485 milhões de empresa investigada

O nome de Fabiano Zettel já havia aparecido em outras frentes da investigação. Em março, a Folha de S.Paulo informou que o empresário recebeu R$ 485 milhões da Super Empreendimentos, empresa investigada pela Polícia Federal no caso Master.

Segundo os dados obtidos pelo jornal, os repasses ocorreram entre julho de 2022 e janeiro de 2026. Apenas em 2025, foram 264 transferências, que somaram R$ 160 milhões.

A empresa é investigada sob suspeita de ter sido utilizada como canal de pagamentos ligados ao grupo de Vorcaro.

Caso Master

O Banco Master tornou-se alvo de uma ampla investigação da Polícia Federal, que apura operações financeiras e relações mantidas pelo grupo empresarial com pessoas de diferentes setores.

As novas gravações divulgadas pela piauí também trazem relatos de Zettel sobre a atuação de Vorcaro durante a crise do banco e sobre sua rede de contatos.

O conteúdo das conversas é analisado no contexto das investigações em andamento. As declarações feitas por Zettel nas gravações não equivalem, por si só, à comprovação dos fatos relatados.

A defesa de Vorcaro e a de Zettel devem ser consideradas nas informações sobre as acusações e suspeitas relacionadas ao caso.

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