ANDRÉ AQUINO

O crescimento das cafeterias especiais no vale

Por André Aquino | Chef de cozinha
| Tempo de leitura: 6 min
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O crescimento das cafeterias especiais no vale
O crescimento das cafeterias especiais no vale

Durante muito tempo, pedir um café significava simplesmente escolher entre um café passado, um expresso ou, para quem queria algo diferente, um cappuccino.

Hoje, a história é outra.

A xícara de café deixou de ser apenas o acompanhamento do pão de queijo ou do bolo e passou a ocupar o centro da experiência. Origem do grão, região produtora, altitude, torra, moagem e método de preparo passaram a fazer parte do vocabulário de um número cada vez maior de consumidores.

Essa transformação também chegou ao Vale do Paraíba.

Nos últimos anos, São José dos Campos, Taubaté e cidades da Serra da Mantiqueira passaram a reunir cafeterias que trabalham com cafés especiais, diferentes métodos de extração e uma proposta que vai muito além de simplesmente servir uma bebida quente.

Um dos exemplos mais conhecidos em São José dos Campos é a Fika Cafés Especiais, que iniciou suas atividades em 2016. A casa está localizada na Avenida Nove de Julho, 70, no Jardim Apolo, e trabalha com diferentes métodos de preparo e uma proposta voltada ao universo dos cafés especiais.

A trajetória da Fika é interessante porque mostra que existe espaço para um negócio especializado em café em uma cidade que, até poucos anos atrás, tinha poucas opções desse tipo.

Outro exemplo da transformação é a Cafetto Company, no bairro Royal Park. Localizada na Rua Carlos Maria Auricchio, 45, a cafeteria combina cafés especiais com uma proposta gastronômica inclusiva. A casa trabalha com diferentes grãos, torras e métodos de extração e também atua com torrefação.

Segundo informações divulgadas pela própria empresa e por guias especializados, a Cafetto foi reconhecida em 2024 entre as 20 melhores torrefações do Brasil em um concurso nacional.

Em Taubaté, o movimento também pode ser percebido em diferentes endereços.

O Brazero Café, na Rua Quatro de Março, 480, no Centro, é um dos estabelecimentos que ajudam a compor essa nova cena de cafeterias da cidade.

Na mesma região está o Café Chicão, na Rua Jacques Félix, 470, também no Centro, uma casa que mantém uma forte relação com a cultura do café e se tornou conhecida entre os frequentadores da região.

Há ainda estabelecimentos mais recentes, como o The Best Coffee, na Rua Padre Fischer, 1795, no Parque São Luís, mostrando que o consumo de café fora de casa deixou de estar concentrado apenas nas regiões mais tradicionais ou nos grandes centros comerciais.

Mas talvez seja na Serra da Mantiqueira que a história do café ganhe uma dimensão ainda mais interessante.

Ali, o café não é apenas uma bebida. É também território, agricultura, altitude, clima, produtor rural e identidade.

Em Santo Antônio do Pinhal, por exemplo, o Café Atelier Jardins de Barro, localizado na Estrada do Pico Agudo, km 2,3, no bairro Sertãozinho, une a experiência de cafeteria ao cenário da Mantiqueira.

Em Campos do Jordão, a oferta de cafeterias é ainda mais ampla. Um dos exemplos é o Um Pé de Café, na Avenida Dr. Januário Miraglia, 2030, loja 1, em Abernéssia.

Outra opção é o Preto & Forte Cafeteria, na Avenida Frei Orestes Girardi, em Jaguaribe.

Também estão na cidade casas como a Sempre Café, na Rua Monsenhor José Vita, 48, loja 1, em Abernéssia, e a Casa Albuquerque Café e Empório, na Avenida Dr. Januário Miraglia, 2800, no Jaguaribe.

São estabelecimentos que ajudam a mostrar como o café passou a fazer parte da própria experiência turística da Mantiqueira.
E existe uma razão para isso.

A região está próxima de importantes áreas produtoras de café e possui uma relação histórica com a produção agrícola. A Serra da Mantiqueira, inclusive, abriga produtores que trabalham com cafés especiais e lotes de características sensoriais muito diferentes.

Um exemplo é o trabalho do Sô Antônio Cafés Especiais, cuja história está ligada à produção de café desde 1952. A propriedade está localizada em Pedralva, na Mantiqueira de Minas, e trabalha com produção, seleção e comercialização de cafés especiais.

Outro exemplo é o Café Vale do Tajá, em Águas da Prata, na região da Mantiqueira. A propriedade informa trabalhar com café especial cultivado entre 950 e 1.150 metros de altitude, em solo de origem vulcânica.

Essa proximidade entre produção e consumo cria uma oportunidade interessante para a gastronomia regional.

O consumidor que entra em uma cafeteria especializada não está necessariamente interessado apenas em tomar café.
Ele pode querer saber de onde veio aquele grão.

Pode querer experimentar um método diferente.

Pode descobrir que um café produzido em determinada altitude apresenta notas que lembram frutas, chocolate, caramelo ou castanhas.

Pode começar a perceber que café não é simplesmente "forte" ou "fraco".

Existe uma mudança cultural acontecendo.

O café está deixando de ser tratado apenas como commodity e começa a ser percebido também como produto gastronômico.

É um movimento parecido com o que aconteceu anteriormente com o vinho, a cerveja artesanal, os queijos e, mais recentemente, com o chocolate.

E isso abre espaço para uma nova geração de consumidores.

Não significa que o tradicional cafezinho coado perdeu seu espaço. Pelo contrário.

Ele continua sendo parte fundamental da cultura brasileira.

A diferença é que agora existe também um consumidor interessado em saber o que está dentro da xícara.

Quer saber qual é o grão.

Quer conhecer a origem.

Quer experimentar.

Quer comparar.

Quer conversar sobre café.

E as cafeterias perceberam essa mudança.

Por isso, muitas delas deixaram de ser simplesmente lugares para "tomar um café" e passaram a trabalhar com experiência.

O ambiente ganhou importância.

A apresentação ganhou importância.

Os métodos de preparo ganharam importância.

A confeitaria passou a acompanhar o café com mais cuidado.

E o próprio barista passou a ocupar uma posição mais próxima daquela de um profissional da gastronomia.

No Vale do Paraíba, esse movimento ainda está em construção.

Talvez justamente por isso seja tão interessante acompanhá-lo.

São José dos Campos tem uma cena crescente de cafeterias especializadas. Taubaté começa a apresentar novas opções. E a Serra da Mantiqueira possui uma vantagem natural: além de consumir café, produz café.

Existe, portanto, a possibilidade de aproximar ainda mais produtor, torrefador, barista e consumidor.

Do campo para a torrefação.

Da torrefação para a cafeteria.

Da cafeteria para a xícara.

É uma cadeia que pode gerar negócios, turismo e, principalmente, identidade gastronômica.

Talvez daqui a alguns anos seja tão natural escolher um café pela sua origem e método de preparo quanto hoje escolhemos um vinho pela região ou uma cerveja pelo estilo.

E, quando isso acontecer, o Vale e a Mantiqueira terão algo muito importante a oferecer.

Não apenas cafeterias.

Mas uma história própria para contar através de uma xícara.

ONDE ENCONTRAR

São José dos Campos

Fika Cafés Especiais
Avenida Nove de Julho, 70 – Jardim Apolo

Cafetto Company
Rua Carlos Maria Auricchio, 45 – Royal Park

Origem Cultural
Rua Jorge Barbosa Moreira, 58 – Vila Ema

Taubaté

Brazero Café
Rua Quatro de Março, 480 – Centro

Café Chicão
Rua Jacques Félix, 470 – Centro

The Best Coffee
Rua Padre Fischer, 1795 – Parque São Luís

Campos do Jordão

Um Pé de Café
Avenida Dr. Januário Miraglia, 2030 – Loja 1 – Abernéssia

Preto & Forte Cafeteria
Avenida Frei Orestes Girardi – Jaguaribe

Sempre Café
Rua Monsenhor José Vita, 48 – Loja 1 – Abernéssia

Casa Albuquerque Café e Empório
Avenida Dr. Januário Miraglia, 2800 – Jaguaribe

Santo Antônio do Pinhal

Café Atelier Jardins de Barro
Estrada do Pico Agudo, km 2,3 – Sertãozinho

 

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