CRIME

Morta aos 22 anos, aluna de Direito era suspeita de estelionato

Por Da Redação | Fortaleza (CE)
| Tempo de leitura: 4 min
Reprodução
Isabelle Caracristi, de 22 anos
Isabelle Caracristi, de 22 anos

A estudante de Direito Isabelle Caracristi, de 22 anos, encontrada morta após cair do terraço de um prédio, era alvo de um registro de ocorrência por estelionato e de uma ação cível relacionada a transferências de dinheiro feitas após uma relação iniciada pela internet.

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Em Fortaleza (CE), a morte da jovem é investigada pela Polícia Civil. Os procedimentos no Rio Grande do Sul tiveram origem no relato de uma mulher de Santa Maria, na Região Central, que afirmou ter conhecido Isabelle pelo TikTok e, posteriormente, ter feito transferências e emprestado dinheiro a ela sem receber os valores de volta.

Mulher registrou ocorrência por suposto estelionato

O registro policial foi feito em fevereiro de 2025 e classificou o fato como estelionato. Segundo o relato apresentado à polícia, as duas se conheceram pelo TikTok e passaram a conversar pelo WhatsApp.

A mulher afirmou que, em agosto de 2024, Isabelle teria apresentado uma proposta de investimento baseada em um suposto jogo. Conforme o relato, um depósito de R$ 200 daria direito a um retorno de R$ 800.

No dia seguinte, segundo a comunicante, Isabelle teria solicitado mais R$ 200, com a promessa de que o valor retornaria como R$ 1 mil.

A mulher disse ter feito as duas transferências, mas afirmou que não recebeu os valores prometidos. Depois de começar a cobrar explicações, teria recebido justificativas relacionadas a dificuldades para retirar o dinheiro.

Ainda segundo o registro, ela posteriormente emprestou R$ 180 a Isabelle. O dinheiro também não teria sido devolvido.

Após novas cobranças, a mulher afirmou que foi bloqueada nas redes sociais. O caso passou a ser investigado pela Polícia Civil, mas não há informação no material sobre a conclusão do procedimento.

Ação judicial foi apresentada em 2025

Além do registro policial, a mulher ingressou com uma ação cível para cobrar os valores e pedir reparação pelos prejuízos.

Segundo a advogada Paolla Pietro, que representa a autora da ação, o processo foi protocolado em junho de 2025. A defesa da mulher afirma que a relação entre as duas começou em julho de 2024, também por meio do TikTok.

Conforme a advogada, inicialmente houve uma relação de amizade entre as duas antes da proposta de investimento. A ação teria sido apresentada depois que as tentativas de recuperar os valores não tiveram resultado.

Paolla classificou o processo como uma ação de reparação de danos e afirmou que Isabelle ainda não havia sido formalmente citada antes de morrer. Dessa forma, segundo a advogada, não havia confirmação de que a estudante tivesse tomado conhecimento oficial da ação judicial.

O processo tramita em segredo de Justiça, segundo a advogada, que não informou detalhes sobre o andamento.

Morte de Isabelle é investigada no Ceará

Isabelle foi encontrada morta em 13 de setembro, após cair do terraço do prédio onde morava. A perícia apontou inicialmente que os elementos analisados indicavam uma precipitação voluntária.

O namorado da estudante, João Munhoz Neto, foi preso preventivamente e é investigado pelas circunstâncias da morte e pela relação mantida com Isabelle. A defesa dele nega qualquer envolvimento na morte da jovem.

O caso ganhou repercussão após a mãe de Isabelle, Isorlanda, publicar um vídeo cobrando esclarecimentos sobre a morte da filha.

Segundo o relato da mãe, o último contato com Isabelle ocorreu por meio de duas mensagens enviadas no início da noite de um domingo. Em uma delas, a estudante pediu que a mãe verificasse uma comida que havia deixado na air fryer. Na outra, escreveu: “Mãe, eu te amo”.

Isorlanda afirmou que não recebeu mais respostas e inicialmente acreditou que a filha estivesse dormindo.

Na manhã seguinte, diante do silêncio, a mãe tentou entrar em contato com Isabelle e também procurou João. Segundo ela, descobriu que havia sido bloqueada nas redes sociais pelo namorado da filha.

A mãe relatou que só soube da morte quando foi ao condomínio acompanhada do filho e irmão de Isabelle. No local, a síndica informou que a estudante havia morrido na noite anterior.

A investigação da Polícia Civil do Ceará continua para esclarecer as circunstâncias da morte. Os procedimentos existentes no Rio Grande do Sul são relacionados a fatos anteriores e distintos, envolvendo as acusações apresentadas pela mulher que moveu a ação cível.

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