OPINIÃO

Golpes digitais: quando a pressa vira melhor aliada do criminosos

Por Carolina Veneziani | Advogada especialista em Direito Digital
| Tempo de leitura: 4 min
Pixabay
Golpes digitais: quando a pressa vira melhor aliada do criminosos
Golpes digitais: quando a pressa vira melhor aliada do criminosos

Os golpes digitais deixaram de ser um problema distante. Eles chegam pelo WhatsApp, por ligações telefônicas, SMS, redes sociais e sites de compras e estão cada vez mais convincentes.

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Um relatório da GASA (Global Anti-Scam Alliance), divulgado em agosto de 2026, estima que o Brasil tenha sido alvo de cerca de 34 bilhões de tentativas de golpes digitais entre março de 2025 e fevereiro de 2026. Nesse período, 16,5 milhões de brasileiros teriam perdido dinheiro, com prejuízo estimado em R$ 21,2 bilhões.

Quando se fala em golpe virtual, muita gente imagina um hacker invadindo um sistema bancário. Na prática, porém, muitos criminosos não precisam invadir nada. Eles convencem a própria vítima a entregar uma informação, clicar em um link, instalar um aplicativo ou fazer uma transferência.

E existe um padrão comum: urgência, autoridade e pressão. Frases como “seu cartão foi usado”, “precisamos confirmar sua conta”, “estou com outro número, faça um Pix para mim”, são comuns quando se tratam desses golpes.

Quanto maior a pressão para tomar uma decisão imediatamente, maior deve ser a desconfiança.

Os golpes mais comuns

Entre os golpes bancários mais relatados pelos brasileiros estão a clonagem ou troca de cartões, o golpe do WhatsApp, a falsa central bancária, as fraudes envolvendo Pix e as falsas lojas virtuais.

Na falsa central bancária, o criminoso liga se passando por funcionário do banco e informa uma suposta compra ou movimentação suspeita. A partir daí, tenta convencer a vítima a fornecer dados, códigos ou realizar algum procedimento para “cancelar” a operação. Uma regra simples ajuda: encerre a ligação e procure o banco pelos canais oficiais. Não forneça senhas ou códigos recebidos por SMS e não instale aplicativos indicados durante uma ligação inesperada.

Outro golpe muito comum é o WhatsApp falso. Em alguns casos, o criminoso tenta assumir a conta da vítima solicitando o código de verificação. Em outros, simplesmente cria outro número usando a foto de uma pessoa conhecida e começa a pedir dinheiro aos familiares. A recomendação é ativar a verificação em duas etapas e nunca compartilhar o código de registro recebido por SMS ou ligação. O próprio WhatsApp informa que esse código não deve ser compartilhado com terceiros.

Também merece atenção o golpe envolvendo compras pela internet. Sites falsos, perfis clonados e promoções muito abaixo do preço de mercado são algumas das estratégias utilizadas para fazer a vítima pagar por um produto que nunca será entregue. A Febraban (Federação Brasileira de Bancos) apontou as falsas vendas como uma das principais abordagens comunicadas por clientes aos bancos em 2025. Antes de comprar, vale pesquisar a reputação da empresa, conferir os dados do estabelecimento e, principalmente, acessar o site oficial diretamente, em vez de clicar em links recebidos por mensagem.

O Pix também aparece em diferentes modalidades de fraude. Há o falso pedido de dinheiro, o comprovante falsificado e situações em que o criminoso tenta convencer a vítima a devolver uma quantia para outra conta. Por isso, uma regra é especialmente importante para quem vende produtos ou serviços: não confie apenas no comprovante enviado pelo comprador. Confira se o valor realmente entrou na sua conta.

Outro golpe que merece atenção é o do falso advogado. O criminoso pode utilizar nome, fotografia, número da OAB e até informações verdadeiras sobre um processo para convencer a vítima de que existe um valor a receber. Depois, surge a cobrança de uma suposta taxa para liberar o dinheiro. Nesse tipo de situação, a melhor proteção é confirmar a informação diretamente com o profissional ou escritório, utilizando um contato que você já possuía ou obtido por uma fonte oficial.

E se eu cair em um golpe?

A primeira orientação é: não espere para agir. Se houve uma transferência via Pix, entre imediatamente em contato com o banco e informe a fraude. O Banco Central mantém o MED (Mecanismo Especial de Devolução), que pode ser utilizado em casos de fraude, e orienta que a vítima faça a solicitação o quanto antes. O pedido pode ser feito em até 80 dias após a transação, mas a rapidez aumenta as chances de recuperação dos valores.

Também é importante guardar prints das conversas, números de telefone, comprovantes, e-mails e links envolvidos na fraude. Essas informações podem ser importantes para a investigação e para eventuais providências posteriores. Outro passo importante é registrar um boletim de ocorrência e, se suas contas ou dispositivos tiverem sido comprometidos, trocar senhas e revisar os acessos.
No ambiente digital, alguns segundos para parar, respirar e confirmar uma informação podem evitar horas, meses ou até anos de prejuízo.

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