OPINIÃO

Antes de começar


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O que é preciso para começar? Costumamos olhar para alguns fatores que dizem respeito aos primeiros passos a serem dados, quando talvez a primeira coisa a fazer não seja caminhar, mas parar e se perguntar: estou preparado para sustentar essa escolha quando a empolgação passar e os imprevistos surgirem?  

Jesus contou a história de um homem que decidiu construir uma torre. Antes de começar, ele deveria calcular os gastos para saber se teria condições de terminar. Em seguida, Jesus falou de um rei que, antes de entrar em uma guerra, avaliava se tinha condições de enfrentar o outro exército. 

As situações são diferentes, mas trazem uma mesma lição: algumas decisões precisam de mais do que vontade. Precisam de consciência, responsabilidade e disposição para permanecer. 

Vivemos em uma época em que se busca o novo: o novo emprego, o novo projeto, o novo relacionamento, a próxima viagem, a próxima conquista. Queremos sempre ter algo novo para apresentar. Há uma valorização constante do recomeço, da mudança e da novidade.

E começar realmente pode ser muito bom. O início traz entusiasmo, expectativa e a sensação de que estamos diante de uma possibilidade. Sentimo-nos desafiados e vivos. O problema é quando confundimos entusiasmo com preparo.

Nem tudo aquilo que desejamos iniciar será simples de sustentar. Depois do primeiro passo, chegam a rotina, o cansaço, as dificuldades, os imprevistos e, muitas vezes, a necessidade de fazer escolhas que não estavam no plano inicial.

Por isso, antes de algumas decisões, talvez precisemos diminuir o ritmo e fazer perguntas que nem sempre queremos responder: 

• O que essa escolha irá exigir de mim?

• Estou disposto a pagar o preço?

• Tenho disposição para permanecer quando ficar difícil?

• Estou tomando essa decisão porque realmente quero ou apenas porque estou empolgado?

• O que precisarei deixar de lado para sustentar essa escolha?

Essas perguntas não têm o objetivo de nos impedir de começar. Pelo contrário. Elas podem nos ajudar a começar melhor, com mais consciência sobre aquilo que estamos assumindo.

Conhecer, planejar e se preparar não eliminam os imprevistos. Nenhum planejamento é capaz de prever tudo o que encontraremos pelo caminho. Mas estar consciente do custo de uma escolha nos permite lidar melhor com aquilo que não estava previsto.

Talvez essa seja uma das maiores responsabilidades da vida adulta: entender que toda escolha carrega consequências, renúncias e responsabilidades. Não podemos controlar tudo o que acontecerá depois de uma decisão, mas podemos assumir a responsabilidade por aquilo que decidimos fazer.

Começar é importante. Mas saber por que estamos começando, o que estamos dispostos a enfrentar e até onde podemos sustentar essa decisão é ainda mais importante.

Jesus não estava apenas ensinando sobre construir uma torre ou entrar em uma guerra. Ele estava falando sobre escolhas conscientes e sobre o custo de assumir uma decisão.

Talvez, antes de perguntar “quando vou começar?”, precisemos aprender a perguntar: “estou preparado para sustentar aquilo que estou prestes a assumir?”

Há escolhas que nos pedem coragem para dar o primeiro passo e outras que nos pedem coragem para continuar. Em ambas, maturidade é não se deixar conduzir apenas pelo impulso do momento, mas reconhecer o que está por trás da decisão e assumir, com responsabilidade, o caminho escolhido.

Calcule antes de começar.

 

 

 

Paula Passos é pedagoga, pós-graduada em Educação Parental e MBA em Psicologia

Organizacional e Gestão de Pessoas (em andamento).

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