MORTO POR BOMBEIRO

Veja o que já se sabe sobre a morte do estudante Bruno em Taubaté

Por Da redação | Taubaté
| Tempo de leitura: 6 min
Reprodução
Estudante de medicina Bruno Hashimura morrwu após ser baleado
Estudante de medicina Bruno Hashimura morrwu após ser baleado

A morte do estudante de medicina Bruno Hashimura San Juliano, de 23 anos, após uma discussão de trânsito em Taubaté, é investigada pela Polícia Civil como homicídio. O caso aconteceu na manhã desta quarta-feira (30), na avenida Professor Walter Thaumaturgo, conhecida como Avenida do Povo, no bairro Independência.

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O principal investigado é o bombeiro militar Marcos Paulo Fujarra de Oliveira, de 28 anos, que estava em um Jeep Renegade preto. Bruno dirigia um Chevrolet Prisma prata. Segundo o boletim de ocorrência, os dois se envolveram em um desentendimento durante o trajeto no trânsito antes dos disparos.

O boletim registra a ocorrência como homicídio consumado. A autoridade policial, neste momento da investigação, apontou elementos que podem caracterizar o crime, em tese, como homicídio qualificado por motivo fútil e pelo emprego de recurso que teria dificultado ou impossibilitado a defesa da vítima. A classificação ainda pode ser reavaliada conforme o avanço da investigação e os resultados das perícias.

Como aconteceu

Segundo o registro policial, equipes da Polícia Militar foram acionadas pelo Copom após informações sobre disparos de arma de fogo na Avenida do Povo. A denúncia inicial mencionava dois indivíduos correndo pela via e um veículo Chevrolet Prisma.

Quando chegaram ao local, os policiais encontraram Bruno caído, ensanguentado, na calçada, na altura do número 880. Uma unidade de resgate foi acionada e levou o estudante ao Hospital Regional de Taubaté. Ele não resistiu aos ferimentos e morreu.

Um enfermeiro que passava pelo local e se identificou como funcionário do Hospital Regional auxiliou nos primeiros socorros, mas informou aos policiais que não havia presenciado a ocorrência. Pessoas que estavam nas proximidades também disseram ter apenas visto a vítima caída.

O que diz o investigado?

Após a ocorrência, Marcos foi localizado pela polícia nas proximidades, dentro do Jeep Renegade. Em uma manifestação informal aos policiais, segundo o boletim, ele afirmou que havia ocorrido uma discussão de trânsito e que teria sido ameaçado com uma faca. Naquele primeiro momento, disse que efetuou os disparos para se defender.

Quando sua versão foi formalizada no boletim de ocorrência policial, porém, Marcos informou que somente prestaria declarações acompanhado de seu advogado.

No interrogatório registrado pela autoridade policial, o investigado apresentou outra descrição da situação. Segundo ele, acreditou estar diante de uma tentativa de roubo.

Marcos afirmou ter visto nas mãos de Bruno um objeto de aparência prateada e imaginado que pudesse ser uma arma de fogo. Ainda conforme sua versão, ele desembarcou do Jeep e se aproximou do carro de Bruno.

Na sequência, relatou que o estudante teria quebrado o vidro da porta do motorista e tentado investir contra ele, momento em que efetuou os disparos.

Polícia não encontrou arma de fogo com Bruno

Um dos pontos centrais do despacho policial é a ausência, até o momento, de uma arma de fogo com Bruno ou dentro do Chevrolet Prisma.

A autoridade policial afirma que não foram encontrados elementos objetivos indicando que Bruno tenha anunciado um assalto ou exibido uma arma de fogo. O próprio investigado, segundo o despacho, relatou ter visto apenas um objeto de aparência prateada, que interpretou como possível arma.

Durante a ocorrência, entretanto, foi apreendido um canivete retrátil com cabo azul, relacionado a Bruno. O objeto estava entre os itens recolhidos pela polícia, juntamente com o celular do estudante. O boletim não registra que o canivete tenha sido utilizado como arma durante a discussão.

Quem se aproximou de quem?

Outro ponto destacado pela autoridade policial é a dinâmica dos veículos e a movimentação dos envolvidos.

De acordo com os elementos reunidos inicialmente, não havia registro de que Bruno tivesse saído do carro para abordar ou perseguir Marcos. O despacho afirma que, ao contrário, os elementos disponíveis indicavam que Marcos deixou o Jeep Renegade e se aproximou do veículo de Bruno antes dos disparos.

A polícia também identificou uma divergência sobre o estado do vidro da porta do motorista do Prisma — se estava aberto ou fechado durante o confronto. A questão deverá ser esclarecida pela perícia, inclusive a partir dos vestígios deixados no veículo.

Quantos tiros foram disparados?

A autoridade policial registra que a quantidade de disparos apontada inicialmente é de cinco. A informação ainda deverá ser confrontada com os resultados da perícia.

O número de tiros é considerado relevante pela investigação para a análise da dinâmica do confronto e da necessidade e moderação da reação alegada pelo investigado.

A arma atribuída a Marcos foi apreendida: uma pistola Taurus calibre .380. Também foram recolhidos 14 cartuchos calibre .380, descritos no boletim como íntegros e acondicionados no carregador da arma.

O que a perícia precisa esclarecer?

A investigação ainda depende de uma série de exames para reconstruir com precisão o que aconteceu.

Entre os pontos que deverão ser analisados estão a posição dos envolvidos, a trajetória dos tiros, a distância dos disparos, as condições dos vidros dos veículos, os vestígios encontrados nos automóveis e os objetos e armas apreendidos.

Também foi solicitado exame residuográfico no investigado, além de perícias no local, nos veículos, na arma e nos demais objetos recolhidos. A polícia também realizou o chamado auto de recognição visuográfica, procedimento destinado ao registro e à reconstrução da cena.

Legítima defesa não foi reconhecida

A versão apresentada por Marcos envolve uma suposta ameaça que teria provocado sua reação. A autoridade policial, porém, afirma que não há, nesta fase, elementos suficientes para reconhecer a legítima defesa.

O despacho ressalta que isso não significa que a dinâmica esteja definitivamente esclarecida. A própria decisão registra que a conclusão poderá ser reavaliada depois das perícias e da obtenção de novas provas.

Entre os motivos apontados para afastar provisoriamente a tese estão a ausência de uma arma de fogo com Bruno, a falta de comprovação objetiva de uma agressão injusta e a circunstância de Marcos ter deixado seu veículo e se aproximado do carro da vítima antes dos disparos.

Prisão e próximos passos

O boletim identifica Marcos como investigado e registra que ele seria conduzido pela Força Tática ao Presídio Militar Romão Gomes, em São Paulo. A autoridade policial pode pedir a conversão para prisão preventiva.

O despacho policial aponta, neste momento, elementos indicativos de homicídio qualificado, em tese, por motivo fútil e pelo emprego de recurso que teria dificultado ou impossibilitado a defesa da vítima. A autoridade ressalva que o enquadramento jurídico poderá ser alterado conforme as provas forem produzidas.

Assim, a investigação ainda precisa responder questões fundamentais sobre a discussão de trânsito, a sequência exata da aproximação dos veículos, o rompimento do vidro, o objeto visto por Marcos, a posição dos envolvidos e a trajetória dos disparos.

Até o momento, o que está documentado no boletim é que Bruno foi baleado após um desentendimento de trânsito na Avenida do Povo, deixou o veículo, caiu alguns metros adiante, foi socorrido e morreu no Hospital Regional de Taubaté.

A versão apresentada pelo investigado é de que ele teria reagido a uma situação que interpretou como ameaça, mas a autoridade policial afastou provisoriamente a legítima defesa diante dos elementos reunidos até agora.

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