OPINIÃO

Saúde mental dos adolescentes e desafio da responsabilidade

Por Acacio Miranda da Silva Filho | Presidente da Fundação CASA
| Tempo de leitura: 3 min
Divulgação
Acacio Miranda da Silva Filho
Acacio Miranda da Silva Filho

No Dia do Adolescente, celebrado em 21 de setembro, e durante o Setembro Amarelo, é importante refletir sobre a saúde mental dos jovens e sua relação com a construção de responsabilidade.

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O debate sobre a adolescência muitas vezes acaba reduzido a explicações simples. Há quem enxergue os problemas enfrentados pelos jovens apenas como falta de limites. Outros consideram somente as circunstâncias sociais e familiares que os cercam. A realidade, porém, é mais complexa. Cuidar da saúde mental e responsabilizar são dimensões que podem e devem caminhar juntas.

Segundo a Organização Mundial da Saúde, um em cada sete adolescentes entre 10 e 19 anos convive com algum transtorno mental. No Brasil, dados do IBGE de 2024 também apontam um cenário de atenção à saúde emocional dos jovens.

Na Fundação CASA, essa questão ganha uma dimensão ainda maior. Vinculada à Secretaria de Estado da Justiça e Cidadania, a instituição atende cerca de 4,8 mil adolescentes em 93 centros socioeducativos distribuídos por 41 municípios paulistas. Cada adolescente possui um Plano Individual de Atendimento, o PIA, que organiza ações de acordo com suas necessidades pedagógicas, sociais, familiares e de saúde.

Muitos chegam à instituição com histórias marcadas por violência, rompimentos familiares, evasão escolar ou ausência de perspectivas. Compreender esse contexto não significa afastar a responsabilidade pelo ato infracional. Significa criar condições para que o adolescente reflita sobre sua trajetória, compreenda as consequências de suas escolhas e desenvolva outras possibilidades.

É nesse processo que a saúde mental ocupa papel central. A Fundação CASA realiza, em média, 1.285 atendimentos psicossociais por mês e mantém há mais de duas décadas um programa de psicoterapia voltado aos adolescentes em cumprimento de medida socioeducativa. Em 2026, o programa já realizou mais de 8 mil atendimentos presenciais e online.

Mas cuidar da saúde mental também significa criar experiências que ampliem repertórios, fortaleçam vínculos e ajudem o adolescente a construir perspectivas. É o que acontece nas atividades culturais, esportivas e de formação profissional. A parceria com as Fábricas de Cultura, ampliada em 2026 para 71 centros, oferece atividades como teatro, dança, fotografia, audiovisual, literatura e capoeira, estimulando expressão, criatividade e convivência.

A educação profissional aproxima os adolescentes de possibilidades concretas de inserção produtiva e ajuda a transformar projetos de futuro em objetivos possíveis. É nesse contexto que o programa Depois do Amanhã atua, ampliando esse cuidado após o fim da medida, com apoio para retomada dos estudos, acesso à saúde, fortalecimento dos vínculos familiares e busca por cursos e trabalho.

Neste Dia do Adolescente, falar sobre saúde mental é também falar sobre responsabilidade. Não existe contradição entre acolher e responsabilizar. O desafio é oferecer condições para que o adolescente reconheça as consequências de suas escolhas, desenvolva recursos para enfrentar dificuldades e perceba que outras escolhas são possíveis.

A socioeducação existe para responsabilizar, mas também para oferecer instrumentos de reconstrução. Porque ninguém deve ser definido para sempre pelo pior momento de sua história.

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