Com o início oficial da campanha eleitoral, a corrida pela Presidência da República já tem seus candidatos definidos. Até a noite do último sábado (15), prazo limite estabelecido pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), 13 candidatos registraram suas chapas para a disputa pelo Palácio do Planalto. As candidaturas aguardam a análise do deferimento, mas são liberadas para fazer campanha.
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Com exceção do atual presidente Lula, único a concorrer apoiado por uma coligação, todos os outros 12 concorrentes apostaram em chapas "puro-sangue", formadas exclusivamente por nomes de um único partido.
Veja quem são os 13 candidatos à Presidência e suas propostas.
Lema: "O Brasil dos nossos sonhos"
Natural de Colina (SP), o psiquiatra e escritor Augusto Cury, 67, dedicou sua carreira a pesquisas e livros best-sellers, como "O Vendedor de Sonhos". Seu vice é o ex-deputado federal Júlio Delgado (MG). Cury diz que busca superar a polarização ideológica por meio da "gestão da emoção" e da "cultura da paz".
Seu plano de governo propõe a adoção do semipresidencialismo, mandatos de oito anos no STF e embaixadas voltadas à diplomacia comercial. Na economia, defende déficit zero, ampliação de microempreendedores, expansão sustentável do agronegócio e exploração de minerais estratégicos. A pauta social inclui educação socioemocional, medicina preventiva e o uso de inteligência artificial na segurança pública e na proteção às mulheres.
Lema: "Proteger hoje, transformar o amanhã"
A advogada Clariana Barão, presidente do diretório estadual do DC em Mato Grosso, disputa sua primeira eleição em uma chapa 100% feminina, ao lado da também advogada Fabiana Torquato.
Seu plano se organiza na modernização do Estado e na proteção social, priorizando a defesa de mulheres e crianças, a alfabetização e a valorização docente. A economia é pautada pelo apoio a pequenos negócios, melhoria da infraestrutura e responsabilidade fiscal. Na segurança, o foco é a inteligência nas fronteiras e o sufocamento financeiro de facções. Para a saúde, propõe a integração com IA e telemedicina, defendendo um federalismo orientado por metas e evidências.
Lema: "Construir o poder popular, rumo ao socialismo"
Professor e doutor em economia, o maranhense Edmilson Costa, 76, é secretário-geral do PCB e concorre com a professora aposentada da UFRJ, Cleusa Santos, na vice.
O plano propõe a ruptura com o capitalismo rumo ao socialismo, com a criação de Conselhos Populares e a substituição do Senado por um Parlamento Unicameral. Exige a nacionalização do sistema financeiro, a expropriação do agronegócio, a suspensão do pagamento da dívida pública e a revogação do arcabouço fiscal e das reformas trabalhista e previdenciária. O projeto foca no fim da escala 6x1 (jornada de 30 horas), estatização da saúde, educação e transportes (tarifa zero), reestruturação do Judiciário e da mídia, além do rompimento de relações com EUA e Israel.
Lema: "Para o Brasil vencer o atraso"
Natural de Resende (RJ), o senador Flávio Bolsonaro, 45, acumula quatro mandatos como deputado estadual e um como senador. Filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, tem como vice o deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL).
Na segurança, o plano propõe equiparar facções a terroristas, reduzir a maioridade penal para 16 anos, aplicar castração química em quem cometer estupro e acabar com a progressão de pena para crimes hediondos.
Na economia, defende a contenção de gastos, a desburocratização e a desoneração tributária. Institucionalmente, apoia limites a decisões monocráticas no STF e o fim da reeleição no Executivo. A pauta social destaca o programa "Brasil por Elas", voltado a redes de proteção, empreendedorismo e creches.
Lema: "Com os trabalhadores, contra o sistema"
Professor maranhense de 55 anos e militante do movimento negro, Hertz Dias foi candidato ao governo do Maranhão em 2022, concorreu à prefeitura de São Luís em 2020, além de ter disputado os postos vice-presidente e vice-governador em 2018 e 2010, respectivamente. Em nenhum foi eleito. Concorre com a também professora Vanessa Portugal na vice.
O PSTU defende a instauração de um governo socialista e a ruptura com o capitalismo. O projeto propõe a estatização, sob controle operário e sem indenização, de bancos, agronegócio e grandes empresas, além da suspensão do pagamento da dívida pública.
A agenda também apoia o fim da escala 6x1 (com jornada de 36 horas), aumento de 100% no salário mínimo e tarifa zero nos transportes. Defende, ainda, a desmilitarização da Polícia Militar, a descriminalização das drogas e a legalização do aborto pelo SUS.
Lema: "O Brasil pronto pra mais"
Nascido em 1945 em Caetés (PE), o ex-metalúrgico Lula busca o seu 4º mandato presidencial. Líder sindical e fundador do PT, governou o país em dois mandatos, eleito em 2002 e 2006, e retornou à Presidência em 2023. A chapa repete a aliança com o médico Geraldo Alckmin (PSB) na vice.
O programa de governo estrutura-se no combate às desigualdades via fortalecimento de serviços públicos e programas de renda. A área econômica foca sustentabilidade e transição ecológica de baixo carbono, além da governança estatal com foco em planejamento e inserção internacional.
Goiano e empresário, Pablo Marçal tem 39 anos e foi candidato à prefeitura de São Paulo em 2024. Teve seu nome lançado de última hora pelo PRTB, no lugar de Leonardo Valanche, que agora é vice de Marçal. Apesar do registro, o influenciador digital terá que reverter ou suspender a condenação na Justiça Eleitoral que o tornou inelegível por oito anos para conseguir concorrer à presidência.
Até o momento, nenhum plano de governo do partido foi registrado na plataforma oficial do TSE.
Lema: "O futuro é glorioso"
Líder e um dos fundadores do MBL, o paulista Renan Santos, 42, disputa a eleição pelo recém-criado partido Missão, tendo como vice o coronel Aroldo Medina.
Seu plano de governo, o "Livro Amarelo", propõe um ajuste nas contas públicas e a redução de até 70% dos municípios considerados fiscalmente inviáveis. Na segurança, defende o chamado "Direito Penal do Inimigo", com superpresídios e uso das Forças Armadas contra facções. O projeto prevê substituir o Bolsa Família por frentes de trabalho, erradicar favelas em dez anos, trocar cotas por bolsas de mérito, priorizar risco nas filas do SUS, explorar terras raras e inteligência artificial e buscar liderança do Sul Global no ciclo nuclear.
Lema: "Plano implacável"
Natural de Araxá (MG), o administrador e empresário Romeu Zema, 61, governou Minas Gerais por dois mandatos consecutivos (eleito em 2018 e 2022). Em sua primeira disputa nacional, concorre com o senador Eduardo Girão (CE) na vice.
Seu plano de governo foca a redução do Estado através da privatização total de estatais, corte de gastos, redução de impostos e flexibilização das leis trabalhistas. Na segurança e na política, defende o endurecimento penal, o combate militarizado a facções e a limitação dos poderes do STF. Na área social e externa, propõe a integração do SUS à rede privada, a conversão de programas de renda em pontes temporárias para o emprego e a substituição do Brics pela OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico).
Lema: "Nem A, nem B, C de Caiado"
O médico e ruralista goiano Ronaldo Caiado, 76, possui longa trajetória legislativa como deputado e senador e governou Goiás por dois mandatos. Após deixar o União Brasil pelo PSD, forma chapa com o ex-prefeito paulistano Gilberto Kassab.
Seu plano prioriza a estabilização fiscal, contenção de despesas obrigatórias e a segurança pública, integração policial para asfixia de facções, agravamento de penas e maioridade penal aos 16 anos para crimes graves. Politicamente, defende o fim da reeleição no Executivo e o voto distrital misto. A pauta inclui a recomposição da aprendizagem básica, a modernização do agronegócio via seguro rural, a redução de filas do SUS e a transição para a autonomia financeira nos programas sociais.
Lema: "Por salário, trabalho e terra"
Jornalista e redator, o paulista Rui Costa Pimenta, 69, é fundador e presidente do PCO. Disputa a Presidência pela quarta vez e concorre em chapa "puro-sangue" com o professor Antônio Carlos Silva.
O programa propõe uma revolução socialista, um governo operário e medidas estruturais anticapitalistas, como a estatização do sistema financeiro, o não pagamento da dívida pública, o cancelamento de privatizações e o imposto sobre grandes fortunas. Para os trabalhadores, exige salário mínimo de R$ 7.500, jornada de 35 horas e revogação das reformas recentes. O PCO também defende a extinção do STF, a dissolução das polícias militares, o fim dos vestibulares, a estatização total da saúde, ensino e mídia, e o armamento civil.
Cirurgiã-dentista do SUS, a mineira Samara Martins, 38, é coordenadora de movimentos negro e de mulheres. Vice-presidente nacional da Unidade Popular, concorre em chapa 100% feminina com a paraense Raquel Brício.
A UP propõe a construção de uma sociedade socialista, com estatização de bancos e empresas privatizadas, e a interrupção do pagamento da dívida pública. A candidata foca a defesa da classe trabalhadora, exigindo 100% de aumento no salário mínimo, fim da escala 6x1 e isenção de impostos para a categoria. Defende também punição a feminicidas, passe-livre nos transportes, educação superior sem vestibular e o rompimento de acordos sobre a base de Alcântara e terras raras.
Veterinário paulista de 56 anos e defensor da causa animal, Wilson Grassi concorre à presidência com a empresária Suêd Haidar, presidente de seu partido.
O plano de governo se fundamenta em desburocratizar, desonerar e digitalizar o Estado. O eixo central é a criação do Imposto Único Federal (IUF) sobre transações financeiras, substituindo tributos sobre a folha e isentando de Imposto de Renda quem ganha até cinco salários mínimos. O projeto destaca a "Saúde Única" (integração da saúde animal ao SUS), a portabilidade do aluguel para financiamento habitacional e a "PEC da Pesquisa" (transformar bolsistas em servidores). Na segurança, foca a asfixia de facções e em plebiscito nacional para a adoção de prisões de segurança máxima.