“Filhas, minhas eternas saudades. Mamãe ama vocês duas aí no céu.”
Foi com essas palavras que Claudilene dos Santos se despediu de Heloísa e Helena, as gêmeas de São José dos Campos que nasceram unidas pela cabeça e morreram neste sábado (15), após 15 horas da quinta e última etapa da cirurgia de separação, realizada no Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto.
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"O velório das gêmeas irá acontecer em São José dos Campos, vou colocar o horário quando a gente chegar, dependendo do horário vai até às 4 horas, quem quiser ir vai ser no Morumbi", postou a mãe.
A história das meninas começou a ser marcada pela incerteza ainda durante a gravidez. Foi em uma ultrassonografia de rotina que Claudilene descobriu que as filhas tinham uma condição extremamente rara.
Naquele momento, segundo ela contou a OVALE em 2024, a reação foi de desespero.
“Na primeira vez, quando soube (da condição), eu só sabia chorar. Chorando, chorando... Me perguntava por que isso comigo?”, relatou a mãe.
Heloísa e Helena nasceram com oito meses de gestação, no Hospital Municipal da Vila Industrial, em São José dos Campos.
A gravidade da situação ficou ainda mais clara no parto. Claudilene contou que a médica que realizou o procedimento chamou a avó das meninas e perguntou se a família sabia que as crianças poderiam não sobreviver.
Quatro dias depois do nascimento, as irmãs foram transferidas de avião para o Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto, onde passariam a ser acompanhadas por uma equipe especializada em procedimentos de alta complexidade.
A partir dali, a vida da família mudou completamente.
Claudilene, mãe de seis filhos, deixou São José dos Campos e se mudou para Ribeirão Preto para acompanhar Heloísa e Helena.
Sem casa na cidade, ela chegou a dormir em cadeiras e sofás do hospital enquanto aguardava o momento em que as meninas poderiam passar pela cirurgia de separação.
Enquanto isso, o restante da família permaneceu em São José dos Campos.
Em 2024, Amarildo Batista da Silva, pai das meninas, contou a OVALE que precisava fazer bicos para juntar dinheiro e conseguir levar o restante da família para Ribeirão Preto.
“Quando elas nasceram, a Claudinele teve que mudar com elas. Eu fiquei, tive que largar o trabalho para cuidar dos dois meninos e cuidar dos trâmites para conseguir mudar”, contou na época.
A família chegou a recorrer a campanhas e vaquinhas para conseguir se manter em Ribeirão Preto.
Na época da reportagem de OVALE, os médicos estimavam que a separação aconteceria apenas depois de aproximadamente um ano e meio. Era necessário que as meninas crescessem e atingissem o peso considerado adequado para enfrentar um procedimento de tamanha complexidade.
O que parecia uma espera interminável acabou se transformando em uma sequência de cinco cirurgias.
Heloísa e Helena começaram a passar pelos procedimentos em agosto de 2025. As etapas foram planejadas para reduzir os riscos e preparar gradualmente as estruturas compartilhadas pelas irmãs.
Quatro procedimentos foram concluídos antes da cirurgia definitiva.
Na quinta etapa, iniciada no sábado (15), a equipe médica tentou concluir a separação.
Depois de 15 horas de cirurgia, porém, o Hospital das Clínicas confirmou a morte das duas meninas.
Por quase dois anos, a família viveu entre a esperança e o medo.
A primeira imagem das meninas durante a gravidez revelou uma condição que mudaria completamente a rotina da família. O nascimento trouxe o alerta de que elas poderiam não sobreviver. A transferência para Ribeirão Preto iniciou uma longa espera. E as cirurgias alimentaram a esperança de que, finalmente, Heloísa e Helena poderiam ter uma vida separadas.
Agora, resta a despedida.
“Filhas, minhas eternas saudades. Mamãe ama vocês duas aí no céu”, escreveu Claudilene.
A frase encerra, de forma dolorosa, uma história que começou com uma mãe diante de uma ultrassonografia, passou por meses de hospital, mudanças, dificuldades financeiras, cirurgias e esperança -- e terminou com a despedida de duas meninas que mobilizaram uma família inteira.