A Polícia Civil de Franca aguarda a conclusão do laudo veterinário para dar continuidade à investigação sobre a agressão ao cão comunitário conhecido como "Negrinho", no Jardim Ipanema. Em entrevista nessa terça-feira, 28, o delegado Eduardo Lopes Bonfim afirmou que a mulher investigada responde pelo crime de maus-tratos e destacou que, mesmo diante da alegação de que o animal teria mordido a filha dela, a orientação correta seria acionar a polícia ou o Canil Municipal.
A mulher afirmou em depoimento e também à imprensa que a filha teria sido mordida pelo cachorro. No entanto, até o momento, a investigação não recebeu imagens ou documentos que comprovem essa versão.
"Ela fala no seu depoimento e também falou à imprensa que a filha dela teria sido mordida por esse cachorro, mas não apresentou nenhum atendimento médico referente a isso. Parece que mostrou uma roupa rasgada. A gente não tem ainda isso como confirmação", afirmou.
Bonfim ressaltou que, independentemente de o cachorro ter mordido ou não a adolescente, a providência correta seria comunicar as autoridades.
"Não pode sair simplesmente batendo no cachorro. O que tem que ocorrer é chamar, denunciar à polícia. A polícia ou o Canil Municipal tomarão as devidas providências", disse.
O delegado explicou que, quando um animal representa risco à população, ele pode ser recolhido pelos órgãos competentes. Como exemplo, citou um caso ocorrido no bairro Santo Agostinho.
"Houve um caso no bairro Santo Agostinho em que o cachorro realmente estava avançando em ciclistas e até machucou um menino. Foi feita a denúncia, nós fomos ao local, recolhemos esse cachorro para evitar que ele mordesse outras pessoas", relatou.
Durante a entrevista, Eduardo Lopes Bonfim também esclareceu que a dificuldade de locomoção apresentada por Negrinho não foi causada pela agressão investigada.
Segundo ele, após o resgate, o cachorro foi encaminhado para atendimento em um dos parceiros do Canil Municipal, onde foi constatado que a fratura na pata é antiga.
"Verificou-se que aquela quebradura é uma quebradura antiga, que foi consolidada fora do lugar. Por isso, ele manca. Deve ter sido atropelado anteriormente. Não faz parte da agressão e não podemos acusar essa pessoa de ter quebrado a pata do animal", explicou.
A Polícia Civil agora aguarda o resultado do laudo veterinário para verificar se a agressão registrada pelas câmeras provocou algum ferimento no animal.
"O laudo deve estar saindo na data de hoje (terça-feira) e nós vamos juntá-lo ao inquérito para verificar quais ferimentos esse cachorro possui. Vamos esperar o laudo para confirmar se houve, durante a agressão, algum tipo de ferimento no animal", concluiu o delegado.
O caso aconteceu na noite de 23 de julho, no Jardim Ipanema, em Franca. Imagens de uma câmera de segurança registraram o momento em que Rose Jesus agride o cão comunitário conhecido como Negrinho com um cabo de vassoura.
O cachorro foi encontrado com vida no dia seguinte, recebeu atendimento veterinário e foi acolhido. A Polícia Civil instaurou um inquérito para apurar o crime de maus-tratos. A mulher investigada afirmou estar arrependida da agressão e alegou que agiu após a filha ter sido mordida pelo animal, versão que segue sendo apurada pela investigação.
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