De 3 de agosto a 1º de setembro, São Paulo, Guarulhos e São Bernardo do Campo deverão vacinar as pessoas de seis meses a 59 anos contra o sarampo indiscriminadamente, isto é, independentemente de terem sido vacinadas antes. Não será necessário comprovar histórico vacinal anterior.
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A recomendação do Ministério da Saúde é que todas as pessoas de seis meses a 59 anos recebam o imunizante, mesmo se o esquema de duas doses da tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola) estiver completo. A orientação também se estende a pessoas que trabalham nas três cidades.
A pasta aproveitará o período da Campanha Nacional de Multivacinação, voltada a crianças e adolescentes de até 15 anos, para reforçar a proteção contra o sarampo. A estratégia foi definida após a identificação de uma cadeia de transmissão relacionada à importação do vírus nessas localidades.
Além disso, a recomendação de dose zero a bebês de 6 meses a 11 meses e 29 dias permanece nos três municípios.
Em entrevista à reportagem, Eder Gatti, diretor do PNI (Programa Nacional de Imunizações), afirma que Guarulhos, São Bernardo do Campo e São Paulo têm perfis únicos de vulnerabilidade ao sarampo devido à alta densidade populacional, intensa circulação diária entre cidades e conexões internacionais que aumentam o risco de entrada do vírus.
"Nessas cidades, a rede de contato de cada pessoa é maior do que em outros municípios brasileiros, porque são locais densamente povoados", diz Gatti.
"Na região metropolitana, as pessoas residem num lugar e trabalham em outro. É também um grande hub de circulação de estrangeiros a trabalho ou a passeio. E temos um cenário de alta pressão de internalização do sarampo. Na América do Norte -Estados Unidos, México e Canadá-, na Guatemala, no Peru e na Bolívia, na América do Sul, há elevado número de casos", completa.
Para conter o avanço do sarampo na Grande São Paulo, a capital, Guarulhos e São Bernardo do Campo intensificaram as ações de vigilância com a busca ativa de casos em comunidades, hospitais e laboratórios.
Eder Gatti explica que a estratégia inclui a retestagem de exames de pacientes diagnosticados com doenças de sintomas semelhantes, assegurando que nenhuma infecção por sarampo passe despercebida.
A ampliação da cobertura vacinal é a única barreira definitiva contra o vírus, considerado um dos mais contagiosos do mundo. A vacinação indiscriminada focará na população adulta, que apresenta menor adesão às campanhas de imunização em comparação às crianças.
"Os três municípios também se comprometeram a fazer atividades de vacinação extramuros, ou seja, sair das unidades de saúde para levar vacina a locais públicos. As ações ocorrerão nas estações de trem, metrô e em ambientes de alta circulação de pessoas. Esses esforços de vacinação extramuros serão concentrados em áreas de maior risco, que concentrem muita gente, inclusive estrangeira", explica.
Segundo o diretor do PNI, o estado de São Paulo investiga 18 casos de sarampo (o número é provisório, considerando a dinâmica das notificações).
Na capital paulista, os casos de sarampo estão em quatro distritos: Vila Maria (2) e Vila Medeiros (5), na zona norte, e Capão Redondo (1) e Jabaquara (1), na região sul. Outros dois permanecem em investigação quanto ao local de residência. As informações são da Secretaria Municipal da Saúde.
Em São Paulo, São Bernardo do Campo e Guarulhos
Dose zero: crianças de 6 meses a 11 meses e 29 dias.
Qualquer pessoa de 6 meses a 59 anos, independentemente do histórico vacinal.
Rotina - demais municípios brasileiros
O esquema vacinal recomendado pelo Ministério da Saúde prevê duas doses: a primeira aos 12 meses, com a vacina tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola), e a segunda aos 15 meses, com a tetraviral (que inclui varicela).
Pessoas de 1 a 29 anos devem ter duas doses da tríplice viral, enquanto adultos de 30 a 59 anos devem ter pelo menos uma. Profissionais de saúde precisam comprovar duas doses independentemente da idade.
Em 2026, o Ministério da Saúde já distribuiu mais de 7,2 milhões de doses da vacina tríplice viral aos estados e municípios. Do total, cerca de 2,9 milhões de doses já foram aplicadas em todo o país.
Em 2026, a ação ocorrerá de 3 de agosto a 1º de setembro, em todo o país. O Dia D de mobilização está marcado para 22 de agosto, um sábado, quando postos de saúde estarão abertos.
Em 2025, a campanha aconteceu em outubro. Neste ano, a antecipação se deve ao período eleitoral.
Durante a mobilização -direcionada a crianças e adolescentes de até 15 anos- serão oferecidas as vacinas BCG, DTP, pentavalente, tríplice viral, poliomielite inativada, pneumocócica 20, meningocócica C, meningocócica ACWY, além daquelas que protegem contra hepatite A, hepatite B, rotavírus, influenza, Covid, febre-amarela, varicela e HPV.