22 de junho de 2026
DOIS MORTOS EM POTIM

Rebelião no Vale: presos mutilaram corpos e carbonizaram vítima

Por Da redação | Potim
| Tempo de leitura: 3 min
Imagem ilustrativa/Gerada com IA
Ação da Polícia Militar e da Polícia Penal na Penitenciária 1 de Potim

A rebelião na Penitenciária 1 de Potim foi marcada por cenas de extrema violência. De acordo com o boletim de ocorrência da Polícia Civil, presos amotinados executaram um detento, mutilaram os corpos das vítimas, arrastaram os cadáveres pelo pátio, tentaram pendurá-los na tela de proteção da unidade, incendiaram um dos corpos e praticaram atos de evisceração durante o motim.

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A rebelião começou no sábado (20) e só terminou na manhã de domingo (21), após intensa negociação de policiais penais. O motim terminou com dois presos mortos, quatro feridos e 14 mulheres e uma criança mantidos sob domínio dos detentos por quase 18 horas.

A confusão começou após duas visitantes serem impedidas de entrar na penitenciária por irregularidades detectadas no escâner corporal.

Segundo o depoimento de um policial penal responsável pelas negociações, os líderes da rebelião renderam diversos internos logo nas primeiras horas da crise. As vítimas foram amarradas e agredidas com armas improvisadas, como vergalhões, pedaços de metal, plásticos rígidos e fragmentos de espelhos quebrados.

O servidor afirmou ter presenciado a execução de um dos presos, que foi espancado por vários detentos, perdeu a consciência e, em seguida, recebeu diversos golpes perfurocortantes que provocaram sua morte.

Ainda conforme o boletim, os autores da violência utilizaram os ataques para pressionar a administração da unidade. Durante toda a negociação, ameaçavam matar novos presos caso suas exigências não fossem atendidas.

A Polícia Civil identificou nove detentos como responsáveis pelas mortes, tentativas de homicídio, agressões e atos de vandalismo registrados durante a rebelião.

Como ocorreu o motim

As investigações apontam que a crise começou na manhã de sábado (20), durante o horário de visitas. Duas mulheres foram impedidas de entrar na penitenciária após o escâner corporal identificar imagens suspeitas, o que exigiu exames complementares.

De acordo com a investigação, dois presos conhecidos pelos apelidos de "Batata" e "Proibido", companheiros das visitantes barradas, reagiram imediatamente à decisão da direção da unidade. Eles passaram a ameaçar policiais penais e avisaram que, caso as mulheres não fossem autorizadas a entrar, iniciariam uma sequência de homicídios e impediriam a saída dos familiares que já estavam no pavilhão.

As 14 mulheres e uma criança permaneceram sob domínio dos amotinados até a manhã de domingo (21). Embora os líderes da rebelião afirmassem que não havia reféns, o boletim da Polícia Civil destaca que os visitantes tiveram a saída impedida durante toda a crise.

As negociações foram conduzidas por policiais penais com apoio do Grupo de Ações Táticas Especiais (Gate). Barricadas montadas com colchões, grades e cobertores impediram uma intervenção imediata das forças de segurança, já que qualquer ação poderia colocar em risco a vida dos visitantes.

Outro detalhe registrado pela investigação foi a inscrição "Cangaço NC (Novo Cangaço)" pichada pelos presos em uma parede da penitenciária. A expressão faz referência à modalidade criminosa conhecida por ataques violentos promovidos por grupos fortemente armados contra pequenas cidades.

Presos mortos foram identificados

Os presos mortos foram identificados como Gustavo Santos Lima Lourenço, de 25 anos, e Carlos Matheus Alves da Silva, de 41 anos. Outras quatro pessoas ficaram feridas durante os ataques.

Após cerca de 18 horas de tensão, os líderes da rebelião se renderam e os visitantes foram libertados sem ferimentos físicos.

A Polícia Civil instaurou inquérito para apurar os dois homicídios, as tentativas de homicídio, o cárcere privado dos visitantes, a atuação individual de cada envolvido e os demais crimes praticados durante o motim.