24 de abril de 2026
CRISE

Dívida de R$ 65 bi: Raízen segue em busca de acordo com credores

Por Da Redação |
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Divulgação
Em comunicado, a empresa destacou que, em processos desse tipo, é comum a circulação de propostas preliminares

Em recuperação judicial, a Raízen mantém diálogo com credores e demais envolvidos para tentar chegar a um acordo que reorganize sua situação financeira. A manifestação foi feita após questionamento da B3, e a companhia reforçou que ainda não há qualquer definição concreta sobre os próximos movimentos.

O pedido de esclarecimentos ocorreu depois de reportagem publicada pelo Valor Econômico, que revelou negociações em torno de uma proposta apresentada por instituições financeiras. Conforme o jornal, uma das alternativas em discussão prevê destinar parte dos recursos provenientes da venda de ativos na Argentina — cerca de 30% — para reduzir o endividamento.

Entre as possibilidades avaliadas também estaria uma mudança na estrutura de comando, incluindo a eventual saída de Rubens Ometto do posto de presidente do conselho. O tema já havia sido levantado anteriormente por investidores detentores de títulos da companhia. Ometto é fundador da Cosan, que controla a Raízen.

Em comunicado, a empresa destacou que, em processos desse tipo, é comum a circulação de propostas preliminares, sujeitas a ajustes e revisões ao longo das negociações. Apesar disso, deixou claro que nenhuma das possibilidades mencionadas foi formalizada até agora, nem houve assinatura de acordos definitivos.

A Raízen — formada por uma parceria entre a Cosan e a Shell — entrou com o pedido de recuperação extrajudicial em março, buscando equacionar uma dívida na casa de R$ 65 bilhões. Esse mecanismo permite a renegociação direta com parte dos credores, com foco em alongar prazos e melhorar condições de pagamento, evitando um processo judicial.

O cenário que levou à atual situação envolve uma combinação de fatores, como um ciclo recente de investimentos elevados, condições climáticas desfavoráveis e incêndios em áreas de cana-de-açúcar, que comprometeram a produção e reduziram o volume processado.

Para reforçar o caixa, a Shell anunciou recentemente um aporte de R$ 3,5 bilhões na companhia, enquanto a Cosan indicou a injeção adicional de R$ 500 milhões.