27 de março de 2026
BOLSONARO EM CASA

Mérito da domiciliar é de todos que foram a Moraes, diz Michelle

Por Isadora Albernaz e Carolina Linhares | da Folhapress
| Tempo de leitura: 4 min
Reprodução/Redes sociais
Michelle fez parte de uma ofensiva para pressionar Moraes a conceder a prisão domiciliar humanitária de Bolsonaro.

Após a chegada de Jair Bolsonaro (PL) em casa, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) afirmou nesta sexta-feira (27) que o "bônus" da prisão domiciliar é de todos que procuraram o ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), para pedir pela transferência do ex-presidente.

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"O bônus é de todos aqueles que foram até o STF, até o ministro Alexandre de Moraes, interceder por essa prisão domiciliar. Não tem uma pessoa que tirou o Bolsonaro do batalhão. São várias. Todos aqueles que intercederam em oração e pessoalmente junto ao ministro", declarou.

Questionada sobre a sua candidatura nas eleições deste ano, Michelle afirmou que, por ora, "política zero". A presidente afastada do PL Mulher também disse acreditar que Bolsonaro não deve tratar de articulações visando o pleito durante o período que estiver cumprindo pena em sua residência.

"A minha vida pertence a Deus, tudo o que eu faço é regido por Ele. Eu estou como presidente de um movimento grande, partidário feminino, mas o momento agora é de cuidar da saúde dele, da alimentação, tudo que eu puder fazer para que ele se recupere mais rápido", afirmou Michelle a jornalistas na doceria Maria Amélia, que fica em frente à sua residência e cuja dona é sua amiga.

Apesar da declaração, a reportagem apurou que membros do PL e integrantes da pré-campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência afirmam que a ex-primeira-dama, que tentará emplacar uma série de aliadas nas eleições deste ano, vai influenciar ainda mais as decisões de Bolsonaro durante a domiciliar.

Ela é criticada por alguns aliados de Flávio por não ter embarcado em sua campanha. Enquanto parte dos bolsonaristas diz acreditar que a preponderância dela sobre o marido pode agravar esse racha na família, outros afirmam que, pelo contrário, ele agora poderá agir como ponte e recompor o diálogo entre a mulher e o filho.

Michelle fez parte de uma ofensiva para pressionar Moraes a conceder a prisão domiciliar humanitária de Bolsonaro. Ela se encontrou com Moraes no gabinete do ministro na segunda (23). Um dia depois, na terça (24), o magistrado autorizou a saída da Papudinha.

Também tiveram reuniões com o magistrado para tratar do tema o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). A bancada bolsonarista no Congresso Nacional e até ministros do STF também eram a favor da medida.

Michelle Bolsonaro disse que ainda não há necessidade de procurar novamente Moraes para pedir a extensão do prazo, mas defendeu que a permanência em casa é o lugar certo. "Nós temos 90 dias, creio que as coisas vão se ajustar."

Jair Bolsonaro, 71, recebeu alta por volta das 10h desta sexta do hospital onde estava internado em Brasília havia duas semana com broncopneumonia bacteriana em ambos os pulmões em decorrência dos soluços.

Ele chegou cerca de 20 minutos depois ao condomínio Solar de Brasília, no Jardim Botânico, onde continuará cumprindo por tentativa de golpe de Estado. Vestia um colete à prova de balas e já está com a tornozeleira eletrônica.

Michelle disse que Bolsonaro se livrou da morte e que cuidará "ainda mais" do marido durante o período em que ele ficará em casa como uma "vigilante do sono". Uma cama reclinável para evitar os refluxos, quadro decorrente da facada que o ex-presidente levou durante a campanha presidencial de 2018, será providenciada, por exemplo.

"Estando em casa, um ambiente mais confortável, a gente vai poder estar cuidando dele. Todo mundo sabe que ele precisa agora de uma assistência maior, uma segurança maior. O que eu tinha comentado com o ministro Alexandre de Moraes. A questão que mais me deixava tensa era o fato de ele ter o refluxo. Aconteceu, ele broncoaspirou e teve essa pneumonia bacteriana grave", disse.

A ex-primeira-dama disse também que a rotina será "caseira" e detalhou que alterará a alimentação de Bolsonaro para tirar alimentos com glúten e lactose e incluir opções diet, como gelatina. Segundo ela, o marido tem um paladar "mais infantilizado", mas terá que ser "obediente".

"[A chegada] Foi uma benção, os cachorros ficaram super felizes. Uma alegria. A gente orou, se alegrou, se abraçou. É muito bom estar em casa. A gente aprende a valorizar as pequenas coisas quando a gente perde. Os cachorros, assim, a graça, super feliz pulando em cima dele", afirmou.