A investigação sobre a morte da policial militar Gisele Alves Santana, de 32 anos, aponta que mensagens apagadas do celular dela enfraquecem a versão apresentada pelo tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, de 53, de que a esposa teria tirado a própria vida por não aceitar o fim do casamento.
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De acordo com a Polícia Civil, o telefone de Gisele foi desbloqueado e manuseado minutos após o disparo que a atingiu na cabeça, em 18 de fevereiro, no apartamento do casal, no Brás, região central de São Paulo. Nesse intervalo, conversas entre os dois foram apagadas.
Diálogos recuperados por perícia mostram que a policial aceitava a separação. Em mensagem enviada na noite anterior ao crime, ela escreveu: “Tem todo o direito de pedir o divórcio […] Pode entrar com o pedido essa semana”. Para os investigadores, o conteúdo contraria a narrativa do oficial.
Desde o início, Geraldo Neto afirma que decidiu encerrar o casamento e que Gisele não concordava com a decisão. O relatório policial indica que a exclusão seletiva das mensagens, somada à recuperação do conteúdo no aparelho da vítima, sugere tentativa de sustentar essa versão.
A apuração também descreve um relacionamento marcado por desgaste. Nas conversas, Gisele critica o comportamento do marido e menciona tratamento considerado desrespeitoso. Segundo a polícia, o oficial evitava discutir a separação e buscava retomar a relação quando o tema surgia.
As últimas mensagens foram enviadas entre 22h47 e 23h de 17 de fevereiro. Cerca de oito horas depois, Gisele foi baleada. Ela chegou a ser socorrida com vida, mas morreu no Hospital das Clínicas.
Inicialmente registrado como suicídio, o caso passou a ser tratado como morte suspeita no mesmo dia. Um mês depois, o tenente-coronel foi indiciado por feminicídio e fraude processual. Ele está preso preventivamente no Presídio Militar Romão Gomes e nega o crime.
A investigação também aponta demora no acionamento do socorro e possíveis interferências na cena após o disparo, elementos que reforçam a suspeita de homicídio.
Com informações do Metrópoles