“Ordem e Progresso”.
Inspirado no positivismo francês e adotado após a Proclamação da República, em 1889, o lema da bandeira brasileira ganha um significado diametralmente invertido no estado paralelo criado pelo PCC (Primeiro Comando da Capital), a maior e mais temida facção criminosa do país.
Na organização, criada no Vale do Paraíba, a ordem aparece na estrutura hierárquica detalhada no novo organograma da facção, revelado por OVALE. Já o "Progresso” é como o PCC refere-se ao tráfico de drogas, a principal fonte de lucro do grupo.
E dentro desse império do crime há uma “Princesinha”: é como o PCC chama a rota da cocaína enviada ao exterior, um negócio que movimenta bilhões de reais.
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Este é o segundo capítulo da série "PCC, a caixa-preta do crime", em que OVALE detalha o novo organograma da facção, que está na mira de Donald Trump e foi definida pela Casa Branca como uma "ameaça significativa à segurança" da América Latina.
O novo documento, obtido com exclusividade por OVALE, expõe as entranhas do PCC, organização criada em Taubaté, em 31 de agosto de 1993, e que hoje expandiu-se por todo o país e já atua em 28 países.
“Se nada for feito, nós nos tornaremos sim um narcoestado”, afirmou o promotor Lincoln Gakiya, jurado de morte pelo PCC, durante audiência na CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) sobre o Crime Organizado do Senado.
De acordo com o promotor, a facção viu sua receita passar de cerca de R$ 10 milhões anuais, em 2010, para cerca de R$ 10 bilhões anuais.
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O organograma do PCC revela uma estrutura altamente hierarquizada, com setores responsáveis por comando, finanças, expansão territorial e controle do sistema prisional. Ele tem espaço de destaque para o tráfico de drogas, chamado de "Sintonia do Progresso".
Entre as subdivisões estão: "Padaria" (produção); "Progresso externo" (venda para o exterior); "Progresso 100% interno" (venda de droga de alto grau de pureza para o mercado interno)"; "Progresso princesinha" (exportação de cocaína); Progresso FM (pontos de venda de droga/varejo), que tem uma divisão (FM SP e FM Baixada).
A Sintonia 'Progresso Princesinha (exportação)' dedica-se exclusivamente à venda de cocaína para o exterior. É a joia da coroa do crime.
De acordo com investigações do MP, a facção priorizou a rentável exportação de droga e passou a dar menor importância ao "varejo", à venda de entorpecentes nas biqueiras. Isso, inclusive, abriu espaço para que o Comando Vermelho ocupasse territórios em cidades do Vale do Paraíba e Litoral Norte.
“A gente vê duas situações de realidade no PCC. O que a gente chama de massa de manobra, que são esses integrantes do PCC que entram nesse ciclo vicioso prisional, e você tem a cúpula, que efetivamente ganha dinheiro com o tráfico internacional", afirmou o promotor de justiça Alexandre Castilho, membro do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), do Ministério Público, durante episódio especial do OVALE Cast.
O documento também mostra ramificações fora do Brasil, com menções a países estratégicos para o tráfico internacional de drogas.
Entre eles aparecem Bolívia e Paraguai, rotas importantes para o escoamento de cocaína e outras substâncias ilícitas que abastecem mercados na América do Sul, Europa e África. Essa estrutura internacional reforça a transformação do PCC em uma organização transnacional, com presença em diversos países e capacidade de operar redes logísticas complexas.
João Aparecido Ferraz Neto, mais conhecido como “João Cabeludo”, é um traficante de São José dos Campos que faz parte da organização criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital), sendo apontado como chefão do crime no Vale do Paraíba. Ele é um dos criminosos mais procurados do Brasil e também está na lista da Interpol. Especula-se que esteja vivendo na Bolívia (leia mais).
O organograma conta com uma sintonia específica para "Outros países". "O PCC hoje é essa diversidade. É o tráfico internacional e as lideranças hoje se encontram escondidas na Bolívia. Algumas lideranças ainda estão aqui no Brasil, mas a maioria se encontra escondida na Bolívia”, completou Castilho.
Com exclusividade, OVALE publica a série 'PCC: a caixa-preta do crime' e revela o organograma da facção criminosa, classificada pelo governo Trump como uma "ameaça significativa à segurança" da América do Sul.