10 de julho de 2026
APARECEU NA 'LIVE'

Inep anula parte do Enem após divulgação antecipada de questões

Por | da Rede Sampi
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Reprodução/Tomaz Silva/Agência Brasil
Embora nenhuma pergunta tenha sido apresentada exatamente como na edição de 2025, foram observadas “similaridades pontuais entre os itens”.

O Enem 2025 teve três questões anuladas, informou nesta terça-feira (18) o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). A decisão foi tomada após relatos de que itens muito semelhantes aos aplicados foram divulgados antes da prova.

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Em nota, o Inep afirmou que a equipe responsável “identificou relatos de antecipação de questões similares” e, com base nisso, optou pela anulação. Embora nenhuma pergunta tenha sido apresentada exatamente como na edição de 2025, foram observadas “similaridades pontuais entre os itens”. O órgão acionou a Polícia Federal para investigar possível quebra de sigilo ou ato de má-fé.

O instituto ressaltou que a metodologia da prova, a Teoria de Resposta ao Item (TRI), exige que questões sejam pré-testadas. Assim, parte dos itens pode ter sido acessada por pessoas que participaram desses testes, o que, segundo o Inep, não configura vazamento direto.

Segundo apuração do G1, a anulação decorre da transmissão ao vivo de um estudante no YouTube, cinco dias antes da aplicação das provas de matemática e ciências da natureza, viralizar nas redes sociais. Na "live", o jovem Edcley Teixeira, que oferece consultoria a vestibulandos, apresentou pelo menos cinco questões quase idênticas às cobradas no exame oficial. Algumas tinham até os mesmos números usados pelo Inep, segundo candidatos que identificaram as coincidências.

Materiais do curso vendido por Edcley, obtidos pelo G1, também mostram uma sexta questão presente no Enem 2025. Após a repercussão, o estudante afirmou que não houve vazamento e que "previu" os itens com base em técnicas próprias, entre elas, memorizar perguntas do Prêmio CAPES Talento Universitário, aplicado meses antes. Ele sustentou que essas questões funcionariam como pré-teste do Enem, hipótese que não foi confirmada pelo governo federal.

Ex-alunos e um ex-colega de trabalho contaram ao G1 que Edcley incentivava estudantes a fazer a prova da CAPES e decorar os itens para repassar ao seu grupo de estudos, já que o teste é realizado em computador e os candidatos não têm acesso ao caderno.

Edcley também alegou que usa “algoritmos” e análises da TRI para prever a lógica do exame, além de acompanhar chamadas públicas com nomes de elaboradores do Enem e estudar artigos acadêmicos escritos por eles.