A Funai confirmou, neste domingo (16), o assassinato de um indígena Guarani Kaiowá durante ataque armado à retomada Pyelito Kue, em Iguatemi, no sul de Mato Grosso do Sul. A vítima, identificada como Vicente Fernandes Vilhalva Kaiowá, 36, foi atingida na cabeça após a invasão de cerca de 20 homens armados.
Leia mais: Jornalista paraense afirma ter levado tapa de prefeito na COP30
Outros quatro indígenas, entre eles adolescentes e uma mulher, ficaram feridos por disparos de arma de fogo e balas de borracha. Segundo o Cimi (Conselho Indigenista Missionário), os invasores cercaram a comunidade, destruíram uma ponte e tentaram levar o corpo da vítima, impedidos pelos moradores. A Funai classificou o ataque como “inaceitável” e enviou equipes para acompanhar a investigação e articular medidas com órgãos de segurança.
A retomada fica na Terra Indígena Iguatemipeguá I, cujo processo demarcatório se arrasta há cerca de 40 anos. Nos últimos meses, o aumento das retomadas na região tem sido impulsionado pela tentativa de frear a pulverização de agrotóxicos, apontada pelos indígenas como ameaça à saúde e à segurança alimentar.
O crime coincidiu com a ocasião em que, em Belém, indígenas marchavam nesta segunda-feira (17) pedindo justiça e exigindo a demarcação de terras. O ato, que também denunciou a violência contra comunidades tradicionais, citou a morte de Vicente como exemplo da escalada de ataques em áreas de conflito fundiário.
A manifestação destacou ainda o papel dos povos originários na proteção dos biomas, tema central da COP30. Para a Funai, a execução de mais um Guarani Kaiowá reforça que “não existe trégua na perseguição aos defensores do clima”.
*Com informações da Folhapress e Agência Brasil