O Brasil lidera a criação do Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF, na sigla em inglês), iniciativa que promete mudar como o mundo financia a proteção ambiental. O projeto foilançado oficialmente nesta quinta-feira (6), na COP30, em Belém (PA), e pretende recompensar financeiramente os países que preservarem suas florestas tropicais, como a Amazônia, a Mata Atlântica, a Bacia do Congo e as florestas do Sudeste Asiático.
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Hoje mesmo, a Noruega anunciou US$3 bi para fundo, e passou a ser a nação com o maior valor anunciado até agora para o TFFF. Quase 50 países ofereceram apoio político, entre eles, Alemanha, Reino Unido, China, União Europeia, França e Emirádos Árabes Unidos. O documento continua disponível para novas assinaturas.
Segundo a assessoria da COP30, na prática, o TFFF vai pagar cerca de US$ 4 por hectare de floresta conservada, com monitoramento via satélite. Se um país desmatar mais do que o permitido, o valor recebido será reduzido. Vinte por cento dos recursos serão destinados obrigatoriamente a povos indígenas e comunidades tradicionais.
O fundo deve começar com US$ 25 bilhões em aportes de países investidores, como Alemanha, França, Noruega e Emirados Árabes Unidos, e pretende atrair mais de US$ 100 bilhões do setor privado. O dinheiro vai formar um fundo permanente.
Diferentemente das doações tradicionais, o TFFF funciona como investimento com retorno ambiental: o país que protege, recebe. Segundo a ministra Marina Silva, é “uma virada de chave” para financiar a conservação:
"Já exploramos demais a natureza para gerar riqueza. Agora, é hora de usar essa riqueza para proteger a natureza”, afirmou.
O objetivo é garantir uma fonte de recursos previsível e de longo prazo para cerca de 70 países com florestas tropicais, permitindo que financiem políticas ambientais, restauração e bioeconomia.
Além do Brasil, Colômbia, Gana, Indonésia, Malásia e República Democrática do Congo já participam da fundação do fundo.
Como vai funcionar o TFFF
| Etapa |
Na prátic |
| 1. Adesão dos países |
Nações com florestas tropicais aderem ao fundo e enviam relatórios anuais de conservação. |
| 2. Monitoramento |
O controle é feito por satélite, como já ocorre no Brasil pelo INPE. |
| 3. Pagamento |
O país recebe US$ 4 por hectare protegido, podendo perder parte se houver desmatamento. |
| 4. Destino dos recursos |
O governo decide como aplicar o dinheiro; 20% obrigatoriamente vai para povos indígenas e comunidades tradicionais. |
| 5. Investimento sustentável |
O fundo só aplica em projetos “verdes” e veta negócios ligados a combustíveis fósseis. |
Se os aportes se confirmarem, o TFFF poderá se tornar um dos maiores fundos ambientais do mundo, atrás apenas do Banco Mundial.