Mensagens interceptadas pelo Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ) mostram que a cúpula do Comando Vermelho (CV) usava grupos de WhatsApp para comandar o tráfico, definir ataques e ordenar execuções. Os prints das conversas, obtidos na Operação Contenção, foram anexados à denúncia que baseou a ação da última terça (28), informou o G1.
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Segundo a investigação, o chefe máximo da facção, Edgar Alves de Andrade, o Doca, controlava tudo à distância com ajuda de seus principais aliados: Pedro Paulo Guedes (Pedro Bala), Carlos Costa Neves (Gardenal) e Washington Braga da Silva (Grandão). Num dos grupos, uma mensagem deixa clara a hierarquia: “Ninguém dá tiro sem ordem do Doca ou do Bala. Vamo pegar a visão.”
Gardenal, responsável pela segurança de Doca, decidia quem poderia se aproximar da casa do chefe, a Toca do Urso. “Rapaziada, pegar a visão aqui no portão do pai, ninguém entra armado aqui dentro da casa e ninguém entra sem autorização”, escreveu. Em outra mensagem, reforçou: “Frisar bem o papo, não pensa com o coração e nem amizade. Isso é o crime.”
Já Grandão, descrito como o “síndico” da facção, organizava plantões, repassava ordens, controlava pagamentos e promovia bailes do CV. As mensagens mostram estrutura quase administrativa, com escalas, relatórios e cobrança de resultados.
Foragido há sete anos, Doca é apontado como o criminoso mais violento em liberdade e acumula 273 anotações criminais e 32 mandados de prisão. Ele ordenou enfrentamentos contra a polícia e é investigado por autorizar a tortura e morte de três crianças em Belford Roxo, em 2021.
O Disque Denúncia oferece R$ 100 mil de recompensa por informações que levem à prisão de Doca, considerado o nome mais poderoso do Comando Vermelho fora da cadeia.