09 de julho de 2026
ATENÇÃO

Ambiente familiar é decisivo para adoecimento mental de jovens

Por Ana Lígia Dal Bello | da Rede Sampi
| Tempo de leitura: 2 min
Reprodução/Antônio Cruz/Agência Brasil
Psicólogo alerta que o mau uso da internet compromete o desenvolvimento cognitivo e pode levar a comportamentos de risco.

O psicólogo Enéias Amorim, especialista em psicologia hospitalar e integrante da Francisca Júlia Bem-Estar Mental, em São José dos Campos (SP), afirma que o ambiente familiar tem papel determinante na formação emocional e na saúde mental de adolescentes e jovens. Em entrevista ao portal SAMPI, ele destacou que as vulnerabilidades dentro de casa podem ser o ponto de partida para quadros de ansiedade, depressão e até tentativas de suicídio.

“O ambiente familiar é crucial para que esse jovem venha a desenvolver algum tipo de adoecimento”, ressaltou.

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Redes sociais e instabilidade emocional

De acordo com Amorim, o uso excessivo das redes sociais tem relação direta com crises de ansiedade e baixa autoestima entre adolescentes. Segundo ele, a exposição contínua à comparação e à busca por aprovação online pode gerar complexo de inferioridade e insegurança emocional.

“A partir do momento em que esse jovem cria uma relação de dependência das redes sociais, surgem diversos sentimentos como comparação irreal da realidade e insegurança, provocando instabilidade emocional”, explicou o psicólogo.

Ele alerta que o mau uso da internet compromete o desenvolvimento cognitivo e pode levar a comportamentos de risco e vulnerabilidade social.

Sinais de alerta entre meninos e meninas

O psicólogo observa que os sinais de sofrimento psíquico variam entre meninos e meninas, embora ambos apresentem dificuldades de vínculo e queda no rendimento escolar.

Nos meninos, segundo ele, é comum notar mudanças bruscas de humor voltadas para a violência, uso abusivo de álcool ou drogas e exposição a situações de risco. Já nas meninas, o alerta se dá por isolamento social, choro excessivo e comportamentos autolesivos.

“Em ambos os casos é possível perceber o baixo rendimento escolar e a dificuldade de se vincular com familiares e amigos”, pontuou.

Falhas na rede de apoio e na escola

Amorim chama atenção para as lacunas existentes nas políticas públicas e no ambiente escolar, que dificultam o acesso ao atendimento em saúde mental.

Entre os principais entraves, ele cita a falta de programas preventivos, a descrença sobre a importância da saúde mental e a demora no atendimento nos serviços públicos.

“A burocracia e o grande aumento nas filas de espera são fatores que dificultam o cuidado”, disse.

Família estruturada é fator de proteção

Para o especialista, a presença ativa e afetiva dos pais é um dos principais fatores de proteção contra o adoecimento mental.

“Dentro da família, é essencial criar um espaço acolhedor, seguro e com liberdade para expressar sentimentos”, afirmou.

Amorim acrescenta que a organização dos papéis dentro de casa, a rotina saudável e o acompanhamento emocional dos filhos são medidas que ajudam a prevenir crises graves.

“Perceber as alterações imediatamente e buscar ajuda com especialistas o quanto antes pode salvar uma vida”, completou.


Enéias da Silva Amorim Psicólogo clínico