Mesmo sem as fantasias que dariam cor ao seu enredo, o Império Serrano atravessou a Marquês de Sapucaí com emoção e garra na manhã deste domingo (2).
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Última escola a se apresentar na Série Ouro, a Verde e Branca encarou o desfile como um verdadeiro ato de resistência, após perder 95% das fantasias das alas e dos destaques em um incêndio no último dia 12.
Sem julgamento e sem risco de rebaixamento, a escola ignorou o limite de 55 minutos e permaneceu por 94 minutos na avenida, transformando a passarela do samba em palco de devoção e superação.
A tragédia que destruiu quase todo o figurino da escola fez com que a maioria dos componentes desfilasse apenas com camisas e batas, muitos atravessando a avenida às lágrimas.
Apenas Velha-Guarda, crianças, casais de mestre-sala e porta-bandeira, bateria e comissão de frente conseguiram manter parte dos trajes planejados. Além disso, um dos carros alegóricos quebrou e precisou ser abandonado no percurso, obrigando seus ocupantes a seguir a pé.
Diante das dificuldades, o intérprete Kléber Simpatia convocou os integrantes a desfilarem com o coração:
“A sua fantasia está dentro do seu corpo — verde e branco. Está na sua alma, na sua pele. Não precisa de fantasia hoje!”
A emoção tomou conta da Sapucaí, e o samba-enredo deu lugar a hinos históricos do Império Serrano, enquanto a comunidade mostrava sua força.
O desfile deste ano foi uma homenagem a Beto Sem Braço, baluarte e compositor da escola, com o enredo "O que espanta a miséria é festa". A Serrinha pode não ter brilhado como planejava, mas deixou sua marca com um desfile inesquecível, repleto de emoção e resistência.