POLÍTICA

61% dizem que eleições foram limpas e justas; 30%, fraudadas

Por Arthur Guimarães de Oliveira | da Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min
Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil
61% dos brasileiros acreditam que as eleições deste ano foram limpas e justas
61% dos brasileiros acreditam que as eleições deste ano foram limpas e justas

Pesquisa Quaest divulgada neste domingo (8) mostra que 61% dos brasileiros acreditam que as eleições deste ano foram limpas e justas, ante 30% que consideram que houve fraude. Não sabem ou não opinam 9%.

Dúvidas sobre o processo eleitoral foram levantadas pelo senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato derrotado no segundo turno do pleito presidencial contra Lula (PT).

Ele afirmou que nenhum dos dois candidatos pode saber com 100% de certeza quem foi eleito presidente. Embora tenha admitido não ter provas de irregularidades, disse ter motivos para desconfiar e que esse é um assunto proibido de ser investigado no país.

O recorte por posicionamento ideológico é claro nas respostas sobre a lisura do processo. Entre os lulistas, 96% dizem que as eleições foram limpas e justas; entre os bolsonaristas, 93% afirmam que elas foram fraudadas.

Dos classificados pela Quaest como independentes, 61% afirmam que as eleições foram corretas e 22%, que não. O TSE (Tribunal Superior Eleitoral) atestou a integridade do processo eleitoral, aprovado também por observadores internacionais.

O filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) fugiu para os Estados Unidos após a derrota e a subsequente ordem de Alexandre de Moraes, ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), para cancelar os seus passaportes.

Praticamente todo mundo (89%) ficou sabendo da ida do ex-presidenciável do PL para o exterior, num percentual superior ao registrado para outras notícias, como a crise no STF envolvendo Moraes, André Mendonça e o escândalo do Banco Master (73%) ou as investigações sobre o filho de Lula, Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha (66%).

A maioria dos eleitores (62%) considera que a fuga foi um erro, enquanto 29% a veem como acertada. Outros 9% não sabem ou não opinam.

Quanto ao motivo da saída, 56% dizem que ele estava fugindo da Justiça e 35% acreditam que ele viajou para se proteger de perseguição política. Descartam ambas as razões 2%, e 7% não sabem ou não responderam.

Também nessas questões o crivo ideológico foi forte: 92% dos lulistas desaprovam a atitude do Flávio, enquanto os bolsonaristas são compreensivos (90% afirmaram que ele fez bem). Entre os independentes, 63% se opuseram à decisão do ex-presidenciável, 21% aprovam a viagem e 16% não sabem ou não quiseram responder.

A Quaest ouviu 2.004 eleitores brasileiros com 16 anos ou mais por meio de entrevistas pessoais domiciliares feitas de 30 de outubro a 2 de novembro. A margem de erro estimada é de 2 pontos percentuais, dentro do nível de confiança de 95%.

Após a fuga, o filho do ex-presidente do Bolsonaro publicou uma carta na qual se autointitulava "verdadeiro presidente eleito do Brasil". A expressão depois foi trocada em nova versão do texto, mas Flávio continuou a lançar, sem qualquer evidência, dúvidas sobre o processo eleitoral.

De acordo com a pesquisa, 70% ficaram sabendo da carta golpista, ante 30% que ainda não tinham conhecimento.

Flávio se comportou mal diante dos resultados das eleições sob a ótica de 60% dos eleitores brasileiros; 25% declaram que ele agiu bem, e 9% consideram que não foi nem bem nem mal. Não respondem ou não sabem responder 6%.

Para efeito de comparação, 45% consideraram que Jair Bolsonaro agiu mal depois do pleito de 2022, ante 41% que afirmaram o contrário, que estava indo bem após a derrota. O ex-presidente não fez pronunciamento na noite da apuração, como é costume, não felicitou o vencedor e, no final do ano, viajou para a Flórida. Não passou a faixa presidencial para Lula.

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