O Ministério Público do Estado de São Paulo, por meio do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) de Campinas, deflagrou nesta sexta-feira (6) a Operação Shylock, com o objetivo de desarticular uma organização criminosa investigada por usura, extorsão, lavagem de dinheiro, organização criminosa, falsidade ideológica e outros delitos correlatos.
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Para o cumprimento das medidas cautelares deferidas judicialmente, foram expedidos 11 mandados de prisão preventiva e 24 mandados de busca e apreensão, além de determinações de bloqueio de bens e valores, sequestro de imóveis e afastamento cautelar de função pública.
Os mandados de busca e apreensão são cumpridos em endereços residenciais e empresariais localizados principalmente em Campinas, abrangendo imóveis nos bairros Cambuí, Jardim Chapadão, Parque Prado, Nova Campinas, Nova Europa, Taquaral, Vila dos Plátanos, Vila Lemos e Vila São Bernardo, além de endereços vinculados às empresas investigadas. Também foi cumprido mandado de prisão contra um escrevente de cartório de notas da cidade.
Segundo as investigações, o grupo atuava na concessão de empréstimos particulares garantidos por alienação fiduciária de imóveis. Para dificultar a identificação dos reais beneficiários dos recursos movimentados, a organização utilizava estruturas empresariais, pessoas interpostas e mecanismos de ocultação patrimonial.
As apurações indicam que a organização criminosa agia de forma estruturada e permanente, com divisão de funções entre os responsáveis pela captação de vítimas, pela negociação dos empréstimos, pela formalização contratual, pela administração financeira, pela cobrança e pela ocultação dos valores obtidos ilicitamente.
Até o momento, foram identificadas aproximadamente 50 operações semelhantes, envolvendo ao menos 62 vítimas — das quais 18 perderam seus imóveis, segundo as investigações. As apurações também apontam movimentações financeiras suspeitas, uso de empresas de fachada e sucessivas transferências patrimoniais destinadas a dissimular os recursos que teriam sido obtidos com as atividades ilícitas.