O presidente do Paraguai, Santiago Peña, renunciou ao cargo nesta quinta-feira (5), em meio à crise bancária envolvendo o banco digital Ueno, que fechou as portas e deixou cerca de 3 milhões de clientes sem acesso ao próprio dinheiro.
Peña era alvo de processo de impeachment apoiado pela oposição e por integrantes de sua própria base governista. O presidente foi acionista do grupo proprietário do Ueno até março de 2025. A oposição o acusa de conflito de interesses, manipulação de regras e desvio de recursos previdenciários. Também aponta que o Banco Central paraguaio encobriu irregularidades.
Em vídeo, Peña pediu desculpas à população afetada pela crise e afirmou que decidiu renunciar para preservar a estabilidade do país, a paz social e as instituições democráticas.
O Congresso paraguaio havia iniciado uma sessão extraordinária para discutir o impeachment. Todas as bancadas da Câmara dos Deputados anunciaram apoio ao processo, após aliados do presidente retirarem o apoio ao governo.
O Ueno fechou as portas na terça-feira (3), após o Banco Central iniciar sua liquidação. A autoridade monetária identificou falta de recursos para cobrir as obrigações da instituição, relacionada a empréstimos concedidos a empresas vinculadas ao banco.
Economista conservador, Peña assumiu a Presidência em 2023 e tinha mandato previsto até 2028. O vice-presidente, Pedro Alliana, assume o cargo, mas também é alvo do processo de impeachment.
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