VIOLÊNCIA

Em alerta, Jundiaí registra alta de 25% nos feminicídios

Por Giovanna Vianna |
| Tempo de leitura: 3 min
Dois casos ocorreram em Jundiaí e um em Cabreúva, em uma sequência que reforça o alerta sobre a violência contra mulheres
Dois casos ocorreram em Jundiaí e um em Cabreúva, em uma sequência que reforça o alerta sobre a violência contra mulheres

Jundiaí registra aumento de 25% nos casos de feminicídio em 2026, na comparação com todo o ano passado. Até outubro, foram dez mulheres assassinadas no município, contra oito casos registrados em 2025. O cenário ganhou novos episódios em menos de uma semana, quando três mulheres foram vítimas desse tipo de crime na região, duas em Jundiaí e uma em Cabreúva. As mortes ocorreram entre os dias 23 e 29 de outubro e envolveram homens com quem as vítimas mantinham ou haviam mantido relacionamentos afetivos. O balanço oficial da Secretaria de Segurança Pública (SSP) contabiliza oito casos em Jundiaí entre janeiro e setembro, sem incluir as duas ocorrências de outubro.

Para a advogada Andrea de Castro, especialista em violência doméstica, a dependência financeira é um dos obstáculos para que mulheres deixem relacionamentos violentos. “A violência doméstica não deve ser compreendida apenas como um problema de segurança pública ou de responsabilização criminal do agressor. Ela também produz uma situação de vulnerabilidade econômica e social que pode impedir, na prática, que a mulher exerça seu direito de se afastar”, explica.

Andrea destaca que a proteção precisa continuar depois que a mulher deixa a residência, já que o risco de perseguição e represálias pode permanecer. “Não basta somente dizer ‘saia de casa’. É necessário responder à pergunta ‘para onde essa mulher vai?’. Porque, se ela não tem uma alternativa para onde ir, certamente vai retornar ou permanecer com o agressor.” 

O primeiro caso ocorreu em 23 de outubro, quando Thaís Anéias, de 35 anos, foi encontrada morta em um quarto de hotel no Centro de Jundiaí. Ela estava acompanhada do ex-companheiro, que foi preso em Caraguatatuba no dia 2 de novembro. Segundo a Polícia Civil, ele confessou o assassinato. 

Quatro dias depois, em 27 de outubro, Carolaine Martins de Lima, de 26 anos, foi encontrada morta na casa onde morava, no Parque Industrial. O namorado, Cícero Rene Mendes da Silva, de 25 anos, também estava morto no imóvel. A ocorrência foi registrada como feminicídio seguido de suicídio. Segundo o boletim de ocorrência, a jovem pretendia terminar o relacionamento e o namorado já havia feito ameaças. Um familiar encontrou os dois feridos por golpes de faca após procurar Carolaine por não conseguir contato com ela. 

Em 29 de outubro, Maria Helena de Oliveira, de 42 anos, foi morta a facadas dentro de casa, no distrito do Jacaré, em Cabreúva. Ela conseguiu pedir socorro a uma vizinha. O companheiro, Clayton Caetano da Silva, foi preso no dia seguinte pela Polícia Militar, em Jundiaí. 

Violência também aparece em outros casos

A região também registrou outros episódios de violência contra mulheres em 2026. Em junho, Maria Helena de Almeida Matozo, de 23 anos, foi morta a facadas pelo companheiro em Jarinu. Em setembro, um homem foi preso em Várzea Paulista após enforcar a esposa durante uma discussão relacionada à separação. O caso foi registrado como tentativa de feminicídio. 

Em Cabreúva, duas gestantes também denunciaram agressões dos companheiros entre os dias 29 e 31 de outubro. As duas receberam atendimento médico e solicitaram medidas protetivas. 

Na capital paulista, o cenário foi diferente. Os feminicídios caíram 19,1% entre janeiro e setembro, passando de 47 casos em 2025 para 38 neste ano. No mesmo período, as prisões por violência doméstica aumentaram 36,3%, de 2.114 para 2.881. Os dados são da SSP e também apontam redução de 10% nos crimes contra a vida na capital. 

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