POLÍTICA

Atos estudantis têm críticas a Flávio Bolsonaro e atuação dos EUA

Por Ana Gabriela Oliveira Lima e Leonardo Vieceli | Folhapress
| Tempo de leitura: 4 min
Reprodução/@agendadopoder
Estudantes fizeram manifestações, neste domingo (1º), em estados como São Paulo e Rio de Janeiro
Estudantes fizeram manifestações, neste domingo (1º), em estados como São Paulo e Rio de Janeiro

Estudantes fizeram manifestações, neste domingo (1º), em estados como São Paulo e Rio de Janeiro contra Flávio Bolsonaro (PL) e o que consideraram ser interferência dos Estados Unidos nas eleições brasileiras. As ações, inicialmente programadas para comemorar a reeleição de Lula (PT), também criticaram ameaças a indígenas e os casos de violência política no país.

"A princípio nosso objetivo era que os atos de hoje fossem comemorativos, mas a conjuntura e os acontecimentos da semana não permitiram que tivessem estritamente esse caráter", afirma Bianca Borges, presidente da UNE, sobre as manifestações puxadas pela entidade em 12 estados neste domingo.

A conjuntura à qual Borges faz referência são a fuga e a carta golpista de Flávio depois de perder no segundo turno da eleição presidencial, na semana anterior, para o presidente Lula (PT).

O senador deixou o Brasil e chegou, na quarta-feira (28), a Miami, nos Estados Unidos. Ele divulgou uma carta na qual se disse "verdadeiro presidente eleito" no pleito. Depois, trocou o termo para "líder do Brasil", mas manteve o teor golpista.

Como resposta, a UNE decidiu que o tema deveria ser central nas manifestações já pensadas anteriormente para celebrar a vitória de Lula. Os atos eram inicialmente em nove estados neste domingo, mas foram expandidos para outros lugares, como Alagoas e Maranhão.

Na segunda-feira, 2, a previsão é de que aconteça em Salvador (BA) e, na quarta-feira (4), em Brasília.

Em São Paulo, a manifestação deste domingo começou ao meio-dia na praça Roosevelt, com dezenas de pessoas que ouviam o chamado de Borges contra a interferência dos Estados Unidos nas eleições, além de grupos paralelos, como a LAI (Liga Anti-Imperialista Internacional). Com integrantes mascarados, o grupo falou a favor da reforma agrária e contra o latifúndio.

Segundo Ramon Pereira Machado, de 25 anos, o uso de máscaras sanitárias é para proteger a identidade. Ele cita a violência nas eleições e fala que integrantes da organização foram demitidos dos seus empregos depois de se posicionarem.

A violência política relacionada ao pleito encerrado no dia 25 é também um dos temas citados pela presidente da UNE, que menciona ameaças contra os povos originários.

Denúncias de ataques e intimidações contra comunidades indígenas do Mato Grosso do Sul são investigadas pelo Ministério Público Federal no estado, que apura aumento de episódios violentos que estariam relacionados com as eleições presidenciais de 2026.

Borges também afirma que a categoria vai seguir mobilizada pelo ciclo de avanços que diz ser essencial no governo Lula. Como exemplo, cita a recuperação do orçamento das universidades públicas e o incentivo à permanência estudantil.

"Nós democratizamos o acesso ao ensino superior. Só que, sem permanência estudantil, a vaga é só uma porta-giratória, uma exclusão adiada", afirmou à Folha de S.Paulo.

A manifestação na praça Roosevelt teve público comedido e poucas personalidades conhecidas. Um deles, o deputado estadual eleito Eduardo Suplicy (PT), falou no palco a favor de sua principal bandeira, a renda básica de cidadania. José Genoino, ex-presidente do PT, acompanhou a manifestação sem subir ao palco. Ele não quis dar entrevista à Folha, mas afirmou que atos de rua seguem sendo motores na luta política.

Manifestantes também fizeram críticas ao prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), chamado de "corrupto e golpista". Um cartaz pedia o impeachment do político, levado à Câmara Municipal de São Paulo pela vereadora Amanda Paschoal (PSOL), sob a acusação de descumprimento de uma ordem judicial que determinou a circulação de 100% da frota operacional de ônibus da cidade durante o segundo turno das eleições.

Outro cartaz registrava a frase "O Brasil não cabe no quintal de ninguém", em referência à interferência dos Estados Unidos na política nacional.

Rio de Janeiro

No centro do Rio de Janeiro, o público se concentrou desde o final da manhã em uma praça anexa à igreja da Candelária. O ato foi menor do que as manifestações antes do segundo turno e foi repleto de críticas e ataques ao bolsonarismo e à extrema-direita.

Um dos manifestantes afirmou em um carro de som que a mobilização representava a "missa de sétimo dia da família Bolsonaro". O senador foi chamado de fujão pela deputada federal reeleita Jandira Feghali (PC do B), que discursou para o público. "Viramos símbolo antifascista no mundo", disse.

O ato reuniu principalmente jovens. Críticas ao governador eleito do Rio de Janeiro, Douglas Ruas (PL), foram registradas em diferentes momentos. Ruas é aliado de Flávio e fez campanha para o senador no estado.

A manifestação ainda teve discursos em defesa dos povos indígenas. O psicólogo Lucas de Oliveira Ribeiro, 32, afirmou que resolveu ir ao ato para expressar a sua revolta em relação à violência sofrida por essa população no país.

"O que me trouxe aqui foi a revolta e a indignação. Com Lula, temos maior possibilidade de enfrentamento a esse genocídio."

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