VIVEM JUNTOS

Separados há cerca de 60 anos, irmãos se reencontram em Franca

Por Manuela Sampaio e Lara Santiago | da Redação
| Tempo de leitura: 2 min
Sampi/Franca
Manuela Sampaio/GCN
Maria do Carmo e Benedito Albino juntos no Lar de Idosos Eurípedes Barsanulfo, em Franca
Maria do Carmo e Benedito Albino juntos no Lar de Idosos Eurípedes Barsanulfo, em Franca

Benedito Albino de Paula, 76 anos, e Maria do Carmo de Paula, de 72 anos, foram separados ainda na infância e passaram décadas seguindo caminhos diferentes. O contato entre os dois só foi retomado em 2018. Três anos depois, eles voltaram a morar juntos no Lar de Idosos Eurípedes Barsanulfo, em Franca.

Os irmãos nasceram em uma fazenda na região de Pedregulho. Maria perdeu a mãe durante o parto, quando Benedito tinha três anos. Depois, o pai constituiu uma nova família e, anos mais tarde, após a morte da madrasta, os dois acabaram separados.

Maria foi acolhida por outra família em Franca e permaneceu durante décadas ao lado da mulher que a criou. Benedito seguiu a vida no campo e trabalhou como lavrador em propriedades da região de Ribeirão Corrente.

Com a distância, os irmãos passaram longos períodos sem notícias um do outro. Maria conta que chegou a se preocupar com o paradeiro do irmão.

“Eu ficava preocupada, porque não tinha notícia dele. Eu fiquei feliz que eu encontrei ele aqui, fiquei aliviada.”

O reencontro

A reaproximação começou depois que uma voluntária do Lar percebeu que conhecia a família que havia acolhido Maria. A informação chegou à instituição, que conseguiu o telefone da casa onde ela vivia.

“Dali nós pedimos o telefone, entramos em contato com a casa, e colocamos os dois em contato”, conta Bruna Tayana, gestora de desenvolvimento institucional do Lar.

Primeiro, os irmãos voltaram a conversar por telefone. Depois, a instituição organizou uma visita, e os encontros presenciais passaram a acontecer de forma esporádica. Segundo Bruna, eles procuravam saber sobre a saúde, a rotina e o lugar onde o outro estava vivendo.

A convivência se tornou diária em 2021. Após a morte da mulher que havia criado Maria, ela precisou de um novo lugar para viver. Depois de passar um período com familiares, foi acolhida no mesmo Lar onde Benedito já morava desde 2010.

“Eu fiquei feliz”, afirma Benedito ao lembrar da chegada da irmã.

Uma nova rotina

A partir dali, os dois passaram a compartilhar o cotidiano. Participam das atividades do Lar, fazem passeios e gostam de dançar, mas não precisam estar juntos o tempo inteiro.

“Ela tem as coisas dela, eu tenho as minhas”, explica Benedito.

A relação também inclui os momentos comuns entre irmãos. Segundo Bruna, eles se preocupam um com o outro, mas também discutem e preservam a própria individualidade.

“Ao mesmo tempo que se amam, se querem bem, querem estar próximos, eles também têm os momentos de discussões, os momentos que discordam”, afirma.

A dança é uma das atividades que os dois têm em comum.

“Eu e ela, nós gostamos de dançar. É bom dançar”, conta Benedito.

Depois de décadas em que a distância fez parte da vida dos dois, Benedito e Maria voltaram a compartilhar momentos simples do dia a dia, como passeios e atividades no Lar.

“Agora a gente está junto, não precisa nem de telefone. A gente passeia junto pra tudo quanto é lado”, conta Benedito.

Comentários

Comentários