Entre partituras, salas de aula e gerações marcadas pela sensibilidade artística e de bons modos, silenciou-se em Bauru, nesta quinta-feira (16), uma trajetória que ajudou a moldar a cena musical e de etiqueta da cidade. A musicista, professora de música e de comportamento Maria Cecilia Abramides Gonçalves morreu aos 78 anos, deixando legado que também inspirou a fundação da ABDA Filarmônica, projeto que ensina música gratuitamente a crianças e adolescentes desde 2017.
O velório ocorre a partir das 11h desta quinta-feira, no salão nobre 1 do Centro Velatório Terra Branca, na quadra 5 da rua Gerson França, no Centro. O sepultamento está agendado para esta sexta-feira (17), às 8h30, no Cemitério da Saudade, em Bauru.
Maria Cecília era apontada como referência quando o assunto era etiqueta social e boas maneiras no município, temas sobre os quais ministrava aulas na década de 1970 e contribuiu com entrevistas ao Jornal da Cidade. Em reportagem de abril de 2000, concedida ao então repórter Gustavo Cândido, ela disse que os pais sempre tiveram, inclusive em sua época, dificuldades em lidar com os filhos quando o assunto é educação.
“No curso que eu dava, a gente ensinava aqueles bons hábitos de andar, comer, receber. Até em ocasiões difíceis existe uma regra de etiqueta. A gente também ensinava como gesticular, onde pôr a mão, como sentar, onde pôr a perna, como direcionar o pé. Tudo. A gente ensinava basicamente a pessoa a saber quem ela era, a descobrir o seu tipo, seu estilo e se respeitar. Cada um tem um estilo, seja esportivo ou brincalhão, mas dentro disso deve saber se respeitar e agir”, comentou Maria Cecília à época.
A professora deixa o esposo Freddy Gonçalves Silva, os filhos Gabriel Gonçalves Silva, Debora Gonçalves Silva e Roberto Abramides Gonçalves Silva, além de cinco netos: João Gabriel, Rafael, Pedro, Henrique e Felipe.
Claudio Zopone, mantenedor da Associação Bauruense de Desportos Aquáticos (ABDA), destacou que Maria Cecilia foi uma presença inspiradora e muito especial para todos que atuam nas áreas sociais de Bauru.
“Sua sensibilidade, amor pela cultura e pelos valores que unem as pessoas também foram fonte de inspiração para a criação da ABDA Filarmônica, um braço tão importante da nossa instituição. Neste momento de profunda tristeza, me solidarizo com o meu amigo Roberto Abramides e toda a família, desejando força e conforto para atravessar esta perda. Seu legado permanecerá vivo em nossa história e em tudo aquilo que ela ajudou a inspirar”, destacou Cláudio Zopone ao JCNET. Cláudio e Roberto Abramides são co-mantenedores da ABDA Filarmônica.