DÍVIDAS E COBRANÇA

Agressor de mulher por dívida foi preso em motel com outro homem

Por Laís Bachur | da Redação
| Tempo de leitura: 3 min
Redes sociais/Câmeras de segurança
Ronny foi flagrado agredindo devedora na porta de casa
Ronny foi flagrado agredindo devedora na porta de casa

Ronny Hernandes Alves dos Santos, de 40 anos, apontado como agiota em Franca, voltou a ser alvo de investigação após ser acusado de agredir uma mulher na porta da casa dela enquanto cobrava uma dívida de R$ 1 mil - ela teria atrasado uma parcela de R$ 100.

O caso ganhou repercussão depois que imagens da agressão foram publicadas pela imprensa, mostrando o momento em que a vítima é atingida com tapas durante a cobrança. A polícia já está de posse das imagens e investiga o caso.

Segundo as informações apuradas, Ronny foi até a residência da mulher para cobrar o valor que ela devia. Durante a discussão, ele teria partido para a agressão física. A vítima foi atacada em frente à própria casa.

Condenado e absolvido

O nome de Ronny já apareceu em uma investigação de grande porte sobre agiotagem em Franca, conduzida pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado).

Ele foi um dos investigados na operação realizada em novembro de 2023, que mirava uma quadrilha suspeita de explorar empréstimos ilegais na cidade.

Na época da operação, Ronny chegou a ser considerado foragido da Justiça, mas acabou localizado pela Força Tática da Polícia Militar em um motel na rodovia que liga Franca a Restinga.

Segundo a polícia, após denúncias sobre o paradeiro do suspeito, os policiais foram até o estabelecimento e encontraram Ronny em um quarto acompanhado de outro homem. Ao verificarem os dados, confirmaram que ele era o foragido procurado.

De acordo com os policiais, Ronny não apresentou resistência durante a abordagem e foi levado para a CPJ (Central de Polícia Judiciária), onde ficou à disposição da Justiça.

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Investigação apontava quadrilha familiar

As investigações do Gaeco apontaram que Ronny seria um dos sete integrantes de um grupo acusado de atuar com agiotagem em Franca. Entre os investigados estava também um ex-policial civil. A condenação de todos foi revertida.

Segundo o Ministério Público, o grupo funcionava como uma organização criminosa estruturada, formada principalmente por núcleos familiares, com tios e sobrinhos atuando juntos.

Cada integrante teria uma função específica dentro do esquema de empréstimos ilegais.

De acordo com os promotores, Ronny atuava principalmente na oferta de empréstimos e na cobrança das dívidas, divulgando os serviços inclusive em redes sociais.

Quando os devedores atrasavam os pagamentos, as cobranças eram feitas com ameaças e intimidação, chegando até mesmo a ameaças de morte, segundo a investigação.

Ainda conforme o Gaeco, a análise das contas bancárias dos investigados revelou uma movimentação aproximada de R$ 36 milhões em apenas três anos.

Absolvição e soltura em 2025

Apesar das acusações, Ronny acabou sendo absolvido pela Justiça em novembro de 2025.

A decisão foi tomada pela 8ª Câmara de Direito Criminal do Tribunal de Justiça de São Paulo, que analisou o processo envolvendo os investigados na operação conhecida como Castelo de Areia.

Com o novo entendimento do Tribunal, sete homens que estavam presos foram colocados em liberdade, entre eles Ronny.

O TJ-SP decidiu absolver completamente quatro investigados, incluindo Ronny, das acusações de organização criminosa, lavagem de dinheiro e corrupção.

Além da soltura, o Tribunal também determinou o desbloqueio de bens, como imóveis, veículos e valores que estavam retidos desde o início da investigação.

Nova investigação após agressão

Mesmo após a absolvição no processo relacionado à agiotagem, Ronny voltou a chamar atenção das autoridades após a agressão registrada durante a cobrança da dívida de R$ 1 mil.

A polícia agora analisa as imagens da agressão e as circunstâncias do caso, e ele poderá responder criminalmente pelos atos de violência contra a mulher.

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