A mineradora Vale registrou nesta segunda-feira (26) um novo vazamento de água em uma mina localizada na cidade de Congonhas, em Minas Gerais. Segundo a prefeitura do município, o extravasamento foi identificado na mina Viga, localizada na estrada Esmeril. Este é o segundo extravasamento registrado em uma mina da Vale em menos de 24 horas na cidade de Congonhas.
De acordo com a prefeitura, nesse domingo (25) ocorreu o rompimento de uma carreira de contenção de água na mina de Fábrica, que fica a cerca de 22 km de distância da mina de Viga. A prefeitura informou ainda que o impacto é ambiental, não tendo sido registrado bloqueio de vias e nem comunidades atingidas. Segundo a Defesa Civil, em decorrência do episódio desta segunda-feira, foi constatado extravasamento de água para o rio Maranhão.
LEIA MAIS:
No caso do rompimento registrado no domingo, o material atravessou o dique Freitas e seguiu carreando sedimentos e rejeitos de mineração, provocando impactos ambientais, mas sem vítimas. Foi verificado o vazamento de 263 mil metros cúbicos de água turva que continha minério e outros materiais do processo de beneficiamento mineral.
O vazamento chegou a atingir uma área de outra mineradora, a CSN, provocando danos materiais. Depois, a lama atingiu o rio Goiabeiras, que atravessa parte da área urbana do município, antes de se encontrar com o Rio Maranhão, já na área central de Congonhas.
Segundo a CSN, o rompimento provocou o alagamento de áreas de sua unidade Pires, localizada em Ouro Preto. Entre os locais atingidos estão o almoxarifado, os acessos internos, as oficinas mecânicas e a área de embarque. “Importante ressaltar que todas as estruturas de contenção de sedimentos da CSN Mineração estão operando normalmente”, informou, em nota, a CSN.
Em razão dos dois episódios, foi montada uma sala de crise com participação das defesas civis das cidades de Congonhas e Ouro Preto, além de equipes da Coordenadoria de Estado de Defesa Civil (CEDEC), do Corpo de Bombeiros de Minas Gerais, da Secretaria de Meio Ambiente e Mudanças Climáticas da prefeitura de Congonhas e do Ministério Público do Estado de Minas Gerais (MPMG).
“Tal nível de turbidez da água acarreta consequências muito sérias. Uma delas é a perda de biodiversidade significativa, porque os índices de qualidade da água vão reduzir muito, seja pela baixa de oxigênio, de luminosidade e até porque o material vai assoreando os rios e aumentando as possibilidades de enchente. O material carreado, muitas vezes, pode ser tóxico, o que afeta as matas ciliares, responsáveis por conter os barrancos, que servem para evitar enchentes. Estas consequências serão observadas nos próximos meses, porque esse material vai descendo, cada vez mais. Nas áreas mais próximas ao rompimento da cava na área da Mina de Fábrica, da Vale, percebemos arraste de árvores e rochas e mudança no curso do rio”, disse o secretário de Meio Ambiente e Mudanças Climáticas de Congonhas, João Lobo.
Após o ocorrido na mina de Fábrica, a secretaria aplicou um auto de infração à Vale, que pode ser convertido em multa. “Embora não se trate de uma barragem, o município considera que a estrutura seria capaz de causar graves problemas ambientais e sociais, porque poderia acarretar até mesmo perda de vidas. A empresa não tinha condições de fazer o monitoramento atento e contínuo desta área”, afirmou o secretário.
Em comunicado divulgado nesta segunda-feira (26), a Vale informou que os extravasamentos de água identificados nas minas de Congonhas e de Ouro Preto “foram contidos”.
“Ninguém ficou ferido e a população e as comunidades próximas não foram afetadas. Nenhuma das duas situações tem qualquer relação com as barragens da Vale na região, que seguem sem alterações nas suas condições de estabilidade e segurança e são monitoradas 24 horas por dias, 7 dias por semana. A Vale esclarece, ainda, que não houve carreamento de rejeitos de mineração, apenas água com sedimentos”, destacou.
Em nota, a companhia também afirmou que realiza ações preventivas de inspeção e manutenção periodicamente e que suas estruturas são seguras. “A empresa reforça esses procedimentos durante o intenso período chuvoso. As causas dos dois extravasamentos estão sendo apuradas e os aprendizados extraídos serão imediatamente incorporados aos planos de chuva da companhia”, pontuou a Vale.