Cinco dos 19 vereadores de Jundiaí estão na disputa eleitoral deste ano. Cristiano Lopes (PP) concorre a deputado federal; Edicarlos Vieira (União Brasil), presidente da Câmara, Dika Xique-Xique (Podemos), Leandro Basson (Podemos) e Faouaz Taha (PSD) disputam vagas de deputado estadual. Na prática, 26,3% do Legislativo municipal concilia, neste período, as responsabilidades do mandato com uma agenda voltada à eleição.
A campanha acrescenta compromissos como visitas, reuniões, encontros políticos e atividades nos bairros à rotina que já inclui sessões, votações, comissões, audiências públicas e atendimento à população. O Jornal de Jundiaí enviou as mesmas perguntas aos cinco vereadores.
Entre os que se manifestaram, há um ponto em comum: nenhum afirma ter reduzido as atividades parlamentares por causa da campanha. A estratégia relatada é concentrar os compromissos eleitorais nos horários livres, sobretudo à noite e nos fins de semana.
Cristiano Lopes afirma que a principal mudança foi o aumento da carga horária. Para ele, conciliar as duas atividades exige planejamento para que a candidatura não interfira no exercício do mandato. "A campanha naturalmente aumenta a agenda, principalmente à noite e nos fins de semana, mas não mudou meu compromisso como vereador. Continuo participando das sessões, acompanhando projetos, atendendo a população e encaminhando demandas", afirma.
O candidato a deputado federal diz que mantém como prioridade os horários destinados às atividades da Câmara e utiliza os demais períodos para a campanha. "A campanha exige mais esforço e mais presença nas ruas, mas isso não pode significar reduzir o compromisso com quem confiou no nosso trabalho."
Lopes também considera fundamental separar as atividades parlamentares das eleitorais. "É preciso ter responsabilidade e separar bem as funções", afirma. Como exemplo da continuidade do mandato, cita a aprovação de projeto de sua autoria sobre o combate ao assédio moral e psicológico no ambiente esportivo.
PRESIDÊNCIA DA CÂMARA
A rotina de Edicarlos Vieira envolve uma responsabilidade adicional. Além de candidato a deputado estadual, ele é presidente da Câmara, cargo que exige a condução dos trabalhos legislativos e uma agenda institucional própria.
Para o vereador, porém, a intensidade da rotina não começou com a eleição. "Acordo muito cedo e deito tarde, porque a cidade não para. Jundiaí não funciona das sete às cinco, funciona vinte e quatro horas, e os problemas também", afirma.
Edicarlos cita a fiscalização do transporte público em horários de madrugada como exemplo de uma atividade que, segundo ele, faz parte do mandato independentemente do calendário eleitoral. "Isso não é campanha, é a minha obrigação e o meu trabalho. Estou aqui para servir a população e a comunidade que confiou em mim."
O presidente afirma que mantém normalmente as atividades da Câmara e destaca a realização, em agosto, de duas audiências públicas sobre a proteção da Serra do Japi, uma delas relacionada a projeto de sua autoria. Também cita a votação de matérias sobre acolhimento a dependentes químicos, videomonitoramento, ensino em tempo integral, Câmara da Pessoa Idosa e a Lei do Silêncio. "São pautas que não podem esperar a eleição passar, e não vão esperar", diz.
Sobre a possibilidade de conflito entre o mandato e a candidatura, Edicarlos afirma que a separação deve ser rigorosa, principalmente em relação à estrutura pública. "Mandato é mandato, campanha é campanha, e a separação de estrutura e de recursos é total."
MAIS DESLOCAMENTOS
Faouaz Taha reconhece que a campanha deixou a rotina mais carregada, mas afirma que nenhum compromisso parlamentar foi reduzido. A estratégia, segundo ele, é encaixar a agenda eleitoral nos intervalos das atividades do mandato.
"A rotina fica mais carregada naturalmente, porque não deixo nunca de cumprir minhas agendas do mandato e, nas brechas desse expediente, encaixamos visitas de campanha. É possível conciliar sim", afirma.
O vereador cita a audiência pública realizada em agosto sobre seu projeto de lei relacionado aos carros elétricos e as ações do Setembro Amarelo como exemplos de atividades que continuam fazendo parte da agenda parlamentar.
Para Faouaz, a própria divulgação do trabalho realizado como vereador integra a relação com o eleitor. "Mostrar o que já fazemos em mandato é uma forma de divulgar o compromisso com nossas propostas."
Os deslocamentos pela Região Metropolitana de Jundiaí são concentrados principalmente nos fins de semana, segundo o vereador. Ele considera que a candidatura representa uma possibilidade de ampliar, em âmbito estadual, projetos e ações desenvolvidos no município.
"Almejar uma candidatura a deputado, na minha visão, e no meu caso com três mandatos como vereador, é uma forma de expandir esse trabalho, tentar levar ao Estado o que construímos e ampliar resultados com possibilidades que apenas um deputado pode fazer para serviços essenciais como trazer recursos aos municípios."