Na sexta-feira passada, 28, foi-se embora Marcio Franklin Nogueira. Saiu da vida sorrateiramente, sem vinheta de encerramento. Dr. Márcio era um brilhante magistrado, desembargador, professor, escritor, coordenador pedagógico. Construiu uma trajetória de mais de cinco décadas dedicadas ao serviço público, ao Direito e sobretudo ao conhecimento. Ficar ao seu lado era um privilégio. Tinha cultura e vocabulário invejáveis. Tinha ideias boas e inteligência reflexiva. Conheci, ao longo da vida, pouquíssima gente com a retidão, a integridade e honestidade do dr. Marcio.
Marcio não se tornou apenas herdeiro de sangue do seu pai, o renomado desembargador dr. Duílio Nogueira. pessoa extremamente apaixonada pelas coisas do Direito e da Justiça. Herdou também o peso de sua integridade e de sua respeitável caminhada na Justiça. Grande parte de sua vida dedicou a formação de gerações de estudantes, como professor e depois como coordenador pedagógico da Faculdade de Direito Padre Anchieta, tornando-a com conceitos satisfatórios e de excelência no ensino. E que aprumo ético demonstrava com os seus alunos, estimulando os mais jovens, aconselhando-os, sem que as lições tivessem o travo do mestre ensinando, mas sempre do colega opinando, com humildade e simplicidade. Não só com os alunos, eram sim com todos, a forma de lidar com os humildes, a sua simpatia, e seu senso de humor. Sempre adversário dos bolsões de pobreza e da miséria e das desigualdades sociais.
Na Justiça, tinha a lei como bússola e parâmetro. A boa interpretação da lei, por critérios modernos, seguros e inteligentes. Lembro-me, como advogado, que o dr. Marcio foi um dos primeiros magistrados a defender a constitucionalidade dos planos econômicos, mas defendeu a validade dos acordos coletivos para pagamento dos expurgos inflacionários aos poupadores. E só agora, após cerca de 25 anos foi firmado, este entendimento, pelo Supremo Tribunal Federal. Era um grande torcedor do Paulista F.C. Um homem em pleno exercício de sua condição humana.
Partiu sem se despedir. Na verdade, Marcio não morreu, apenas se ausentou. Continuarei a procurar seus escritos e suas mensagens, nas redes sociais. Passarei em seu escritório a buscar seus conselhos jurídicos. Temos um grupo de casais amigos formado nos bancos acadêmicos e consolidado numa amizade longeva. Foram tantas viagens, reuniões festivas e fins de semana de praia e sol. Sua falta, o grupo nunca será o mesmo. A razão, o motivo, é a minha profunda emoção. Destas coisas que nos são roubadas pela vida, este meu amigo, deixou sua marca de amizade e carinho que jamais serão esquecidas. Creio que a única forma de conseguir de seguir em frente e deixar a emoção sangrar os descaminhos do coração, assim como a vida sangra em direção do seu fim, por vezes de forma triste e dura. Foi fiel ao seu estilo e a sua vontade. Assim quis da vida e tenho certeza que não se arrependeu. Partiu e com ela parte da história desta cidade por onde registrou seu nome com excelência. Homenagem aos que partem e não nos esqueçamos. Esses não nos esquecem e nos fazem a doce companhia, agora eterna. A sua bela família e a sua querida esposa Ivone e a todos os seus familiares, gostaria de dirigir os nossos sentimentos e acredito que a maioria da população jundiaiense gostaria de fazer o mesmo.