OPINIÃO

A quem interessa a guerra dos gêneros?


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Participei, esta semana, de um curso on-line voltado a mulheres empreendedoras que desejavam desenvolver suas habilidades de liderança com Inteligência Artificial. Havia cerca de 700 participantes, homens e mulheres. Em determinado momento, uma mulher fez uma pergunta no chat. Um homem respondeu que aquela informação poderia ser encontrada no Google.

A reação foi desproporcional e o que se seguiu estarrecedor. A resposta deixou de ser analisada pelo seu conteúdo e passou a ser interpretada a partir do gênero de quem a escreveu. O debate esquentou e homens, de maneira geral, passaram a ser alvo de críticas. 

Não há dúvida de que o patriarcado produziu, historicamente, estruturas sociais que limitaram direitos e oportunidades das mulheres. O movimento feminista teve, e continua tendo, papel importante na conquista de direitos, autonomia e participação feminina na sociedade. Questionar desigualdades é legítimo e necessário. 

O problema começa quando a crítica às estruturas se transforma em condenação de indivíduos. Um homem não é responsável, individualmente, por todo o sistema patriarcal. Da mesma maneira, uma mulher não deve ser vista como vítima permanente ou como alguém incapaz de construir sua própria trajetória.

Empoderamento não deveria significar trocar uma posição de submissão pela de superioridade. Empoderar é ampliar possibilidades, autonomia, responsabilidade e capacidade de escolha. E isso exige pensamento crítico. 

Biologicamente, homens e mulheres são diferentes. Sexo e gênero não são conceitos idênticos. A biologia envolve características como cromossomos, hormônios, anatomia e reprodução. Gênero também envolve papéis, comportamentos e expectativas construídos socialmente. Reconhecer diferenças biológicas, entretanto, não significa atribuir superioridade a um sexo ou limitar o potencial de alguém por nascer homem ou mulher. 

Uma mulher pode denunciar uma injustiça sem transformar todos os homens em inimigos. Um homem pode discordar de uma mulher sem desqualificá-la. E ambos podem aprender juntos sem transformar cada divergência em uma batalha identitária. 

Até porque a realidade é mais complexa do que a divisão entre “nós” e “eles”. Mulheres e homens trabalham juntos, empreendem juntos, educam filhos, constroem empresas, pesquisam, criam tecnologia e enfrentam problemas que não escolhem gênero. 

A quem interessa a guerra dos gêneros?

A uma sociedade mais justa, certamente não.

A igualdade precisa de diálogo. O empoderamento precisa de responsabilidade. E a liberdade de uma mulher não deveria exigir a diminuição de um homem, assim como, o reconhecimento dos homens não pode significar o silenciamento das mulheres.

Se queremos construir relações mais maduras, talvez o verdadeiro avanço não esteja em descobrir quem deve vencer essa guerra, mas em perceber que homens e mulheres não precisam ser adversários para serem iguais em dignidade e direitos.

 

 

Rosângela Portela é jornalista, consultora e mentora em comunicação

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