AVANÇO NA SAÚDE

USP desenvolve estratégia de vacina contra chikungunya

Por Redação | Agência de Notícias de São Paulo
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Divulgação
Em testes com camundongos, uma única dose protegeu os animais
Em testes com camundongos, uma única dose protegeu os animais

Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP), em parceria com cientistas da Universidade de Bonn, na Alemanha, desenvolveram uma estratégia vacinal experimental contra a chikungunya. A tecnologia utiliza uma versão geneticamente modificada do vírus capaz de realizar apenas um ciclo de replicação no organismo, suficiente para estimular o sistema imunológico sem permitir que o patógeno se torne infeccioso novamente. Em testes com camundongos, uma única dose protegeu os animais.

A estratégia foi desenvolvida por pesquisadores da Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto (FCFRP-USP) e utiliza uma alteração no processo de maturação do vírus. Os cientistas modificaram o material genético do chikungunya para impedir que ele complete novos ciclos de infecção depois da primeira replicação. “A ideia foi criar um vírus que entra na célula e ativa o sistema imune, mas é fisicamente incapaz de se tornar infeccioso”, explica Danillo Lucas Alves Esposito, primeiro autor do estudo.

Para chegar ao resultado, os pesquisadores alteraram uma sequência do genoma viral relacionada à ação da furina, enzima humana necessária para que o chikungunya se torne infeccioso. No imunizante experimental, essa sequência passou a ser reconhecida por uma enzima encontrada no vírus da corrosão do tabaco, que não está presente em seres humanos ou mosquitos. Dessa forma, o vírus utilizado na vacina consegue estimular uma resposta imunológica, mas as partículas produzidas depois da primeira replicação permanecem incapazes de infectar novas células.

Segundo Esposito, a tecnologia pode ser uma alternativa para ampliar a segurança de vacinas baseadas em vírus vivos, especialmente para grupos que apresentam restrições a determinadas formulações. “Isso é importante, pois hoje temos uma vacina de vírus atenuado contra o chikungunya que, após um período de suspensão, em 2025, voltou a ser aprovada pelo FDA [agência norte-americana que regula medicamentos], porém com restrições”, afirma. O estudo também identificou que os animais imunizados produziram resposta capaz de neutralizar o vírus mayaro.

Os resultados foram publicados na revista npj Vaccines e receberam financiamento da Fapesp. A próxima etapa envolve o avanço dos estudos da vacina contra chikungunya e a avaliação da plataforma para outros vírus. “Como vários arbovírus dependem da furina para se tornarem infecciosos, a plataforma pode ser adaptada para zika, febre amarela e até variantes do SARS-CoV-2 [o vírus da Covid-19], por exemplo”, afirma o pesquisador.

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