OPINIÃO

Quando a promessa descarrila


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O colapso nas linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade que testemunhamos há algumas semanas foi mais do que uma pane no sistema ferroviário. Foi a ruptura de uma promessa. Durante anos, o Governo Tarcísio de Freitas vendeu a ideia de que privatizar significa mais eficiência, mais qualidade e um serviço melhor para a população. Bastaram poucos dias de operação da Trivia, empresa do Grupo Comporte, para essa narrativa desmoronar.

 

A fotografia do caos foi a seguinte: uma falha elétrica interrompeu o fornecimento de energia das três linhas. Em questão de minutos, milhares de passageiros ficaram presos dentro dos trens. Sem iluminação de emergência. Sem informações. Sem orientação. Sem saber quanto tempo permaneceriam ali ou como sairiam daquela situação.

 

As imagens que assistimos no noticiário falaram por si. Trabalhadores, estudantes, idosos e crianças caminhando pelos trilhos usando a lanterna do celular para iluminar o caminho no breu da madrugada. Passageiros pulando muros para tentar alcançar uma avenida. Cenas incompatíveis com um dos maiores sistemas metropolitanos de transporte do mundo.

 

Não foi apenas uma falha operacional. Foi uma falha de gestão. Quando um serviço essencial é concedido à iniciativa privada, o Estado não deixa de ser responsável. Ao contrário. Cabe ao poder público fiscalizar e agir rapidamente quando a segurança das pessoas é ameaçada. Se isso não acontece, o problema passa a ser também de quem autorizou a concessão e deveria garantir seu funcionamento.

 

Jundiaí precisa estar alerta a estes graves episódios. O mesmo Grupo Comporte, responsável pelas linhas colapsadas, também opera a Linha 7-Rubi, que conecta a cidade à Barra Funda. Desde que a empresa assumiu a operação, no final de 2025, as reclamações dos passageiros se multiplicaram.

 

O primeiro ato da concessão foi acabar com o Serviço 710, que permitia uma viagem direta de Jundiaí até Rio Grande da Serra, no ABC Paulista. Com a medida, cerca de 200 mil pessoas passaram a ser obrigadas a fazer baldeação na Barra Funda, o que significa viagens até meia hora mais longas, plataformas superlotadas e uma rotina muito mais desgastante.

 

Na época, a justificativa foi simples: a Linha 10, que antes se conectava à 7-Rubi, permaneceu sob operação da CPTM e não fazia parte da concessão. Ou seja, o contrato falou mais alto, o interesse privado prevaleceu e os passageiros tiveram que se adaptar. Quem deveria agir, ficou de braços cruzados. A Artesp silenciou. Uma agência reguladora cuja missão deveria ser equilibrar os interesses privados com a garantia de um serviço público eficiente e seguro.

 

Depois do caos nas linhas 11, 12 e 13, Artesp foi obrigada a cumprir seu papel. Determinou o retorno da operação assistida pela CPTM. A decisão foi um reconhecimento implícito de que a transição entre público e privado não ocorreu como deveria. Diante do precedente, encaminhei um ofício ao Governo Tarcísio solicitando a adoção da mesma medida preventiva na Linha 7-Rubi, com o objetivo de colocar o serviço novamente nos trilhos e reduzir o número de problemas. Até agora, não obtive resposta. E não me espanto com isso. Afinal, esse é o modus operandi deste desgoverno, que prefere o silêncio à ação nos momentos em que mais se precisa dele.

 

Deputado Maurici está em seu segundo mandato e é primeiro secretário da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo.

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