O uso da inteligência artificial só cresce. O mundo já não é o mesmo e dificilmente voltará a ser. Há pouco mais de três anos, a IA respondia perguntas e produzia textos. Agora, cria imagens, vídeos, programas de computador, analisa documentos, participa de reuniões e executa tarefas de forma autônoma. Amanhã – que talvez já seja hoje – tomará decisões ainda mais complexas, coordenando sistemas inteiros, liderando todo processo.
A IA deixou de ser apenas uma ferramenta tecnológica para se tornar um dos principais motores da transformação econômica e social do século XXI. Izabela Anholett, especialista na área, de forma didática, explica essa evolução, que pode ser compreendida em três níveis.
O primeiro nível é o da IA como assistente. É a tecnologia que responde perguntas, resume documentos, traduz textos, cria apresentações, organiza informações e apoia atividades do dia a dia. Milhões de pessoas já utilizam esses recursos para estudar, trabalhar, pesquisar e ganhar produtividade.
O segundo nível é o da IA como especialista. Nesse estágio, ela passa a atuar em áreas específicas do conhecimento. Analisa exames médicos, identifica fraudes financeiras, monitora processos industriais, auxilia na gestão de pessoas, interpreta contratos, acompanha lavouras e contribui para pesquisas científicas. Empresas brasileiras já desenvolvem soluções personalizadas para saúde, indústria, agronegócio, educação, logística e diversos outros setores.
Já no terceiro nível, a IA atua como agente. Ela ganha autonomia. Planeja, decide a sequência de ações e executa tarefas praticamente sozinha. Pode pesquisar informações, elaborar um relatório, marcar reuniões, enviar mensagens, integrar diferentes sistemas e acompanhar resultados, sempre com supervisão humana. É nesse ponto que a IA começa a transformar profundamente a forma como as empresas organizam o trabalho.
Está em curso uma verdadeira corrida contra o tempo pela liderança mundial em IA entre Estados Unidos, China e Europa. A tecnologia é considerada estratégica para a economia, a segurança e a soberania digital dos países, movimentando investimentos de centenas de bilhões de dólares, que redefinem a competitividade global.
Atualmente, podemos observar as mudanças no mercado de trabalho. Funções repetitivas tendem a ser automatizadas, enquanto cresce a demanda por profissionais capazes de trabalhar em parceria com a IA. Mais do que dominar ferramentas tecnológicas, é indispensável desenvolver competências essencialmente humanas, como o pensamento crítico, criatividade, comunicação, capacidade de análise, ética e tomada de decisão.
O novo cenário exige o desenvolvimento de competências digitais para enfrentar e acompanhar a realidade que se apresenta. Será necessário a requalificação profissional, assim como, empresas, universidades e governos precisarão investir na formação de pessoas preparadas para um ambiente em que humanos e máquinas atuarão de forma complementar.
Você está pronto para esse novo mundo?
Rosângela Portela é jornalista, consultora e mentora em comunicação